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Categoria: Dissonâncias
Novela (1992), de Otto Guerra
Mais uma participação de um Joe na podosfera, fora do BLUEZinada!: desta vez I. Malforea participa do Cronologia do Acaso, podcast voltado ao cinema independente. Neste episódio, Emerson Teixeira e nosso vocal dão indicações de filmes e discutem um pouco sobre questões culturais e mercadológicas do cinema e televisão brasileiros.
Novela (1992) – Assista o curta online
Giselle (1980) – Assista o filme online
O Show de Truman (1998)
Jazz – Um Filme De Ken Burns (2001) – Assista ao primeiro documentário online
Giselle (1980) – Assista o filme online
O Show de Truman (1998)
Jazz – Um Filme De Ken Burns (2001) – Assista ao primeiro documentário online

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Lembrei de quando entrei em estúdio para gravar meu quinto disco. Hoje isso não me soa mais estranho como antes, mas ainda me desperta aquele friozinho na barriga, aquela ansiedade gostosa. Sempre que começo um processo como este procuro ter a consciência de que estarei diferente quando terminar, afinal de contas é lá que vamos fabricar a famosa “ponta do iceberg” do músico: a vitrine, o cartão de visitas, o fonograma.
O estúdio geralmente é um lugar escuro e com um leve cheiro de mofo. A maioria é empoeirada e não é limpa regularmente, um terror para os que, assim como eu, nasceram condenados a ter problemas respiratórios. Estou falando dos estúdios pequenos e acessíveis a nós, reles mortais. Imagino que os grandes possuam uma equipe de limpeza pronta a tornar mais agradável este ambiente mágico.
Entrar num estúdio pela primeira vez (já faz bastante tempo) pra mim foi como conhecer a Disneylândia para boa parte de outras “crianças”. Era dali (ou de um lugar como aquele) que saiam as músicas que sempre me fizeram a cabeça. O cotidiano desse lugar me parecia espetacular. Aquelas caixas preto e branco tinham um som bem melhor que as da minha casa. Seria ali que minhas ideias tomariam a forma definitiva, a forma de um produto.
O processo é demorado, trabalhoso e, não raro, entediante para quem só assiste. Mas eu adoro aquilo. Decidir o beat da música, gravar a guia (uma espécie de rascunho sonoro dentro do tempo do metrônomo, onde será gravada toda a música por cima), passar para a bateria, depois o baixo e assim por diante. Teoricamente minha parte (vocal) seria uma das últimas, junto com os metais (sax, trompete e trombone), mas eu acompanho tudo e dou pitaco em tudo, afinal, é meu nome em jogo, minhas ideias que estão sendo montadas, juntamente com as dos meus colegas. Não dá pra simplesmente ficar inerte e esperar sua vez “oficial”.
Terminado todo o longo processo, estamos com os fonogramas no pendrive ou alguma outra mídia de armazenamento. Há um outro trabalho, técnico e burocrático, que inclui o cadastro das músicas para se obter o ISRC (aquele monte de números que acompanham os nomes das faixas nos encartes dos CDs. São como o RG de cada faixa e teoricamente servem para que o ECAD nos repasse a grana por execuções Brasil afora. Teoricamente), produção de capa, essas coisas. Tudo bem chato pra muita gente também.
O fonograma é, de certa forma, maior que o músico, que o autor. Ele chega a lugares que eu nunca chegarei. E vai continuar por aí, mesmo depois que eu bata as botas. Quando alguém quiser lembrar de como era a minha voz é só ouvir uma das minhas músicas. Minha visão de mundo está nas letras. Como disse Raul, “os homens passam, as músicas ficam”. É uma forma de ser eterno.
O tempo passa e eu tenho um pacote de lembranças totalmente diferente de todo mundo quando ouço uma música minha. Posso me lembrar do processo de composição e das horas dentro de um estúdio, saindo de lá meio tonto depois de horas trabalhando. Mas vale a pena. Lembrei do Gilmour dizendo que gostaria muito de ter a sensação de ir a uma loja, comprar e ouvir o Dark Side of the Moon pela primeira vez, sem essas lembranças, apenas como um simples fã que ouve sem saber o que vem pela frente e vai se surpreendendo. Taí… Entendo perfeitamente. Mas eu gostaria de estar no estúdio com eles, com certeza.

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Chegou a hora de falar sobre um controverso e intrigante instrumento: o Theremin. Criado pelo físico franco-russo Leon Theremin (a grafia varia, dependendo da língua em que se fala), foi patenteado nos EUA em 1928. É um curioso instrumento melódico, onde o músico não toca no instrumento enquanto o toca (isso saiu meio estranho, eu sei, mas a culpa é do português). Sua versão clássica possui duas antenas: uma para controle de volume e outra de frequência (altura). Na primeira, quanto mais próxima está a mão, mais baixo fica o volume. Na segunda, quanto mais próxima a mão (ou qualquer coisa, na verdade), mais agudas são as notas.
Seu nome significa algo como “o som do éter”, no sentido de um som ligado ao mundo espiritual. Também possui variações em seu nome, inclusive como Eterofone. O instrumento ficou um tanto esquecido até a década de 50, quando Robert Moog o resgatou e tentou popularizá-lo. Hoje o theremin Moog é um dos mais bem-conceituados do mercado, servindo de base, inclusive para a versão brazuca, fabricada em Minas Gerais, o RDS Theremin, que não resisti e comprei um tempo atrás (foto acima). Geralmente é utilizado na música clássica e o nome da Clara Rockmore sempre aparece em evidência em qualquer pesquisa que se faça sobre o instrumento.
Nós, do mundo roqueiro, geralmente o conhecemos através do Jimmy Page no Led Zeppelin ou de algumas faixas do Pink Floyd, sobretudo do álbum Meddle. Estes, no entanto utilizaram o instrumento apenas como efeito psicodélico/espacial e não podemos considerar que dominavam o instrumento. No Brasil, minha lembrança mais clara foi da versão do Pato Fu para a música Eu.
O Theremin não de fácil assimilação. Seu som natural é muito estranho e, em minha opinião, feio (lembra algo como uma mosca fantasma escandalosa). Não foram poucas as vezes em que vi músicos o olharem com desdém. O ideal é usar uma pedaleira de guitarra para acompanhá-lo, usando vários efeitos combinados. Seu timbre soa bastante sombrio, algumas vezes lembrando o violino ou cantoras de ópera, principalmente com o uso do vibrato. Também foi bastante usado nos anos 60/70 em filmes de extraterrestres e fantasmas. Quem nunca ouviu vai reconhecer logo de cara.
Por fim, É um instrumento que exige dos músicos que não apenas querem criar ruídos desconexos um conhecimento musical mais aprofundado, além de um ouvido muito bem-treinado. É apenas você, o ar e infinitos microtons à sua disposição. Se você tiver a oportunidade de encontrar um, experimente. Crianças também vão adorar, e isso é uma ótima chance de educá-los musicalmente.
Leon Theremin demonstrando seu instrumento
Clara Rockmore – Summertime
Harold Arlen – Over the Rainbow (esse é um dos meus favoritos)
Jimmy Page mostra o theremin a The Edge e Jack White, no documentário It Might Get Loud (2008)
Pato Fu – EU (inclusive contando com o “próprio” Leon Theremin no clipe)
Harold Arlen – Over the Rainbow (esse é um dos meus favoritos)
Jimmy Page mostra o theremin a The Edge e Jack White, no documentário It Might Get Loud (2008)
Pato Fu – EU (inclusive contando com o “próprio” Leon Theremin no clipe)

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O cajón (caixão, em espanhol, pronuncia-se “carrón”) foi inventado no século XIX no Peru, pelos escravos impedidos pela Igreja de usar seus instrumentos africanos, assim como aconteceu nos EUA. Porém, ao contrário dos futuros blueseiros, os negros do Peru colonial continuaram concentrados na percussão e adaptaram as caixas de transporte de frutas e outras mercadorias para extrair sons e utilizá-los em suas manifestações artísticas e religiosas. Simples assim. O instrumento sofreu algumas transformações com o tempo e passou-se a usar cordas de baixo, violão ou esteiras de bateria atreladas à parte interna da tampa, dando o som característico da caixa clara da bateria. Dependendo da região tocada pode-se obter sons graves, como um bumbo, agudos como o da própria caixa ou sons intermediários, como os tons.
