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Categoria: Aconteceu


Desde o Live Aid de 1985 celebra-se, por todo o planeta, o dia mundial do rock, provavelmente o gênero musical que melhor soube manter sua essência ao mesmo tempo em que se adaptou aos incontáveis contextos locais por todo o planeta. O rock enquanto símbolo de rebeldia e negação às gerações anteriores já não é tão jovem, mas certamente mantém jovem a mente de inúmeros senhores e senhoras, enquanto funciona como elo quando surge nas guitarras e fones de garotos sonhadores em seus quartos. 

Vale lembrar que o rock foi a trilha sonora de importantes transformações desde a segunda metade do século XX, como a rejeição ao racismo, a luta por direitos, a liberdade de expressão, a crítica social, a igualdade que hoje vemos expressa em nossa Constituição, por exemplo. Os roqueiros foram os pioneiros em levantar a voz e romper com velhos paradigmas num mundo abalado pelo pós-II Guerra Mundial, onde a realidade deixou a ficção  a comer poeira, no quesito surrealidade.

Após tantas datas musicais comemorativas como o São João, o Dia Mundial do Rock acaba por ser a redenção daqueles que curtem um som mais pesado. Assim, há shows temáticos em qualquer cidade, incluindo não só o dia 13, mas toda a semana. Em Vitória da Conquista, foram diversas as opções, mas foi no ainda novo Fenix Rock Bar, único do gênero na cidade, que tudo pegou fogo, no melhor estilo rock n' roll: sem frescura e em alto volume. 

Considero o Fenix como herdeiro legítimo do legado do falecido Paraki, local onde os roqueiros se reuniram por anos até o fim da década passada e que foi sinônimo do rock conquistense, assim como o programa O Som da Tribo e as próprias bandas locais. Lá nos sentimos em casa, encontramos amigos novos e das antigas, ao som da boa música que nos interessa, o que é cada vez mais raro em tempos como hoje. O grande diferencial do Fenix em relação ao Paraki é a possibilidade de shows ao vivo, o que também remete à Casa do Rock, importantíssimo local que mereceria um texto à parte e que já não está entre nós há algum tempo.

The Dug Trio

O som ficou sob o comando do Dug Trio, grupo acústico, com três vozes, formado por I. Malförea (Distintivo Blue), Bruno Greaser e Lavus Bittencourt (The Outsiders). Com violão, guitarra, cajón, e gaita, os três vocalistas, fizeram um mix de rock n' roll, blues, country, folk, dando uma pequena amostra do que estaria por vir. O show começou às 21:30h ao som de Johnny Cash, variando o vocalista principal a cada música, mas com os demais acompanhando com grande harmonia.

Uma hora e meia depois, Bruno e Lavus saem do palco, dando lugar a Camilo Oliveira (guitarra e voz) e Nephtali Bitencourt. O novo trio é formado por membros da Distintivo Blue e se chama The JackHammers. Esta foi sua primeira aparição pública, preparando o público para a primeira noite do Moto Rock 2019, que acontecerá de 19 a 22 de setembro no Centro Cultural Glauber Rocha. O grupo tocou cinco músicas, incluindo NJJJ, autoral, já executada em shows pela Distintivo Blue desde 2014 e que está entre as próximas da fila a ganhar uma versão de estúdio.

The JackHammers

Em seguida, são chamados ao palco Lavus Bittencourt e Rômulo Fonseca, ex-guitarristas da Distintivo Blue, para uma reunion comemorativa pelos 10 anos da banda. No palco, três guitarristas, um baterista e um vocalista/gaitista tocando apenas canções autorais: Blues do Covarde (primeira faixa do primeiro EP, de 2011), Charity and Mercy (do disco Todos os Dias, Vol. 1, de 2015), O Álcool Me Persegue (da banda punk Cama de Jornal, gravada em 2012, no EP Riffs, Shuffles, Rock n' Roll, com a participação de Nem e Rose, autores da música), Na Trilha do Blues (lançada no mesmo disco) e De Cara no Blues, faixa autoral da antiga banda The New Old Jam, que deu origem à DB, lançado no mesmo EP de 2011.

