Cat-1
Cat-2
Cat-3
Cat-4
Categoria: Blog
É bem possível que você, ao navegar pelos nossos posts originais, se depare com a chata experiência de clicar em um link para o nosso próprio site e ele esteja quebrado. Pois bem: isso se dá pelos motivos que explicamos NESTE POST, publicado em 2018. Em resumo, a BLUEZinada! quase morreu por falta de apoio, e tivemos que abrir mão do nosso domínio original (www.bluezinada.com.br) para vinculá-lo ao domínio da Distintivo Blue (www.distintivoblue.com) por uma questão de economia. Dessa forma, foi possível manter o site no ar mesmo sem atualizações, uma vez que há um conteúdo valioso por aqui, que entendemos dever ser sempre acessível.
Assim, enquanto não conseguimos atualizar ao menos os principais posts do site, sempre que você clicar em algum link interno e ele não funcionar, verifique se, na barra de endereços, ele começa com "http://www.bluezinada.com/". Se for este o caso, substitua esse trecho por "http://bluezinada.distintivoblue.com" e certamente ele funcionará. Se ainda tiver um tempinho a mais, nos comunique sobre essa página específica, para que isso não aconteça mais vezes. O contato pode ser tanto pela área de comentários da página quanto por e-mail: bluezinada@distintivoblue.com.

...
Se você acompanhava nosso trabalho por aqui, com certeza notou que nossas atividades foram completamente paralisadas, desde dezembro de 2017. Nunca postei nada explicando os porquês, por isso, 1 ano depois, consegui alguma energia para tocar no assunto oficialmente aqui no site, ainda que de forma bem superficial.
Tudo teve início no final de 2016, quando do desmembramento da banda. Sempre bom lembrar que a BLUEZinada! é a zine/portal/podcast sobre blues e afins, da Distintivo Blue, por isso, tratamos aqui de gêneros musicais que abordávamos enquanto banda. A crise político-econômica desse período nos afetou profundamente, e cada um foi para o seu lado buscar formas de pagas suas contas. Passei todo esse tempo com a sensação de estar exausto, de ter gasto todas as minhas energias em algo que, infelizmente, não trouxe quase nenhum resultado. E isso ainda não passou, sinceramente.
A dificuldade encontrada em se manter uma banda autoral de blues no sudoeste da Bahia também se refletiu por aqui: aparentemente, pouquíssimos dão bola para o blues no Brasil. E isso inclui os próprios músicos. A falta de apoio e receptividade foi algo que me corroeu por dentro até o ponto em que joguei tudo para o alto e fui buscar outras trilhas profissionais. Felizmente, me interesso e identifico com várias coisas, e decidi, aos 35 anos, prestar vestibular para Direito (já sou graduado em História), o que eu sempre quis, mas me considerava velho para iniciar do zero outra carreira e estava mergulhado no projeto de viver da minha música. Isso me fez pensar muito (mesmo!) sobre tudo. Talvez seja apenas a tal "crise dos 30" que tanto ouvi falar.
Resumindo, minha abordagem para com a música mudou bastante: não quero mais depender dela para pagar minhas contas (embora ainda seja isso o que acontece): fazer blues no Brasil é, ainda, o trabalho de um hamster, que corre milhões de quilômetros e não consegue sair do lugar. Isso é normal, mas o tempo está passando, e não sou mais um garoto de 20 anos. Não posso mais me dar o luxo de perder tempo. Por isso, ainda saturado de todo o trabalho que envolve uma banda independente, não deixarei de ser músico, mas não me preocupo mais em formar público. Isso, explicarei melhor num próximo texto.
Quanto ao site, percebi que nosso nicho é bem menor do que imaginava. Poucas pessoas se interessam pelo que tratamos aqui e, dentre essas, pouquíssimas se manifestam. A impressão que tenho é a de que, salvo raras exceções, apenas os próprios músicos (uma parcela minúscula, já que a maioria parece não se importar nem em divulgar o próprio trabalho) nos visitavam, e nos enxergavam apenas como uma forma de divulgar gratuitamente o que fazem, e não como uma fonte de conteúdo, que é a real proposta desde sempre.