Costumo dizer que se for preciso traduzir a percussão num só instrumento, seria justamente o cajón. Isso porque é possível tirar algum som de qualquer região sua, não só do tampo. Hoje em dia é comum ver o músico usando alguns acessórios para complemento, como vassourinhas, pratos de ataque ou chocalhos presos às pernas, simulando um cymbal. Todo cajonero passa pela divertida situação de ver alguém da plateia virando a cabeça com aquela cara de cachorro confuso tentando entender de onde vem tanto som. Sempre haverá muita,mas muita gente nas apresentações tendo sua primeira visão de um cajón. Responder a perguntas também faz parte do trabalho de um cajonero.
O falecido Paco De Lucia popularizou o instrumento no flamenco, gerando até mesmo certa confusão sobre sua origem, que muitos acabam por pensar ser espanhola. Mas o cajón é muito versátil e pode ser usado em qualquer gênero musical. Não há limites para a caixona. É algo tão simples que consegue ser extremamente sofisticado, desde que haja um bom e criativo músico sobre ela. Costumo usar no blues, country, folk, rock e até mesmo jazz. Se bem usado não deve nada a uma bateria. Se você gostaria de ter um e está indeciso se deve ou não comprar, sugiro apenas escolher uma boa marca (há várias brasileiras, de ótima qualidade) ou alguém que saiba realmente fazer e ser feliz. Não é à toa que o cajón hoje é considerado oficialmente Patrimônio Cultural da Nação, em seu país natal.

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Como funciona? Bom, nós temos pauta no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima (interditado desde 2013 para eventos com público) para ensaios nas terças e quintas de manhã, então usaremos a nossa própria pauta para gravar os vídeos. Nosso equipamento é limitado, portanto o ideal é o voz-e-violão. Não há restrição de estilo, mas nos reservamos o direito de recusar músicas com letras que sejam contra nossa proposta musical (leia-se letras que incitem violência, pornografia, etc. Você sabe do que estou falando...).
As gravações consistem em cinco músicas, um depoimento sobre a trajetória do artista e algumas fotos para divulgação. Existe uma regra importantíssima: dessas cinco músicas, pelo menos três devem ser autorais. Isso exclui os cantores apenas intérpretes ou compositores que não cantam? Não: basta ter autorização para gravar canções de compositores locais, ou seja: não vale tocar, por exemplo, Elomar, a não ser que você realmente o conheça e ele autorize a gravação da sua interpretação. Para isso, precisaremos de alguma manifestação do próprio compositor, provando sua autorização (pode ser uma simples mensagem por rede social). Vale lembrar que o objetivo destas gravações é contribuir para o crescimento da cultura local, e isso necessariamente envolve a palavra CRIAÇÃO.
A BLUEZinada! é uma zine focada no blues e produzida pela banda Distintivo Blue, mas abriremos uma exceção a essa regra de estilo, pois sabemos que as culturas locais devem ser incentivadas e que uma das principais queixas de todas as cenas musicais brasileiras é a desunião entre os músicos e/ou a falta de iniciativas concretas para o fomento. Não cobraremos qualquer valor, taxa de participação, ou sequer se trata de algum tipo de troca de favores: o objetivo é simples e claro: contribuir para o o crescimento da nossa cultura local, repetindo propositalmente.
Já fizemos várias gravações no Centro de Cultura, experimentais e profissionais, como nosso clipe de "Na Trilha do Blues" e as CCCJL Sessions da banda e dos Diglett Joes. Recentemente fizemos algumas gravações com nosso amigo JayVee (veja exemplo no vídeo abaixo) e este foi o formato que inspirou este projeto: simples, direto, elegante e pronto para ganhar o mundo. Sabemos que muitos artistas sequer entraram num estúdio alguma vez na vida, portanto terão aqui um material de divulgação bastante útil até que caminhem a passos mais largos. Para se inscrever, basta enviar uma mensagem para nosso WhatsApp (77 99835-1323), marcar sua data e ensaiar bastante até lá.
Importante saber que não somos profissionais do audiovisual, e sim músicos com um equipamento limitado, porém de muito boa qualidade em mãos, experimentando e aprendendo. Pretendemos, obviamente, entregar os materiais diretamente aos artistas, para que usem da forma que julgarem adequada, mas também pensamos em postar em nossos canais no YouTube e Facebook, em playlist específica e, caso os áudios fiquem satisfatórios, talvez produzir um CD virtual e disponibilizá-lo em plataformas de streaming, como o Spotify. Tudo dependerá da qualidade do material e da vontade dos próprios envolvidos.
Se interessou? Entre em contato agora e marque seu lugar na fila. Estamos ansiosos para ver os vídeos circulando. Aqui embaixo um dos vídeos do JayVee, no formato que inspirou este projeto:

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A Distintivo Blue sempre foi uma banda entusiasta da mídia podcast. Tanto que chegamos até a criar o nosso, em dezembro de 2016, o BLUEZinada!. Para isso estudamos bastante: lemos livros, posts, ouvimos inúmeros episódios, compramos cursos, entramos em grupos de discussão e entendemos um pouco mais sobre esse fascinante mundo: a podosfera.
Uma das principais dificuldades e dúvidas enfrentadas pelos que deixam de ser apenas ouvintes e assinantes para ser criadores de conteúdo é a questão do uso de músicas nas trilhas dos programas. Apesar de o ECAD não ser lá muito eficiente, muitos até mesmo chegam a desistir de produzir seu podcast por medo de punições ou mesmo por não ter como arcar com os custos de uma ou mais UDAs (Unidade de Direito Autoral), que é a famosa taxa paga ao ECAD por usar músicas em meios de comunicação.
Na verdade é tudo bem confuso quando o assunto é direito autoral e o podcast, salvo raríssimas exceções não só no Brasil, ainda é algo feito sem apoio financeiro ou venda de publicidade: o combustível para alguém dedicar seu precioso tempo para planejar, organizar, gravar, editar, publicar e divulgar um episódio de podcast ainda é a paixão. Disso entendemos muito bem.
Pensando nisso, decidimos usar das licenças Creative Commons e deixar registrado neste post a nossa intenção de colaborar ainda mais com a podosfera, disponibilizando toda a nossa discografia como royalty free ou, como se diz no ramo, podsafe music: desde que não haja fins lucrativos e não nos seja retirado o devido crédito, você, podcaster, está autorizado(a), a partir de agora, a usar qualquer um dos nossos fonogramas em seu podcast: pode ser como BG, como tema de abertura, tanto faz. "Tamo junto na podosfera".
Com o tempo estamos providenciando, inclusive, versões instrumentais de nossas músicas para sincronização em filmes e comerciais por exemplo, o que obviamente não será grátis: existem plataformas específicas para esse tipo de disponibilização, mas nos comprometemos a disponibilizar os mesmos fonogramas de forma gratuita apenas para podcasts.
Em tempo, se faz necessário esclarecer que consideramos podcast aquele arquivo em áudio ou vídeo que é disponibilizado para assinaturas via feed, o que obviamente exclui arquivos disponibilizados apenas para streaming ou broadcasting. Para usar nesse tipo de arquivo, você pode conversar conosco também, mas este post apenas pré-autoriza o uso em podcasts de verdade. Sem feed, não é podcast, ok?
E como fazer para ter acesso às músicas, já que só estão disponíveis para streaming ou download pago, ao menos de forma autorizada? Fácil: CLIQUE AQUI e peça quantas músicas quiser. Você também pode, caso queira conversar conosco, enviar e-mail para contato@distintivoblue.com. Geralmente respondemos no mesmo dia e ainda lhe daremos aquela forcinha-Joe na divulgação do seu podcast. Não se acanhe: adoramos conversar.