Na plateia, muitos músicos, incluindo Nem (Cama de Jornal), que se juntou ao grupo e conduziu todo o bar em O Álcool Me Persegue. A DB não se apresentava em público desde o final de 2016, quando se desmembrou e permanece em pausa até o momento, mas ainda lançando material e planejando gravar novas músicas ainda neste semestre. No palco, os três membros fundadores da banda: I. Malförea, Rômulo Fonseca e Camilo Oliveira, que há 10 anos faziam os primeiros ensaios, ainda buscando um formato para a banda, que possuía o nome provisório de Bluenote Band. O Fenix foi abaixo ao som do blues autoral do sudoeste da Bahia.

Todos reunidos para tocar e cantar Black Sabbath

A esta altura, já madrugada adentro, os Joes deram lugar ao trio instrumental The Surf Riders, formado por Lavus Bittencourt (guitarra), Gleidson Ribeiro (baixo) e Ed Goma (bateria), todos membros da banda country The Outsiders. O grupo trouxe o rockabilly da melhor qualidade ao espaço, que mal teve tempo de recuperar o fôlego. Isso é o rock n' roll: música bem feita, bem executada, sem subestimar a inteligência de quem escuta. E tudo isso como uma grande diversão.

Bruno Greaser volta ao palco, completando os Outsiders. Agora é a vez do country, um dos ingredientes essenciais do rock. A banda, única do gênero na cidade, foi formada em 2016 e arranca aplausos onde passa. Em seu repertório, tanto clássicos como Willie Nelson e Johnny Cash como bandas independentes, como Johnny Trouble (Alemanha) e The Railbenders (Colorado, EUA). Desta foi, aliás, a última faixa da apresentação, Whiskey Rain, que contou também com I. Malförea nos backing vocals.

Para finalizar o roteiro, The Dug Trio retornou ao palco, relembrando Zé Ramalho, Deep Purple, Led Zeppelin, a Jovem Guarda (primeira manifestação do rock no Brasil), Raul Seixas, Belchior e diversos nomes que construíram a história do rock por aqui. o Bar ainda estava lotado e todos felizes por celebrar juntos a música que amam e vivem.

JayVee foi um dos que continuaram a noite no palco

Este teria sido o final da noite, mas todos queriam mais: de improviso, I. Malförea (voz), Gleidson Ribeiro (baixo), Lavus Bittencourt (guitarra), Nephtali Bitencourt (bateria) e o público (coral) tocaram, ainda, N.I.B. e War Pigs, do Black Sabbath. Em seguida, o cantor JayVee evocou Elvis com seu violão, acompanhado de Nephtali (bateria) e Malförea (baixo e backing vocal). Depois foi a vez de Renno Siqueira trazer o som do grunge, e vários outros músicos continuaram revezando o palco até o fim da noite, que ficará na memória de todos por bastante tempo. Esse é o poder do rock n' roll: o de reunir pessoas em seu nome e torná-las um pouco (ou muito) mais felizes do que estavam. E o melhor: essa música é imortal! Long live rock n' roll!!!

Veja mais fotos e vídeos em @DistintivoBlue.


Sempre gostei das frases de Friedrich Nietzsche. Sempre gostei de ver pessoas sentindo o artista no palco, animando-se e praticamente fazendo parte de um show, além de respeitar o artista. Na quinta-feira (19), no Centro Cultural Sesc Morada dos Baís, em uma noite chuvosa e chorosa como o jazz pede sempre, a cantora Samantha Caracante mostrou ao público porque hoje é considerada uma das melhores artistas do Mato Grosso do Sul. Em apenas um ano e meio de Campo Grande, vindo de São Paulo, a cantora-atriz conquistou seu espaço definitivamente. O show, “Divinas Divas”, deixou brilhos e sorrisos de felicidades a todos que assistiram.

Mas o que tem Nietzsche a ver com o show de Caracante na Morada? É que quando vi o público cantando e dançando na voz da artista, veio na mente a frase do filósofo prussiano: “E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”. Ao contrário do belo show do talentoso Antonio Porto, que ocorreu no mesmo local, o público sentiu, assistiu e participou ativamente do espetáculo apresentado por Samantha. Respeitou a artista. Não ficou “tagarelando” como ocorreu com Porto que foi desrespeitado, apesar do grande talento que ele é.