Isso, somado ao descaso com a banda, fez com que eu não enxergasse mais uma lógica em manter toda essa estrutura sozinho. Por todo esse tempo, não consegui sequer abrir o site ou pensar no assunto por muito tempo, tamanha a saturação. Alguns chamariam isso de "trauma".
Basicamente, esse foi o motivo de a BLUEZinada! ter se paralisado em 2018. Praticamente ninguém entrou em contato perguntando o que houve, apenas um ou outro músico/banda entrou em contato, buscando divulgar algum novo lançamento ou show, o que reforça a minha tese de que este site não é encarado como uma fonte de conteúdo, e sim como uma forma gratuita de divulgação para uma ou outra banda. Qual seria o sentido de continuar perdendo tempo, dinheiro e energia aqui?
Apesar de toda essa carga negativa, estou considerando voltar a movimentar este ambiente em 2019, mas com algumas mudanças substanciais. Sendo bem sincero, isso é apenas para satisfação pessoal, já que gosto verdadeiramente de escrever e publicar coisas. Não espero mais por algum reconhecimento ou apoio: minha visão sobre o blues brasileiro mudou profundamente, e sem qualquer dose de otimismo. Em breve escreverei um texto semelhante, mas focado na Distintivo Blue, que complementará o raciocínio deste. Por enquanto, confira algumas ideias sobre o retorno das atividades da BLUEZinada! em 2019:
Endereço do site
A partir de fevereiro, o endereço passará a ser bluezinada.distintivoblue.com. Isso se dá por simples corte de gastos: como o site nunca obteve apoio, o custo com o domínio bluezinada.com.br e os demais que mantenho (distintivoblue.com e malforea.com), especialmente após a crise de 2016, se tornou um problema. Por isso, diversos links antigos espalhados nas redes sociais deixarão de funcionar. Manterei apenas os dois domínios citados acima.
Posts diários aqui no site
Isso é impraticável. Demanda muito tempo, já que um simples post, além de ser escrito ou editado (no caso de vir de terceiros) também deve ser divulgado nas redes sociais. E todo esse trabalho é feito apenas por mim. Infelizmente isso não voltará a acontecer, mas teremos novas postagens constantemente, em intervalos um pouco maiores.
BLUEZinada! Zine
Foi aqui que tudo começou. As edições da zine voltarão a ser lançadas normalmente em 2019, em formato físico e digital. Buscarei uma periodicidade fixa, como bimestralmente ou trimestralmente.
BLUEZinada! Podcast
Ainda há um episódio não editado, que deveria ter saído em dezembro de 2017, que será lançado em breve. Após isso, não há previsão de retorno. Cada episódio do podcast demanda um tempo ENORME de trabalho, desde a concepção da pauta, os contatos com os convidados, a gravação em si, a edição, a publicação no feed e a divulgação. Tudo isso é feito apenas por mim, e não disponho mais de tempo e energia para isso, ao menos por enquanto.
Abertura para textos de terceiros
Continuam sendo bem-vindas as colaborações para matérias. Para nos enviar seu texto, clique em O Site>Colabore.
Podcasts & Retransmissões
Aos poucos, voltaremos a postar episódios de podcasts que abordem nossa linha temática e programas de rádio, no Brasil ou não. Caso você conheça algum, nos indique.
Agenda de shows
Salvo raríssimas exceções, não farei mais pesquisa de shows. Postarei apenas material que as próprias bandas ou produtores nos enviem. Saiba mais, neste post.
Agenda de shows
Salvo raríssimas exceções, não farei mais pesquisa de shows. Postarei apenas material que as próprias bandas ou produtores nos enviem. Saiba mais, neste post.

...
Roberto Lessa pelo Skype
A BLUEZinada! segue sua trajetória com vários projetos em mente para chegar a 2018 de forma mais abrangente e profissional. Ontem gravei o episódio #011 do podcast, sendo que ainda nem terminei de editar o #010, previsto para lançamento em 01/09. No meio jornalístico sempre ouvi falar sobre antecedência: matérias "de gaveta", e mecanismos para garantir que teremos conteúdo para publicar, mesmo se imprevistos acontecerem. Confesso que foi difícil começar a praticar isso, já que a BLUEZinada! não é a minha única atividade: lembre-se que é a zine/podcast/portal sobre blues e afins, da Distintivo Blue. E a Distintivo Blue sim é a atividade principal.