E qual o nosso interesse nisso? "Quando a esmola é demais..." Calma! Claro que adoraríamos fazer nossas músicas circularem por aí, e isso também é um dos objetivos, mas sabemos que a mídia podcast é de nicho, e por sua vez com vários sub nichos, assim como o nosso blues autoral do sudoeste da Bahia. Não será um episódio de podcast que nos levará ao mainstream da música brasileira, mesmo que seja num NerdCast da vida. Como dissemos, amamos a mídia podcast a ponto de não só divulgar vários constantemente como criar o nosso próprio. A podosfera se ajuda e fazemos questão de fazer o que estiver ao nosso alcance para fazê-la crescer.
Então... Para podcasts, brasileiros ou não, toda a nossa discografia segue a seguinte licença Creative Commons (lembre-se de colocar os créditos no post):
Conte conosco.
Seus amigos da Distintivo Blue.
Uma das principais dificuldades e dúvidas enfrentadas pelos que deixam de ser apenas ouvintes e assinantes para ser criadores de conteúdo é a questão do uso de músicas nas trilhas dos programas. Apesar de o ECAD não ser lá muito eficiente, muitos até mesmo chegam a desistir de produzir seu podcast por medo de punições ou mesmo por não ter como arcar com os custos de uma ou mais UDAs (Unidade de Direito Autoral), que é a famosa taxa paga ao ECAD por usar músicas em meios de comunicação.
Na verdade é tudo bem confuso quando o assunto é direito autoral e o podcast, salvo raríssimas exceções não só no Brasil, ainda é algo feito sem apoio financeiro ou venda de publicidade: o combustível para alguém dedicar seu precioso tempo para planejar, organizar, gravar, editar, publicar e divulgar um episódio de podcast ainda é a paixão. Disso entendemos muito bem.
Pensando nisso, decidimos usar das licenças Creative Commons e deixar registrado neste post a nossa intenção de colaborar ainda mais com a podosfera, disponibilizando toda a nossa discografia como royalty free ou, como se diz no ramo, podsafe music: desde que não haja fins lucrativos e não nos seja retirado o devido crédito, você, podcaster, está autorizado(a), a partir de agora, a usar qualquer um dos nossos fonogramas em seu podcast: pode ser como BG, como tema de abertura, tanto faz. "Tamo junto na podosfera".
Com o tempo estamos providenciando, inclusive, versões instrumentais de nossas músicas para sincronização em filmes e comerciais por exemplo, o que obviamente não será grátis: existem plataformas específicas para esse tipo de disponibilização, mas nos comprometemos a disponibilizar os mesmos fonogramas de forma gratuita apenas para podcasts.
Em tempo, se faz necessário esclarecer que consideramos podcast aquele arquivo em áudio ou vídeo que é disponibilizado para assinaturas via feed, o que obviamente exclui arquivos disponibilizados apenas para streaming ou broadcasting. Para usar nesse tipo de arquivo, você pode conversar conosco também, mas este post apenas pré-autoriza o uso em podcasts de verdade. Sem feed, não é podcast, ok?
E como fazer para ter acesso às músicas, já que só estão disponíveis para streaming ou download pago, ao menos de forma autorizada? Fácil: CLIQUE AQUI e peça quantas músicas quiser. Você também pode, caso queira conversar conosco, enviar e-mail para contato@distintivoblue.com. Geralmente respondemos no mesmo dia e ainda lhe daremos aquela forcinha-Joe na divulgação do seu podcast. Não se acanhe: adoramos conversar.
E qual o nosso interesse nisso? "Quando a esmola é demais..." Calma! Claro que adoraríamos fazer nossas músicas circularem por aí, e isso também é um dos objetivos, mas sabemos que a mídia podcast é de nicho, e por sua vez com vários sub nichos, assim como o nosso blues autoral do sudoeste da Bahia. Não será um episódio de podcast que nos levará ao mainstream da música brasileira, mesmo que seja num NerdCast da vida. Como dissemos, amamos a mídia podcast a ponto de não só divulgar vários constantemente como criar o nosso próprio. A podosfera se ajuda e fazemos questão de fazer o que estiver ao nosso alcance para fazê-la crescer.
Então... Para podcasts, brasileiros ou não, toda a nossa discografia segue a seguinte licença Creative Commons (lembre-se de colocar os créditos no post):
Conte conosco.
Seus amigos da Distintivo Blue.

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Você já deve ter notado que a palavra "podcast" é recorrente por aqui. Mas você sabe do que estamos falando? Afinal, o que é um podcast?
"Podcast" é a junção de "iPod" com "broadcasting" e surgiu para denominar uma forma de distribuir arquivos de áudio (embora também exista podcast em vídeo) em demanda para ser escutados nos iPods, em 2004. Explico: o "podcasting" é uma forma de transmissão desses arquivos para "assinantes", através da tecnologia do feed RSS, ou seja: você se interessa por determinado conteúdo, assina o "feed" através de algum programa agregador e, sempre que um novo conteúdo for publicado, você receberá automaticamente, sem a necessidade de buscá-lo pela segunda vez.
É como uma assinatura de revista: você se interessa pelo que a revista "X" oferece, a ponto de querer recebê-la em casa sempre que uma nova edição sair. Ela vem pelos correios e chega até sua caixa de cartas. No caso, o podcast é a revista, o feed contém as informações que viabilizarão o envio, da editora até sua casa, e o agregador é a sua caixa de correio. Com a ótima diferença que, ao contrário da revista, você não paga um centavo sequer pela assinatura do podcast.
Existem centenas de podcasts atualmente, sobre os mais variados temas: de assuntos nerds, passando por esportes, política, direito, história, viagens, línguas, áudio dramas, ciência, livros e, claro, música! Essa é a nossa praia. Existem também muitos formatos de podcast. O mais popular é o tipo "conversa de boteco": um bate-papo descontraído, com vários participantes, abordando o tema. Mas também há os de um participante só, priorizando o conteúdo, os roteirizados e os que lembram as radionovelas, mas modernizadas e abusando dos recursos do estéreo.
Qual a principal vantagem do podcast? Simples! A possibilidade de você ouvir quando e como quiser, e quantas vezes quiser. Apesar de ser constantemente comparado com o rádio, o podcast traz características únicas: 1) a total liberdade para abordar qualquer tema (o que já não se vê no rádio há tempos, se é que já se viu algum dia); 2) a ausência do "ao vivo": o podcast é transmitido por feed em arquivo de áudio, geralmente MP3, logo, ouviremos sempre algo que foi produzido anteriormente; 3) o rádio exige que VOCÊ se adapte aos seus horários. Se você perde um programa, terá de se contentar, esperar uma retransmissão posterior ou... Esperar que a emissora lance o programa sob a forma de PODCAST.
O podcast é unanimidade num ponto: torna úteis e construtivos momentos chatos e desagradáveis, como lavar uma montanha de louça, ficar horas plantado numa fila de banco ou num congestionamento. Lembrando, com a vantagem de VOCÊ ser o senhor do que escuta. Basta juntar alguns episódios selecionados em seu smartphone para terminar o dia como alguém mais culto ou atualizado sobre determinado tema. Um tema que VOCÊ escolheu e realmente se interessa. É algo viciante: Quando você se habitua, não consegue mais fazer algo assim sem um bom episódio de podcast no fone, e certas situações até mesmo deixam de ser desagradáveis.
E o tal agregador? Sim, é simples: existem alguns programas e apps com a função de assinar feeds de podcast. O mais conhecido é o iTunes, da Apple, que mantém, na iTunes Store, uma grande quantidade de podcasts, em várias línguas, para que você assine. No iPhone, iPad ou iPod há o app específico para ouvir podcasts. Em outros sistemas há uma infinidade de agregadores. Além do iTunes eu uso o brasileiro WeCast e o TuneIn. O mecanismo é simples: cada podcast tem seu link com o endereço do feed. Basta copiar e colar num dos agregadores, ou mesmo procurá-los pelo nome. Boa parte dos podcasts brasileiros possui seu próprio site, com um player para cada episódio.