Samantha Carancante fez o que sabe fazer de melhor: cantar com voz e corpo. No repertório, canções eternizadas pelas “divas eternas do jazz” e mesclando com alguns blues. Acompanhando a artista, grandes músicos: Gabriel de Andrade (guitarra), Ivan Cruz (baixo), Marcus Loyola (bateria) e Mayson Lucas (sax), além da participação especial do grande guitarrista e descobridor de cantoras especiais, Luís Henrique Ávila, o show começou mágico com um instrumental. O público pode ouvir, cantar e dançar canções que foram interpretadas por Etta James, Billie Holiday, Nina Simone, Julie London, Sarah Vaughan, entre outras.

Assim, Samantha começou a cantar nada menos do que “Too close for comfort” eternizada por Ella Fitzgerald, encantando a todos. Vieram “My baby justa cares for me”, por Nina Simone; “Black Coffe”, uma das que gosto muito, cantada sempre por Ella Fitzgeral.“How deep is the Ocean” (Billie Holiday); “Cry me a river” (Julie London); o instante mágico onde Samantha cantou apenas acompanhada do baixo do excelente Ivan Cruz a canção “My Love is”. Lembrou-me muito a interpretação de Holly Goligtly. Encerrou assim o primeito set com “One for my baby”; “Put the blame on mane, boys” e “All or nothing at all”. Uma parada apenas de 10 minutos para recuperar o fôlego de todos de um show impecável!

No segundo set, novo instrumental dos grandes músicos, mostrando suas qualidades. Solos fantásticos do sax do jovem Mayson Lucas, seguindo da guitarra jazzística de Gabriel de Andrade, passando pelo talentoso baixista Ivan Cruz e a bateria incrível de Marcus Loyola. Samantha retornou com “Samba e Amor” (Chico Buarque), “Fellig Good” (Nina Simone), “Streigthen up and fly rigth” (Nat King Cole) e “At last” (Etta James). Na mudança do jazz para o blues, Samantha chamou para participação especial, o guitarrista Luis Henrique Ávila que a acompanhou  a linda e inesquecível canção “Pérola Negra” de Luiz Melodia e eternizada por Gal Costa. Também teve a participação do guitarrista Gabriel de Andrade. “I Just wanna make Love to you” (Etta James), ‘”Put a spel on you”, que particularmente adoro na voz de Annie Lennox – solo de guitarra em destaque; depois praticamente encerrando, “It’s too dar hot” e finalmente “Four Women”, duas belas canções de Cole Porter.

Samantha Caracante sem dúvida é um talento raro, singular e ousado em mostrar jazz em um Estado que sempre prestigiou mais o dito “sertanejo”. Ela abre esse espaço que era praticamente vazio no Mato Grosso do Sul, diferentemente do blues que sempre teve seu espaço e a cada ano vem crescendo com surgimento de novas bandas, músicos e espaços para esse estilo maravilhoso de som. Samantha cantou as “Divinas Divas”. Ela sim é uma “Divina Diva”. Show marcante para todos que compareceram no Centro Cultural Sesc Morada dos Baís.


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.





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Wally Skalij / Los Angeles Times
13/09/2017 - Será a despedida de Eric Clapton? Se a corrida de seus seguidores e discípulos para essas quatro noites no The Forum se se concretizarem como a despedida do "deus da guitarra" de performance "ao vivo", como ele mesmo vem insinuando ... Expira quarta-feira! Qualquer fã desta lenda do rock & blues vai olhar para trás depois nessas noites, com o brilho nos olhos e saber que estava lá. E nesse contexto, o show foi fantástico, Clapton desfilou um conjunto de canções de toda a sua carreira, que incluiu alguns "blues" elétricos de seus próprios heróis, como Robert Johnson e Muddy Waters, um pouco de Cream, seu "power- trio" dos anos 60 e uma sequencia de hits de sua carreira solo como "I Shot The Sheriff", "Tears In Heaven" e "Cocaine".

Quinze músicas se espalharam por uma hora e quarenta minutos de musicalidade impecável com Eric Clapton e sua banda. No entanto, se isso é um adeus, eu gostaria de ter estado lá e sentir esse momento mágico, sentir as faíscas de seus solos de guitarra e ouvir mais suas músicas "ao vivo". É claro que eu estou sendo até de certa forma egoísta querendo mais e mais de quem de certa forma ...não quer mais ... Mais do que Clapton pode oferecer? - E não se deve subestimar o óbvio: Eric Clapton continua a ser um dos maiores de todos os tempos da história da guitarra, respira uma incandescente inspiração que para muitos pode ser saudosismo ou mesmo nostalgia, o fato é vou lembrar desta quarta-feira, dia 13 de setembro de 2017, de cada solo rascante que ele extraiu de sua Fender Stratocaster, de cada "bend" nas cordas e trastes e cordas de seu violão Martin.