Algo importante: a mídia podcast tem por característica a presença do feed, um arquivo XML, hospedado em qualquer plataforma online, contendo códigos com informações sobre o podcast e cada um de seus episódios. É como um mapa da mina para os agregadores conseguirem trazê-lo até você de forma rápida e descomplicada. Logo, não é qualquer arquivo em MP3 baixado da internet que pode ser chamado de podcast, mesmo que seja um programa legal com todas as características de um: se não há feed, não é um podcast. Basicamente isso. É um conceito técnico e muito claro. Podcast é aquele que pode ser ASSINADO, justamente pela existência do feed. Você vai atrás dele uma vez, assina, e daí em diante ele é quem irá até você.
Justamente por isso, temos a seção "podcasts e retransmissões" aqui no site: nem todos possuem feed, e só os que têm são podcasts. Agora que você já tem uma ideia do que é um podcast, fique à vontade para pesquisar vários por aí. Em pouco tempo perceberá o quanto seus conhecimentos aumentaram sobre vários assuntos, e como seus dias passaram a ser mais produtivos. O podcast é um ótimo companheiro e nos torna melhores. Comece já a ouvir e, quem sabe, logo logo você também não resolverá criar o seu... Foi exatamente o que fizemos. A propósito, já assinou o BLUEZinada! Podcast?
Algumas sugestões:
Mundo Podcast (tudo sobre podcasts, agregadores e a podosfera em geral)
TemaCast (ótimo podcast sobre história, biografias e cultura em geral)
Na Porteira Cast (um dos melhores podcasts sobre os mais variados temas. Infelizmente encerrou suas atividades em 2016)
Rádiofobia Classics (cada episódio é uma biografia de algum músico ou banda, acompanhada por músicas)
Café Brasil ("iscas intelectuais" para enxergar o mundo de forma mais atenta)
GVCast (podcast sobre empreendorismo do site Geração de Valor)
Beercast (podcast sobre cerveja)
Escriba Café (casos misteriosos da história da humanidade com uma ótima ambientação)
Livrocast (para amantes da leitura)
Aerocast (podcast para amantes da aviação)
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Luiz Gonzaga: O matuto que conquistou o mundo
Gonzaga, o Robert Johnson ou Bob Marley brasileiro
Vez em quando me pego pensando em Luiz Gonzaga. Esse era o cara! Um perfeito exemplo de músico nato com espírito empreendedor e sem medo de correr atrás dos seus objetivos, além de ser um gênio. Não é preciso narrar sua trajetória aqui, já que temos centenas de artigos na internet, dúzias de livros, trabalhos acadêmicos (inclusive o meu TCC) e até um filme tosco e raso que volta e meia passa na TV.
O grande lance é que temos aqui um gênio movido pelo próprio instinto. Ele fez o Brasil ter uma cara, num período em que se buscava justamente isso: a verdadeira e orgânica identidade brasileira para ser transformada num produto comercial. O que se ouvia no Brasil dos anos 40 eram os boleros, foxtrotes gringos e também chorinhos. Tocou isso tudo, até blues. Quando lhe pediram para tocar "alguma coisa lá do norte" em pleno Rio de Janeiro, sua vida (e o Brasil) mudou: pegou toda a música folclórica que tocava desde criança com o pai no Pernambuco rural e trouxe para o meio urbano. Obviamente virou sucesso.
Bateu o pé firme e mostrou aos produtores da Rádio Nacional que também poderia cantar, mesmo não tendo o vozeirão do Nelson Gonçalves. E cantou bonito: conseguiu como ninguém traduzir o cotidiano do nordeste rural, transformando-o numa caricatura que até hoje vive forte (vide o mascote das casas Bahia com seu chapéu de cangaceiro. Acredite: NUNCA vi alguém usar um troço desse aqui na Bahia, salvo em peças teatrais). Sim, praticamente TUDO o que se vê com relação ao nordestino veio dele: o trio nordestino (sanfona, zabumba e triângulo), a ideia do lugar onde só há tristeza, seca e pobreza (durante a seca em SP aqui em casa não faltou água um dia sequer), e uma infinidade de símbolos caricatos que soube usar com maestria para a construção de si mesmo como mito.
Em vários livros sobre o velho Lua vi que haviam dois grandes ícones nordestinos, reconhecidos em qualquer lugar da região: o padre Cícero, figura autoritária, mas carismática de Juazeiro do Norte-CE que é considerado santo por muitos e cuja estátua é quase do tamanho da do Cristo Redentor do Rio; Lampião, o anti-herói que acumula infinitas histórias entre os mais antigos. Minha avó tem várias sobre as idas do bando à fazenda do meu bisavô, em Pernambuco. Esse exerce um fascínio enorme em todos. Herói ou bandido? Bom ou mau? O próprio Luiz Gonzaga narra alguns crossovers entre os dois em suas músicas.
Luiz Gonzaga é, para mim, o terceiro grande ícone nordestino: não há uma alma viva por aqui que não o conheça. Mesmo os roqueirinhos adolescentes radicais o respeitam. É o equivalente ao Bob Marley no Reggae, Chuck Berry no rock, Carlos Gardel no tango e muito mais que o Robert Johnson no blues. Ele criou a coisa toda. Formatou o folclórico, colocou coisas suas e transformou num produto. Quando a bossa nova surgiu o Brasil já tinha cara graças a ele. Ficou no ostracismo até a tropicália, quando Caetanos e Gilbertos ousaram dizer que gostavam de rock e Luiz Gonzaga. Aí era permitido, mais uma vez, ser fã às claras. O rei do rock brasileiro, Raul Seixas, também sempre se declarou devoto. E tem como não ser? Não há lugar no Brasil que não tenha sofrido sua influência... Mesmo que não o perceba ou reconheça.
Todo nordestino (e descendente de nordestinos que tem vergonha de se assumir) tem alguma boa lembrança com Gonzaga. Ele remete à infância, aos velhos tempos. Com certeza se contorce na cova diariamente com o que se chama de forró e música sertaneja atualmente, mas sempre estará à mão, num velho LP ou num streaming do Spotify, mantendo viva a boa música brasileira, feita com sinceridade e feeling.
Que tal, então, dar os cliques certos para uma experiência produtiva? Aos músicos independentes, donos de estúdios ou mesmo entusiastas, temos o canal do Paulo Anhaia, músico, produtor musical e engenheiro de som respeitadíssimo no mercado e com vasta bagagem profissional. O Paulo publica, desde novembro de 2015 em seu canal no YouTube, a série "Pergunte ao Anhaia", onde nos presenteia com temas comuns ao cotidiano da produção musical, falando desde compressores, mixers e outras questões técnicas até mesmo assuntos básicos ao músico profissional, como os códigos ISRC ou o que leva um booker a agenciar um músico.
No momento em que escrevo este post, a série já está e seu 13º episódio e todos são muito interessantes, a ponto de a playlist merecer um clique no botão REPETIR por um bom tempo. Sempre há algo muito útil a se aprender neste canal. Siga o canal e interaja, enviando perguntas.
I. Malforea
Luhli e Lucina são personagens da música brasileira que pouca gente conhece, mas compuseram várias canções que ficaram famosas na voz de outras pessoas, como Ney Matogrosso, Tetê Espíndola, Zélia Duncan e Nana Caymmi. São pioneiras da música independente e, por isso, não se tornaram figurinhas carimbadas na mídia mainstream.
Mas, felizmente, a música é bem maior que o que é exibido na TV e nas rádios, e a dupla se manteve ativa por anos a fio entra a década de 70 e 80. O documentário "Luhli & Lucina" traz imagens atuais, depoimentos e imagens de época, filmadas em 8mm por seu companheiro, o fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca.
Interessante saber que o conceito de crowdfunding já era utilizado pela dupla em 1980, quando a dupla, avessa às regras do mercado fonográfico propuseram ao público uma campanha de financiamento coletivo para o lançamento de seu segundo disco, Yorimatã - Amor de Mulher. Veja o vídeo abaixo:
Agora, em plena era do crowdfunding, foi lançada uma campanha de distribuição do filme nos cinemas. Confira o vídeo explicativo:
Acesse a página da campanha de distribuição do filme nos cinemas:
http://variavel5.com.br/projetos/yorimata/
Sinopse e ficha técnica:
Duas mulheres em meio ao movimento hippie dos anos 70 se unem pelo sonho de liberdade. Luhli e Lucina vivem em uma comunidade alternativa a experimentação musical radical e se tornam pioneiras no cenário independente brasileiro. Do violão aos tambores artesanais que elas mesmas constroem e tocam, dizem não às gravadoras e mergulham na criação artística e nas raízes afro-indígenas da umbanda. As duas vivem em trisal com o companheiro e fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca, que registra tudo em filmes super 8mm. O material unido a registros independentes de shows da dupla e a filmagens atuais, recriam o universo espírito-musical num filme sobre música, amor e liberdade.
com
Luhli
Lucina
Luiz Fernando Borges da Fonseca
Ney Matogrosso
Alzira E
Antonio Adolfo
O Bando
Décio Gioielli
Gilberto Gil
Grupo Manifesto
Itamar Assumpção
Joyce Moreno
Luis Carlos Sá
Mário Avellar
Ney Marques
Nilson Chaves
Secos & Molhados
Som Imaginário
Tania Scher
Tetê Espíndola
Zélia Duncan
argumento e direção: Rafael Saar
produção executiva: Daniela Santos, Eduardo Ades
direção de produção: Eduardo Cantarino
direção de fotografia e câmera: Lucas Barbi
pesquisa: Adil Lepri, Rafael Saar
desenho sonoro: Thiago Sobral
som direto: Eduardo Silva
mixagem: Jesse Marmo
animações: Daniel Sake
direção de arte: Luciano Caetano
montagem: Rafael Saar
montador-assistente: Leandro Calixto
empresas produtoras: Imagem-Tempo, Dilúvio Produções, Tela Brasilis
co-produção: Canal Brasil
Prêmios
Melhor Filme – Júri Oficial – In-Edit Brasil 2015
Melhor Filme – Voto do Público – In-Edit Brasil 2015
Prêmio de Pesquisa – Pirenópolis.doc 2015
Prêmio Delart – CineMúsica 2015
Menção Honrosa – Festival Mix Brasil 2015
FESTIVAIS
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, 2014, Brasil
Semana dos Realizadores, 2014, Brasil
Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana, 2014, Cuba
Mostra do Filme Livre, 2015, Brasil
In-Edit – 7 Festival Internacional do Documentário Musical, 2015, Brasil
Rio Festival Gay de Cinema, 2015, Brasil
Pirenópolis.Doc, 2015, Brasil
CineMúsica, 2015, Brasil
Festival MIMO, 2015, Brasil
Barcelona In-Edit Beefeater Festival, 2015, Espanha
For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, 2015, Brasil
XXX Festival del Cinema Latino Americano de Trieste, 2015, Itália
Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades, 2015, Brasil
Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, 2015, Brasil
Forumdoc.BH – Festival do Filme Documentário e Etnográfico, 2015, Brasil
MUVI Lisboa – Festival Internacional de Música no Cinema, 2015, Portugal
Close – Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual, 2015, Brasil
FestCineAmazônia, 2015, Brasil
Festival de Cine y Documental In-Edit Nescafé, 2015, Chile
34˚ Oficina de Música de Curitiba, 2016, Brasil
6˚ Cinemavvenire Film Festival, 2016, Itália
Luhli e Lucina são personagens da música brasileira que pouca gente conhece, mas compuseram várias canções que ficaram famosas na voz de outras pessoas, como Ney Matogrosso, Tetê Espíndola, Zélia Duncan e Nana Caymmi. São pioneiras da música independente e, por isso, não se tornaram figurinhas carimbadas na mídia mainstream.
Mas, felizmente, a música é bem maior que o que é exibido na TV e nas rádios, e a dupla se manteve ativa por anos a fio entra a década de 70 e 80. O documentário "Luhli & Lucina" traz imagens atuais, depoimentos e imagens de época, filmadas em 8mm por seu companheiro, o fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca.
Interessante saber que o conceito de crowdfunding já era utilizado pela dupla em 1980, quando a dupla, avessa às regras do mercado fonográfico propuseram ao público uma campanha de financiamento coletivo para o lançamento de seu segundo disco, Yorimatã - Amor de Mulher. Veja o vídeo abaixo:
Agora, em plena era do crowdfunding, foi lançada uma campanha de distribuição do filme nos cinemas. Confira o vídeo explicativo:
Acesse a página da campanha de distribuição do filme nos cinemas:
http://variavel5.com.br/projetos/yorimata/
Sinopse e ficha técnica:
Duas mulheres em meio ao movimento hippie dos anos 70 se unem pelo sonho de liberdade. Luhli e Lucina vivem em uma comunidade alternativa a experimentação musical radical e se tornam pioneiras no cenário independente brasileiro. Do violão aos tambores artesanais que elas mesmas constroem e tocam, dizem não às gravadoras e mergulham na criação artística e nas raízes afro-indígenas da umbanda. As duas vivem em trisal com o companheiro e fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca, que registra tudo em filmes super 8mm. O material unido a registros independentes de shows da dupla e a filmagens atuais, recriam o universo espírito-musical num filme sobre música, amor e liberdade.
com
Luhli
Lucina
Luiz Fernando Borges da Fonseca
Ney Matogrosso
Alzira E
Antonio Adolfo
O Bando
Décio Gioielli
Gilberto Gil
Grupo Manifesto
Itamar Assumpção
Joyce Moreno
Luis Carlos Sá
Mário Avellar
Ney Marques
Nilson Chaves
Secos & Molhados
Som Imaginário
Tania Scher
Tetê Espíndola
Zélia Duncan
argumento e direção: Rafael Saar
produção executiva: Daniela Santos, Eduardo Ades
direção de produção: Eduardo Cantarino
direção de fotografia e câmera: Lucas Barbi
pesquisa: Adil Lepri, Rafael Saar
desenho sonoro: Thiago Sobral
som direto: Eduardo Silva
mixagem: Jesse Marmo
animações: Daniel Sake
direção de arte: Luciano Caetano
montagem: Rafael Saar
montador-assistente: Leandro Calixto
empresas produtoras: Imagem-Tempo, Dilúvio Produções, Tela Brasilis
co-produção: Canal Brasil
Prêmios
Melhor Filme – Júri Oficial – In-Edit Brasil 2015
Melhor Filme – Voto do Público – In-Edit Brasil 2015
Prêmio de Pesquisa – Pirenópolis.doc 2015
Prêmio Delart – CineMúsica 2015
Menção Honrosa – Festival Mix Brasil 2015
FESTIVAIS
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, 2014, Brasil
Semana dos Realizadores, 2014, Brasil
Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana, 2014, Cuba
Mostra do Filme Livre, 2015, Brasil
In-Edit – 7 Festival Internacional do Documentário Musical, 2015, Brasil
Rio Festival Gay de Cinema, 2015, Brasil
Pirenópolis.Doc, 2015, Brasil
CineMúsica, 2015, Brasil
Festival MIMO, 2015, Brasil
Barcelona In-Edit Beefeater Festival, 2015, Espanha
For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, 2015, Brasil
XXX Festival del Cinema Latino Americano de Trieste, 2015, Itália
Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades, 2015, Brasil
Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, 2015, Brasil
Forumdoc.BH – Festival do Filme Documentário e Etnográfico, 2015, Brasil
MUVI Lisboa – Festival Internacional de Música no Cinema, 2015, Portugal
Close – Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual, 2015, Brasil
FestCineAmazônia, 2015, Brasil
Festival de Cine y Documental In-Edit Nescafé, 2015, Chile
34˚ Oficina de Música de Curitiba, 2016, Brasil
6˚ Cinemavvenire Film Festival, 2016, Itália
Por I.Malforea
Está em vários sites da Bahia: "Ivete e Bell recebem R$840 mil do governo para tocar sem cordas". Pensei um pouco: "caramba! Eu, que não pagaria para ir a um show deles sou obrigado a pagar, mesmo sem ir. Isso é certo? Quase um milhão de reais do meu (nosso!) suor assim, numa festa?" Conversei um pouco sobre isso num grupo sobre música e fiquei impressionado com as respostas. As pessoas, em geral, acham isso justo. Nós temos violência, educação precária, saúde idem, estradas assassinas que nos cobram em dobro (IPVA + pedágio) e quase um milhão de reais de dinheiro público vai para os dois mais ricos artistas da Bahia.