Depois de caminhar no palco e oferecer uma simples saudação à multidão que o esperava no The Forum, esse jovem de 72 anos abriu sua noite com "Somebody's Knockin", uma música escrita, mas nunca registrada pelo amigo de longa data JJ Cale, a única faixa de seu último e mais recente álbum "I Still Do" do ano passado, tocado nessa na quarta-feira. Depois de oito minutos emendou direto "Key to the Highway", um "blues"padrão que Clapton gravou várias vezes, mas registrado originalmente pela primeira vez no antológico álbum do Derek and the Dominos "Layla and Other Assorted Love Songs". Clapton, vestindo um conjunto de camisa de manga curta e calça jeans , tocou no meio do palco, o baixista Nathan East e o tecladista e amigo de longa Chris Stainton à sua esquerda, o organista Walt Richmond à direita, o baterista Steve Gadd e as vocalistas Sharon Wright e Michelle John logo atrás de EC. 

"I Shot The Sheriff", a versão de sucesso da música de Bob Marley, foi recebida com enorme satisfação pelos fãs do músico. Os monitores de vídeo evitavam visões elaboradas durante a maior parte da noite, optando por focalizar as mãos de Clapton enquanto ele tocava - mais do que já vi em qualquer outro show, observar as mãos de um homem desse quilate executando uma música difícil como "Driftin 'Blues", o primeiro número acústico da noite, seguiram mais sete músicas pelas telas enormes que atravessavam o palco sempre focalizando seu violão, enquanto ele rasgava as cordas de seu Martin. Nos números acústicos no meio do show, a banda está sentada no palco junto com EC, desfilando alguns de seus sucessos mais queridos, como: "Lay Down Sally", a icônica "Layla" e a lacrimosa "Tears In Heaven".

Depois a banda voltou a sequência elétrica, abrindo com uma explosiva abertura e feroz de "White Room" do Cream, até assustei-me com a vibração. Essa música abriu os 40 minutos finais da noite com um toque de energia muito bem-vinda, que quebrado pelos os solos doloridos "Wonderful Tonight", uma das melhores canções de amor de Clapton, antes de um par de composições de um de seus heróis, de Robert Johnson, o primeiro blues elétrico "Cross Roads Blues", uma canção que tem a sua assinatura ao longo de sua carreira, desde a gravação magistral do Cream no álbum "Whells Of Fire" e "Little Queen of Spades" a outra uma composição de JJ Cale que atraiu multidões a longo de sua carreira e vendas astronômicas que mais parece uma composição de Clapton, trata-se de "Cocaine".

Se isso tudo soa maravilhoso ... Bem, foi! Mas também você depois você começa a imaginar ... Como seria se ele tivesse tocado "Layla" em sua versão elétrica original, com Gary Clark Jr., ... O guitarrista faria "coda" de abertura fazendo o papel de Duane Allman como nas sessões gravadas por Derek and the Dominos... Como seria? Uma imaginação sem sentido, na verdade, Clark e Jimmie Vaughan tocaram no bis a música de Bo Diddley "Before You Accuse Me", no lugar de "Sunshine Of Your Love" do Cream, funcionou... Vamos lembrar sempre de como essa noite foi maravilhosa. O guitarrista do Texas, Gary Clark Jr com sua banda tocou durante 40 minutos seus blues-rock de músicas como "Bright Lights", "When My Train Pulls In", e uma versão de "Come Together" dos Beatles entre os destaques. Outra abertura nesta na quarta-feira foi Jimmie Vaughan, com seus blues de estilo "roadhouse" com uma banda que incluia saxofone e trombone em números que incluíam "White Boots", "Roll, Roll, Roll" e "Texas Flood.


Set-List do Show:

01 - Somebody's Knocking (J.J. Cale)
02 - Key to the Highway (Charles Segar)
03 - I'm Your Hoochie Coochie Man (Willie Dixon)
04 - I Shot the Sheriff (Bob Marley)
05 - Driftin' Blues (Johnny Moore's Three Blazers)
06 - Lay Down Sally (Eric Clapton)
07 - Nobody Knows You When You're Down and Out (Jimmy Cox)
08 - Layla (Eric Clapton & Jim Gordon)
09 - Tears in Heaven (Eric Clapton & Will Jennings)
10 - White Room (Jack Bruce & Pete Brown)
11 - Wonderful Tonight (Eric Clapton)
12 - Cross Road Blues (Robert Johnson)
13 - Little Queen of Spades (Robert Johnson)
14 - Cocaine (J.J. Cale)
Bis - Before You Accuse Me (Bo Diddley) (com Gary Clark, Jr. & Jimmie Vaughan)


A banda:

Eric Clapton – guitarra, vocais
Chris Stainton – piano, teclados
Walt Richmond - orgão, teclados 
Nathan East – baixo
Steve Gadd – bateria
Sharlotte Gibson – vocals
Sharon White – vocals


Participações Especiais (Abertura do Show):
Gary Clark Jr – guitarra, vocais
Jimmie Vaughan – guitarra, vocais


Set-list: www.setlist.fm
Texto Original: Peter Larsen 
Tradução & Adaptação de Texto: Leo Machado (The Eric Clapton Sessions)





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12/08/2017, Sesc Pompeia, São Paulo. Eddie Allen é um músico experiente e bastante ativo. Além de liderar grupos de diferentes formações e propostas (quarteto, quinteto, uma big band de 16 instrumentistas, um grupo de jazz afro-cubano e este septeto que se apresentou no Sesc Pompeia), ele atua como educador e participa de álbuns de outros grandes músicos, já tendo gravado com feras do jazz como Art Blakey, Benny Carter, Chico Freeman e Dizzy Gillespie. O show foi centrado nas faixas de seu último disco, Push (2014), e a formação que veio ao Brasil é quase a mesma do disco, exceto pelo baterista Rudy Royston e o saxofonista Darryl Lance Yokley Iisax.


Abriram o show com “Nakia”, a primeira faixa de Push,  seguida de “Whispers in the dark”, um ótimo tema com bastante suingue, e a valsa “With open arms”. As composições de Eddie Allen demonstram um grande conhecimento da linguagem jazzística e, embora enraizadas na tradição do gênero, apresentam toques de contemporaneidade aqui e ali e dialogam com outros estilos.


O show prosseguiu com “Caress”, que começa como balada mas vira outra coisa, demonstrando toda a habilidade de Allen como compositor e arranjador, e “You were never lovelier”, composição nova e única música do show que não está em Push. Em seguida, Allen disse ao público que baladas são desafiadoras para qualquer músico e anuncia a belíssima “Who can I turn to?”, composição de Antony Newly.


Já perto do final do show, Allen anuncia “Hillside strut”, que, numa apresentação só de músicas excelentes, veio a ser a mais empolgante para o público, que aplaudiu entusiasmado o solo do trompetista, seguido pelos melhores improvisos de Mark Soskin e Kenny Davis da noite e, após quase vinte minutos (que passaram voando, como sempre ocorre quando todo mundo se diverte) finalmente por um solo de bateria de Rudy Royston.

Embora demonstre claramente ser o líder do grupo, muitas vezes dirigindo as dinâmicas das canções e indicando de quem será a vez de improvisar, o trompete de Eddie Allen ocupa o mesmo espaço dos outros instrumentos no palco, cada qual com espaços generosos para improvisar. Apesar da incrível qualidade de cada membro do grupo, o destaque é mesmo das composições e arranjos, um deleite para qualquer apreciador de boa música.


O septeto fechou o show com a faixa título de Push, mas eles voltaram para o bis para executar “You and I”, de Stevie Wonder, outra música de cadência mais lenta executada com preciosismo nas dinâmicas e com improvisos mais curtos por parte de cada integrante. Um grande final para um show memorável de um grande nome do jazz.

Fiz um álbum de fotos do show que me deixou particularmente contente, pois, apesar do lugar razoavelmente grande, acho que consegui dar a algumas fotos uma cara parecida com aqueles esfumaçados bares de jazz das antigas. Confira aqui



Marcelo Davera vive em São Paulo-SP. Apaixonado por fotografia, tem predileção especial por street photography, concertos musicais e minimalismo. Em seu blog, Fotografista, publica algumas das suas melhores capturas em shows, acompanhadas por textos sobre as apresentações, para que o leitor conheça melhor o artista e o busque por conta própria.