As pessoas disseram coisas do tipo "o cachê deles é alto porque o nome deles tem peso", "eles estão apenas fazendo o trabalho deles. A culpa é de quem contratou", o que imagino que provavelmente você concorde. Ok. O show de uma Ivete deve custar uns R$600 mil e é perfeitamente aceitável que ela cobre isso num bloco ou festa privada, onde paga o ingresso, o abadá, a camisa, o que for, quem quiser. Afinal, Ivete não nasceu em berço de ouro: vendia marmitas para se manter e chegou onde está por seu talento e seu empreendedorismo (ela não só é uma cantora/animadora como também uma das maiores empresárias do país). Se ela cobra uma fortuna hoje é porque tem quem pague. Mas e quando o dinheiro é público?
Não é preciso lembrar o tipo de país em que vivemos, mas lá vai: desigualdade, corrupção, pobreza, falta de educação, violência digna de uma guerra civil, serviços públicos que não cumprem seu papel e empresas oportunistas e gananciosas que superfaturam TUDO, isso sem contar a enorme carga tributária que, somada à ganância dessas empresas faz com que sejamos o povo que ganha esmola, mas paga como nobres aristocratas por tudo. Nunca vou me esquecer da frase dita por um conhecido, europeu, de Portugal: "não sei como vocês conseguem sobreviver ganhando tão pouco e pagando tão caro por tudo". Este é o Brasil onde acontecerão as apresentações do Bell e da Veveta.
Agora entra uma palavrinha mágica: ÉTICA! Mais uma: CARÁTER! Que tipo de artista, sabendo de tudo o que foi dito no parágrafo anterior, continua sorrindo e aceita receber uma verdadeira fortuna para se apresentar por algumas horas na mesma avenida onde passou e passará com seu bloco de abadás caríssimos, sendo que seu cachê sairá do bolso do mesmo povo explorado que vive no país do parágrafo anterior? Será que esse artista realmente se importa com seu povo ou seu eterno sorriso é apenas fruto de cursos intensivos de teatro e orientações de assessores de comunicação?
Quando falei isso, o pessoal do grupo continuou achando que estou errado e soltaram esta:
Costumo dizer sempre: "um povo que não conhece sua história e suas regras não passa de mero instrumento nas mãos dos poderosos". Fato. O problema do Brasil se mostra crônico quando o próprio cidadão não se importa em ser lesado e ainda considera errado quem critica abusos. É o que se consegue com uma estratégia de educação precária: um obediente e passivo povo-marionete. Na verdade, nunca tivemos uma boa educação desde que o Brasil se tornou Brasil. Exigir que o povo tenha esse tipo de consciência seria, então, pedir demais?
E o artista? Qual o papel do artista na sociedade? Ser um mero e sorridente animador pão-e-circo? Contribuir para que continuemos instrumento nas mãos dos poderosos? Um artista que considerasse pensar sobre ética aceitaria receber um cachê de R$600 mil para tocar por algumas horas às custas do povo, carente de tudo e mais um pouco realmente está do lado do povo? Ou apenas pensa em seu próprio bolso?
Vamos falar da Veveta: ela é linda, carismática, "a cara do Brasil". Todo mundo gosta dela. Ela é descontraída. Fala o que dá na telha. Sorri, e muito. Isso cativa. É a rainha. Bem, a rainha parece não se importar muito com ética. Aceitar grandes cachês com dinheiro público é algo comum, pelo visto. Quem não se lembra do hospital cearense que foi inaugurado com um showzaço da rainha, no valor de R$650 mil reais, em 2013? E, avançando no caso, quem se lembra que o mesmo hospital desabou, 1 mês (eu disse UM MÊS) depois? Claro, a Veveta Linda Amor do Brasil não tem culpa. Ela só fez seu trabalho. Mas e aí? Tá valendo então o "sou músico e toco até na festa de aniversário do Hitler se o cachê for bom"? "Não é problema meu, apenas estou fazendo meu trabalho"?
O empreendedorismo é o que move o país e deve ser aplaudido. O empreendedorismo cria valores, como o cachê altíssimo da Veveta e do Bell (e de outros grandes e safadões poetas da nossa música por aí). No âmbito privado é válido e legítimo. Mas e quando há dinheiro público envolvido? O artista deve "apenas fazer seu trabalho" ou pensar um pouco antes de agir? É ético receber um cachê tão alto nessas condições? Também costumo dizer que nos comunicamos de várias formas: a palavra é apenas UMA delas, e vale menos que o agir. Dizemos muito mais coisas pelo que agimos do que pelo que falamos. Todos artista adora falar, sorrindo, que ama seu povo. Mas e no agir? Demonstram a mesma coisa? Se importam realmente com seu povo?
Desisti de conversar no grupo. Terminei com uma frase parecida com esta: "vamos deixar essa bobagem de atitude e cidadania com aqueles artistas 'da época da ditadura'''. "Nosso povo já anda tão sofrido, merece uma alegria de vez em quando". O problema é quando essa "alegria" vem sob a clássica forma de "pão-e-circo-sem-pão" citada em "2012, Miopia" e é constante. Falando nessa época, lembra que um projeto da Maria Bethânia quase permitiu que ela recebesse 1,3 milhão de reais por incentivo fiscal da Lei Rouanet para recitar poesias num blog? Já pensou em olhar quantos projetos parecidos são aprovados todo ano no site do Ministério da Cultura?
E o papel do artista na sociedade? Não seria contribuir positivamente, para que o povo nunca se esqueça de quem é e o que lhe é seu por direito? Sim! O papel do artista na sociedade é bem mais próximo do de um professor que do de um pistoleiro de aluguel. Seus atos devem ser pensados como fundamentais para o crescimento da nação e não apenas como mero comércio que apenas visa o lucro, independente de onde venha o dinheiro. Quando estiver diante de um "artista" que claramente apenas visa o lucro desconfie: ele pode ser muito mais um comerciante do que um artista. Citando Nando Reis: "o mundo está ao contrário e ninguém reparou". Citando Raul: "pare o mundo que eu quero descer!".
E o BBB 16, hein? Tá animado(a)?
Está em vários sites da Bahia: "Ivete e Bell recebem R$840 mil do governo para tocar sem cordas". Pensei um pouco: "caramba! Eu, que não pagaria para ir a um show deles sou obrigado a pagar, mesmo sem ir. Isso é certo? Quase um milhão de reais do meu (nosso!) suor assim, numa festa?" Conversei um pouco sobre isso num grupo sobre música e fiquei impressionado com as respostas. As pessoas, em geral, acham isso justo. Nós temos violência, educação precária, saúde idem, estradas assassinas que nos cobram em dobro (IPVA + pedágio) e quase um milhão de reais de dinheiro público vai para os dois mais ricos artistas da Bahia.
As pessoas disseram coisas do tipo "o cachê deles é alto porque o nome deles tem peso", "eles estão apenas fazendo o trabalho deles. A culpa é de quem contratou", o que imagino que provavelmente você concorde. Ok. O show de uma Ivete deve custar uns R$600 mil e é perfeitamente aceitável que ela cobre isso num bloco ou festa privada, onde paga o ingresso, o abadá, a camisa, o que for, quem quiser. Afinal, Ivete não nasceu em berço de ouro: vendia marmitas para se manter e chegou onde está por seu talento e seu empreendedorismo (ela não só é uma cantora/animadora como também uma das maiores empresárias do país). Se ela cobra uma fortuna hoje é porque tem quem pague. Mas e quando o dinheiro é público?
Não é preciso lembrar o tipo de país em que vivemos, mas lá vai: desigualdade, corrupção, pobreza, falta de educação, violência digna de uma guerra civil, serviços públicos que não cumprem seu papel e empresas oportunistas e gananciosas que superfaturam TUDO, isso sem contar a enorme carga tributária que, somada à ganância dessas empresas faz com que sejamos o povo que ganha esmola, mas paga como nobres aristocratas por tudo. Nunca vou me esquecer da frase dita por um conhecido, europeu, de Portugal: "não sei como vocês conseguem sobreviver ganhando tão pouco e pagando tão caro por tudo". Este é o Brasil onde acontecerão as apresentações do Bell e da Veveta.