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11/03/2017, Sesc Belenzinho, São Paulo. Apesar de muito jovem, Igor Prado já possui uma carreira impressionante e é um grande nome do blues. Com seu talento reconhecido por gente que entende do assunto e indicado a prêmios renomados no exterior, Igor já tocou e gravou com grandes nomes do gênero e participou de festivais importantes de blues pelo mundo. Ao lado do extraordinário organista austríaco Raphael Wressnig, Igor e sua banda – formada pelo irmão Yuri Prado na bateria e Rodrigo Mantovani no baixo – subiram ao palco do Sesc Belenzinho para apresentar o álbum Soul Connection.




Abriram o show com “Young Girl”, clássico de Rudy Toombs, seguida da incrível “Mustard Greens“, mostrando que estavam ali para fazer todo mundo pular. Esta composição de Raphael Wressnig parece ter sido feita há décadas de tão calcada no que já se fez de melhor no gênero. Com seu órgão Hammond plugado em uma caixa Leslie, o cara mostra que bebeu das melhores fontes do Rhythm ‘n’ Blues e do Soul.



Depois de “The face slap swing n.5” e mais uma instrumental, chamaram ao palco o cantor norteamericano J. J. Jackson e mandaram os clássicos do R’n’B “Trying to live my life without you” (famosa na interpretação de Otis Clay), “Home at last” e “Suffering with the blues” (Todas de 1956, o que dá uma boa ideia de onde está a cabeça dos caras). Jackson é um showman de grande simpatia e excelente voz que vive no Brasil desde os anos 90 e falou com a plateia em português o show inteiro.


Depois de cantar “Don’t cry no more” (esta é mais novinha, de 1960), Jackson deixou o palco para que a banda executasse mais um par de instrumentais, um shuffle e a sensacional “It’s your thing”.


A cozinha que acompanha Igor e Raphael é excelente, especialmente o baixista Rodrigo Mantovani, com as linhas pulsantes e gordas que extraiu de seu velho baixo Kay.


Já no final do show, J. J. Jackson volta ao palco para cantar “Turning Point”, de Tyrone Davis, que tem uma ótima linha de baixo, e “Stand by me”, música que o cantor geralmente usa para terminar seus shows, recheada de mensagens de paz e amor dirigidas por Jackson à plateia.


Os álbuns de Igor Prado podem ser encontrados em plataformas de streaming e também no You Tube, onde você encontra inclusive suas aparições em programas de televisão. Agenda de shows e maiores informações sobre sua carreira estão em sua página do Facebook. Raphael Wressnig também tem bastante material na plataforma de vídeo do Google, inclusive umas performances incendiárias ao vivo como a de “It’s your thing”. J. J. Jackson tem um website bem montado e também uma página no Facebook onde se pode ter bastante informação sobre sua agenda e carreira.

Para mais fotos deste show, dê uma olhada no álbum (30 fotos) que coloquei em minha conta do Flickr.



Marcelo Davera vive em São Paulo-SP. Apaixonado por fotografia, tem predileção especial por street photography, concertos musicais e minimalismo. Em seu blog, Fotografista, publica algumas das suas melhores capturas em shows, acompanhadas por textos sobre as apresentações, para que o leitor conheça melhor o artista e o busque por conta própria.






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Bonito teve três dias de pura música em festival já consagrado

Nos últimos dias 15 a 17 o Mato Grosso do Sul se tornou o estado mais blueseiro do país, representado pela pequena e bela Bonito, a 265 km de Campo Grande. Em sua quarta edição, o Bonito Blues & Jazz Festival reforçou a ideia de que grandes festivais não necessariamente devem estar em grandes centros. Com uma grade fortemente regional, mas também com grandes nomes nacionais, o festival já promete uma quinta edição, prevista para o 31 de maio de 2018 e mais dois sias subsequentes.

A BLUEZinada! esteve lá, através do colaborador e parceiro Alex Fraga, que nos trouxe vasto e detalhado material sobre cada uma das noites. Confira abaixo:







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Público vibrou com as apresentações das bandas no Festival em Bonito.