Agora entra uma palavrinha mágica: ÉTICA! Mais uma: CARÁTER! Que tipo de artista, sabendo de tudo o que foi dito no parágrafo anterior, continua sorrindo e aceita receber uma verdadeira fortuna para se apresentar por algumas horas na mesma avenida onde passou e passará com seu bloco de abadás caríssimos, sendo que seu cachê sairá do bolso do mesmo povo explorado que vive no país do parágrafo anterior? Será que esse artista realmente se importa com seu povo ou seu eterno sorriso é apenas fruto de cursos intensivos de teatro e orientações de assessores de comunicação?
Quando falei isso, o pessoal do grupo continuou achando que estou errado e soltaram esta:
"Não tem NADA a ver com o fato de se importar ou não com o povo, tem a ver com saber quanto vale o seu trabalho. Não é o seu trabalho como músico/cantor/performer se meter nas questões governamentais.Como assim, não é meu trabalho se meter nas questões governamentais? Devo lembrar que é sim meu papel e obrigação de TODO cidadão se meter nesses assuntos. Aliás, é justamente isso que faz de alguém um verdadeiro cidadão. Não é à toa que inventaram os Portais da Transparência nos âmbitos federal, estadual e municipal, para justamente o povo fiscalizar e ver o que está sendo feito do seu dinheiro, tomado compulsoriamente pelo Estado sob a forma de impostos, taxas e tributos.
Costumo dizer sempre: "um povo que não conhece sua história e suas regras não passa de mero instrumento nas mãos dos poderosos". Fato. O problema do Brasil se mostra crônico quando o próprio cidadão não se importa em ser lesado e ainda considera errado quem critica abusos. É o que se consegue com uma estratégia de educação precária: um obediente e passivo povo-marionete. Na verdade, nunca tivemos uma boa educação desde que o Brasil se tornou Brasil. Exigir que o povo tenha esse tipo de consciência seria, então, pedir demais?
E o artista? Qual o papel do artista na sociedade? Ser um mero e sorridente animador pão-e-circo? Contribuir para que continuemos instrumento nas mãos dos poderosos? Um artista que considerasse pensar sobre ética aceitaria receber um cachê de R$600 mil para tocar por algumas horas às custas do povo, carente de tudo e mais um pouco realmente está do lado do povo? Ou apenas pensa em seu próprio bolso?
Vamos falar da Veveta: ela é linda, carismática, "a cara do Brasil". Todo mundo gosta dela. Ela é descontraída. Fala o que dá na telha. Sorri, e muito. Isso cativa. É a rainha. Bem, a rainha parece não se importar muito com ética. Aceitar grandes cachês com dinheiro público é algo comum, pelo visto. Quem não se lembra do hospital cearense que foi inaugurado com um showzaço da rainha, no valor de R$650 mil reais, em 2013? E, avançando no caso, quem se lembra que o mesmo hospital desabou, 1 mês (eu disse UM MÊS) depois? Claro, a Veveta Linda Amor do Brasil não tem culpa. Ela só fez seu trabalho. Mas e aí? Tá valendo então o "sou músico e toco até na festa de aniversário do Hitler se o cachê for bom"? "Não é problema meu, apenas estou fazendo meu trabalho"?
O empreendedorismo é o que move o país e deve ser aplaudido. O empreendedorismo cria valores, como o cachê altíssimo da Veveta e do Bell (e de outros grandes e safadões poetas da nossa música por aí). No âmbito privado é válido e legítimo. Mas e quando há dinheiro público envolvido? O artista deve "apenas fazer seu trabalho" ou pensar um pouco antes de agir? É ético receber um cachê tão alto nessas condições? Também costumo dizer que nos comunicamos de várias formas: a palavra é apenas UMA delas, e vale menos que o agir. Dizemos muito mais coisas pelo que agimos do que pelo que falamos. Todos artista adora falar, sorrindo, que ama seu povo. Mas e no agir? Demonstram a mesma coisa? Se importam realmente com seu povo?
Desisti de conversar no grupo. Terminei com uma frase parecida com esta: "vamos deixar essa bobagem de atitude e cidadania com aqueles artistas 'da época da ditadura'''. "Nosso povo já anda tão sofrido, merece uma alegria de vez em quando". O problema é quando essa "alegria" vem sob a clássica forma de "pão-e-circo-sem-pão" citada em "2012, Miopia" e é constante. Falando nessa época, lembra que um projeto da Maria Bethânia quase permitiu que ela recebesse 1,3 milhão de reais por incentivo fiscal da Lei Rouanet para recitar poesias num blog? Já pensou em olhar quantos projetos parecidos são aprovados todo ano no site do Ministério da Cultura?
E o papel do artista na sociedade? Não seria contribuir positivamente, para que o povo nunca se esqueça de quem é e o que lhe é seu por direito? Sim! O papel do artista na sociedade é bem mais próximo do de um professor que do de um pistoleiro de aluguel. Seus atos devem ser pensados como fundamentais para o crescimento da nação e não apenas como mero comércio que apenas visa o lucro, independente de onde venha o dinheiro. Quando estiver diante de um "artista" que claramente apenas visa o lucro desconfie: ele pode ser muito mais um comerciante do que um artista. Citando Nando Reis: "o mundo está ao contrário e ninguém reparou". Citando Raul: "pare o mundo que eu quero descer!".
E o BBB 16, hein? Tá animado(a)?

Jimmy Page em 1970 e 2013
Há um bom tempo percebi que as pessoas, mesmo sem perceber, têm medo do tempo. Preferem não pensar em quando estiverem velhas e, quando menos se espera... O tempo passou! Ainda lembro claramente de quando tentava imaginar o quão fantástico seria quando eu tivesse 18 anos. Pois bem, mal tive tempo para respirar e estou chegando aos 32.
Esse "medo" de envelhecer, do imperfeito, se reflete em nosso culto aos "ídolos". Não me lembro de ter visto alguém com uma camisa do Roger Waters velho, ou do Jim Morrison / Elvis gordo, ou do Raul Seixas inchado e digno de pena, prestes a morrer (este, aliás, é um tema que posso detalhar em breve). Sempre preferimos escolher uma imagem "perfeita" dos nossos ídolos e considerá-la eterna, a versão definitiva e oficial.
Eu, como historiador, sempre escolhi considerar os "bons" e "maus" momentos daqueles que admiro como essenciais, afinal, estamos falando de pessoas, e pessoas são falhas e imperfeitas. Isso ajudou, inclusive a me imaginar velho de uma forma menos traumática. Não posso deixar de admirar meu grande ídolo da guitarra, Mark Knopfler, no auge de sua velhice. Ou o Eric Clapton, ou o Gilmour. São caras que hoje me fariam chorar num show, como qualquer fã que xinga muito no Twitter (ok, foi um baita exagero!).
Alguns se tornaram o perfeito estereótipo do velhinho com cara de indefeso, alguns nem tanto. Outros são verdadeiros desafios à ciência pelo simples fato de ainda estarem vivos. Alguns mostram o quão saudável é assumir a velhice, outros nos mostram o quão ridículo pode ser lutar contra ela. O fato é que graças a alguns dos meus ídolos nos dias de hoje eu consigo enxergar minha própria velhice de uma forma mais tranquila, afinal, este é um dos papéis dos grandes ícones: nos dar lições de vida, como uma espécie de professores. Eu gostaria de me parecer com alguns, sem sombra de dúvida. E você? Há algum(a) velhinho(a) em quem você se inspire?

Mark Knopfler, em 1978 e 2013

Robert Plant em 1970 e 2013

Rita Lee em 1968 e 2013

Bob Dylan em 1970 e 2014

David Gilmour em 1971 e 2009

Chuck Berry em 1957 e 2012

Os Paralamas em 1982 e 2013
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* Este post foi publicado originalmente no site Troca o Disco, a qual sou colaborador. Confira mais posts e aproveite para conhecer o TDCast, podcast quinzenal dedicado à música. 