Poderia em primeiro plano questionar muita coisa que pode ser melhorado no Bonito Blues & Jazz Festival, realizado no último fim de semana no município de Bonito – Mato Grosso do Sul. Mas, quero ressaltar em primeiro lugar que o evento que tem seu objetivo principal, a formação de um público, sem dúvida a cada ano está alcançando essa meta – que é um processo difícil e gradativo. Ouvir Blues e Jazz, e ter um público fiel em grandes centros, já é algo complicado. Agora em “terra” onde predomina o tal do “sertanejo universitário”, é mais ainda. Apostar sempre, para muitos, é coisa de maluco.

Mas esses tais “malucos” como Afonso Rodrigues Jr e Carlos Porto – promotores -, juntamente com |Luís Henrique Ávila e Clayton Sales, apostaram e apostam na consolidação do Festival. E sempre será uma luta constante, enfrentando críticas ferrenhas, como outras que podem ser captadas e acertadas para o ano seguinte. Em 2017, ocorreram alguns transtornos, como é natural em todo evento. Lembro-me que em 2012, fui no Festival Planeta Terra, no Jockey Clube de São Paulo, aconteceram graves problemas de som no show de Mallu Magalhães, que chorando teve que parar várias vezes para resolver o problema. No outro ano, tudo perfeito. Um aprendizado.

Não posso comentar aqui sobre os comentários “prós e contras” relatados pelas pessoas sobre o primeiro dia do Bonito Blues & Jazz Festival. Não estava presente e seria injusto de minha parte escrever algo. Escrevo apenas que no segundo dia, alguns percalços ocorreram sim, mas nada que deixasse a plateia impaciente. Mas, se houve transtornos na estreia, com certeza serviu de lição para que no próximo ano isso não aconteça. Na sexta-feira, segundo dia, pequenos deslizes deram o “alerta”: como a equalização do som, (pois todos sabem que ela deve ser aplicada como se fosse um tempero, na dose certa, e não com exageros); volume em determinado momento falho – o som das guitarras nos solos estava bem abaixo do esperado. Penso que esses “resquícios” ocorreram devido à mesa de som estar no palco (algo que raramente acontece nos shows). Normalmente ela está no centro onde a plateia fica. Mas de antemão digo, “não sou especialista no assunto”

Mas nada atrapalharam as apresentações das bandas que fizeram os shows da noite. Quanto à estrutura do local foi bem montada, segurança perfeita e educada, mesas e cadeiras para o público com cobertura, camarins para os artistas, serviço de venda de bebidas sem filas (um pouco cara a cerveja long neck – R$ 8,00), banheiros limpos, iluminação do palco perfeita e palco belíssimo. No entanto, devo tecer críticas em relação aos banners com fotografias de grandes mestres do blues e jazz do mundo, como BB King, Eric Clapton, John Lee Hooker, Ray Charles entre outros no palco. E pergunto pra que? Chamar o público? Eles representam o blues é claro, mas não havia necessidade alguma. O que deveria ter sim, fotos dos artistas que estavam apresentando. Valorizaria ainda mais aqueles que lutam pela permanência do blues e jazz no Estado. Acertadamente apenas a foto do cantor de blues Renato Fernandes, da Bêbados Habilidosos – justa homenagem ao grande artista sul-mato-grossense. O marketing do evento errou também em não divulgar de forma intensa o Festival na própria cidade. Não vi cartazes nos hotéis, restaurantes e bares – foram raros os folders nos balcões. Mesmo assim cerca de 1500 (mil e quinhentas) pessoas estiveram assistindo as apresentações que iniciavam pontualmente às 21 horas.

No último dia, passado o transtorno, tudo correu na melhor harmonia possível. O som não teve falhas e o show “rolou” até por volta das 2h30 da manhã, com o tradicional “jam session” (ato musical no qual músicos se reúnem e começam a tocar, de forma improvisada, sem qualquer preparação ou planejamento). Por fim, o Bonito Blues & Jazz Festival, se for analisar por alguns “tropeços naturais”, chega-se a conclusão que a organização soube consertar os problemas e estará mais cuidadosa para o próximo. Acredito que a prefeitura de Bonito e o próprio governo do Estado deveriam dar um incentivo maior para iniciativa como esta, e assim a população em geral poderia ter acesso, sem a cobrança de ingressos (mesmo com o valor barato como foi). Por fim, o evento acabou tendo um saldo positivo, principalmente pelo objetivo proposto que é despertar o interesse dos empresários do município e principalmente “formar um público” para o jazz e blues no Mato Grosso do Sul.


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.




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