Quer ouvir música decente? Se tranque em casa ou use um fone
Há algum tempo ando muito chateado com a minha cidade. Como muitas, temos carros equipados com aparelhagem de som caríssimos, que os fazem parecer trios elétricos. Temos vários botecos(muitos) espalhados em todos os bairros, cada um com seu som ambiente. Temos lojas de eletrodomésticos, daquelas que vendem desde um fogão até uma moto e jogam comerciais barulhentos na TV, uns engolindo os outros. Temos emissoras de rádio. Não muitas, mas temos. Temos algumas emissoras de TV que pegam de razoavelmente a bem, sem auxílio de parabolica ou assinatura. Temos nossos queridos estudantes que se recusam a usar fone de ouvido quando estão em ônibus. Temos os próprios ônibus e suas caixas de som ambiente. Temos academias de ginástica, temos taxis e temos uma estação rodoviária, só pra não ficar muito detalhista.
Há muito tempo deixei de ser um "roqueiro radical". Já não uso meu militancia.antipagode@bol.com.br há pelo menos uns dez anos. A gente vai envelhecendo e ficando mais tranquilo, menos intolerante. Mas conversando e prestando atenção cheguei à conclusão de que é praticamente impossível se ouvir o que eu considero boa música em algum lugar que não seja minha própria casa, fone ou algum lugar onde eu não detenha o controle do volume. Digo considero boa música já pra não ter ninguém me dizendo o óbvio, que música boa é algo muito relativo. Isso eu já sei há muito tempo, e foi por saber disso que fiquei menos radical que dez anos atrás.
Não sei em que lugar do mundo você, leitor(a), está no momento. Mas aqui em Vitória da Conquista-BA-BraZil a regra, o padrão musical aponta para um eixo bastante conhecido e desagradável aos meus ouvidos: axé-sertanejo(universitário, de preferência, seja lá o que isso quer dizer)-pagode soteropolitano(é diferente de axé, acredite ou não)-arrocha(este incorpora grupos dos gêneros anteriores)-forró(principalmente os que fariam Luiz Gonzaga se contorcer no túmulo). É isso. Ou você ouve e gosta disso ou é um alien.
Eu gosto de coisas bem distantes desse eixo: rock n' roll, blues, jazz, algo do que rotulam como MPB e Luiz Gonzaga, basicamente. Aqui rock é música de maluco barulhento. Blues é "aquelas músicas de strip-tease". Jazz é uma modalidade de dança que ensinam nas academias(!!!). MPB é música cabeça demais e Luiz Gonzaga é algo antigo demais para os jovens e cult o suficiente para fazer alguns universitários se sentirem cults ao falarem do que gostam de escutar para os amiguinhos cult.
Chego numa loja de eletrodomésticos e me deparo com um paredão de micro systems a todo volume tocando o (argh!) Parangolé. Nem entro e passo em frente a outra: Cláudia Leitte. Vou a outra: Luan Santana. Paro pra tomar alguma coisa num bar qualquer. O novo sucesso do "minha mulher não deixa não, blá blá blá" está no rádio, executada não mais por quem a criou. Isso se procria com extrema facilidade, assim como seu público. Saio de lá e penso em tomar um táxi pra casa. Desisto ao ver Zezé di Camargo na telinha do DVD em cima do painel do carro. Vou pegar um ônibus. Está passando a mesma rádio do bar. Uma passageira parece não gostar, então pega seu celular e coloca uma linda música evangélica a todo volume para doutrinar todos os outros, incluindo a mim. Chego em casa, aliviado. É quando meu vizinho resolve abrir o porta-malas do carro e ouvir, a infinitos decibéis, hits parecidos com o maldito Rebolation. Um detalhe: ouço várias vozes, parece uma bebedeira. O infeliz não deixa passar mais que 30 segundos de nenhuma música, então ouço pedaços de umas 50 músicas supostamente diferentes e instruções de como rebolar do jeito certo. Fecho a janela.
Certa vez fui numa gráfica rápida imprimir uns projetos da DB. Entrei na sala dos designers e havia uma cadeira vazia, cujo PC tocava, baixinho, Piazzolla. Fiquei impressionado. Nem eu tenho algo dele em casa. Interessantes foram os comentários dos outros funcionários: "Pô mas esse som de fulano tá fraco demais!"; "Quem tá ouvindo esse troço aí?"; "Desliga a caixa desse PC aí, num dá pra aguentar isso no ouvido não". Coisas desse tipo. Se o volume máximo da caixa era 10, a música deveria estar no 0,9.
Dentro do shopping tomo um mate em frente a uma loja de eletrodomésticos. DVD do Calypso, a todo volume. Conversando com minha namorada sobre isso imaginamos como seria se um de nós trabalhasse ali. Trazer um DVD de algo melhorzinho e ainda muito light? Nem pensar. Um amigo que trabalhou num hipermercado já disse que música decente não fica nem dez minutos no player. Os próprios colegas de trabalho tiram e substituem por Ivete ou algum dos exemplos acima citados. Sem falar que espantaria a clientela. Se bem que não é uma boa ideia comprar aparelho de som onde se vende cama, bicicleta e geladeira.
Já me disseram que, numa academia de ginástica, pediram pra tirar "esses rocks barulhentos" ao ouvirem a pesadíssima versão de Por Enquanto do Legião Urbana na voz de Cássia Eller. Punk rock hardcore de verdade. Quando fiz faculdade perdi rapidamente a ilusão de que os universitários são seres politizados e exigentes com a arte que consomem (infelizmente não estava vivo na década de 70). Pois lá eu ainda era considerado o roqueiro maluco por boa parte. Saudável mesmo é ouvir Calcinha Preta.
Existe aqui um festival anual, cujo palco principal é focado no pop-rock. Convenhamos, odeio Charlie Brown Jr, ignoro o Jota Quest, apesar de não considerá-lo ruim, Não suporto O Rappa, mas tudo bem: já é mais próximo do que eu escuto e sempre consegui cortesia pra entrar. Toquei no "palco dos roqueiros barulhentos" duas vezes com a The New Old Jam e trabalhei de outras formas ,outras vezes. E conheço algumas pessoas. Não seria nenhum sacrifício. Além do palco principal e o palco dos barulhentos existem também o palco do forró e outras coisas que expressam o padrão musical da cidade. Aqui fala-se português e ouve-se o que já falei. São oficiais, não dá pra mudar. Ano passado e retrasado já tivemos artistas do axé-music no palco principal, ou seja: parece que mesmo ganhando as entradas não vou mais querer ir. Só havia este evento, uma vez por ano, que eu me dispunha a ir. Daqui pra frente nem isso. É como estar numa gaiola que só diminui.
É doloroso se sentir um alien em sua própria casa. Passei 28 anos nesta cidade e simplesmente me identifico cada vez menos com ela (esqueci de mencionar o quanto minha própria família gosta de ouvir certas coisas já citadas). Me dizem "mas é só música. Por que não relaxa e dança também?". Pra alguém que tem a música como algo tão importante isso é simplesmente ridículo. Um insulto até. É como um piloto de Formula 1 viver num lugar onde só se anda de carroça ou um policial honesto viver num lugar onde só existem bandidos. Totalmente fora de contexto.
Então vem a frase óbvia: "cai fora então, ué!". A ideia é essa, claro. Vai acontecer, mas deve haver mais alguém que neste momento está se sentindo numa gaiola, assim como eu, e infelizmente não poderá pular do barco. Este texto é apenas um desabafo, uma forma de dar voz aos que também se incomodam com o poder da maioria. Além de não conseguir me livrar de todo esse lixo sonoro que está em todas as formas de mídia e também fora dela, não temos espaço pra sequer sair dessa direção por alguns segundos. Aí a solução é apenas se isolar em casa ou num bom fone de ouvido. Ou abrir mão da sua individualidade para se integrar ao todo. Como é na sua cidade?
Obs.: este texto apenas expressa a minha opinião e o meu ponto de vista. Não forço ninguém a concordar comigo e muito menos a ler o que escrevo. Dizem que este é um país livre, então estou no meu direito. Pense nisso antes de me insultar.
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