Porém, como muitos já sabem, a Distintivo Blue está em stand by, o que me deixou com a cara no chão. Na verdade, estou começando a me levantar agora, mas ainda meio perdido. Não sei bem o que devo fazer e como, para que volte a ter uma banda (por sinal, não ter uma banda é algo completamente estranho para mim e só me deixa mais perdido) e siga o caminho de onde parei. Mas isso é uma outra história.
Voltando à BLUEZinada!, ontem tive o grande prazer de passar algumas horas conversando com o Roberto Lessa, da banda Blues Label (Fortaleza-CE). Conversamos muito sobre a sua trajetória, o cenário blueseiro no Ceará e suas iniciativas para a propagação do blues (e da música enquanto cultura) em lugares deixados de lado, como bairros periféricos da cidade. Além disso, ele também apresenta o Encontro com o Blues há quase duas décadas e me pareceu ser uma pessoa inquieta e sempre com a mente fervilhando. Me identifiquei muito. Você poderá ouvir tudo em 1º de outubro, claro. Passa rápido.
Algumas semanas atrás gravei o episódio #010 do podcast com um time de peso: Filipi Junio, do Southern Rock Brasil, Gui Grazziotin, do We and the Devil Blues, e Gederson Ferreira, do Volume Onze. Falamos sobre um tema importantíssimo na história da música mundial e imagino que muitos vão gostar. O episódio sai 1º de setembro. Já tenho em mente o tema do episódio de novembro, mas isso ficará para um próximo post.
Também já temos uma nova série especial anunciada: Jazz, um filme de Ken Burns, por I. Malforea terá início em setembro e trará meus comentários sobre cada uma das doze partes desse gigantesco e incrível documentário, além de alguns posts extras. Portanto, teremos possivelmente quinze partes nesta nova série, apenas com conteúdo inédito e original BLUEZinada!.
Vale sempre relembrar que a BLUEZinada! não é um clã fechado: se você escreve ou possui algum trabalho sobre blues, jazz, country ou blues rock e gostaria de publicar por aqui é só entrar em contato. O mesmo vale se você gostaria de escrever com frequência. Toda colaboração é muito bem vinda. Nos falamos em breve. Grande abraço!

...
Terminada a série Da África para os EUA e o mundo: blues, uma viagem musical, a BLUEZinada! já anuncia sua nova empreitada: Jazz: um filme de Ken Burns, por I. Malforea é uma homenagem a este incrível trabalho lançado em 2001 para a TV e relançado em 2002 no Brasil. Nesta série analisaremos cada um dos doze volumes, abordando desde o filme em si até os livretos que os acompanham. Buscaremos também disponibilizar trechos ou trailers. Confira abaixo os títulos:
1 - Nascimento em New Orleans (1890-1917)
2 - Começa a era do jazz (1917-1924)
3 - De voz da rua a grande arte (1924-1929)
4 - Big bands contra a depressão (1929-1934)
5 - Swing, o som da reconstrução (1935-1937)
6 - Grandes estrelas em cena (1937-1939)
7 - A trilha sonora da guerra (1940-1942)
8 - O canto da democracia (1943-1945)
9 - Desbravadores de caminhos (1945-1949)
10 - Um nome, muitos estilos (1949-1955)
11 - Mutações genéticas (1956-1960)
12 - Globalização e renascimento (1960-2009)
Cada título terá seu post específico, e teremos alguns extras, de contextualização. Ao final da série teremos um bom material de referência para os que desejam se aprofundar no tema. Você também pode sugerir abordagens ou mesmo enviar seu texto para integrar o especial. Para isso, basta entrar em contato conosco pelo bluezinada@distintivoblue.com ou por alguma das nossas redes sociais.
I. Malforea é cantor, compositor, líder da Distintivo Blue e autor da BLUEZinada!. Licenciado em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, escolheu não seguir a carreira de professor, mas busca dar sua contribuição gerando conteúdo com os recursos disponíveis.
A série terá início em 6 de setembro e será semanal, com novos posts sempre às quartas feiras.

...
O livro foi publicado e já está ganhando o mundo
Recebi uma belíssima surpresa agora mesmo: quase um ano atrás, publicamos uma matéria na BLUEZinada! sobre a campanha de crowdfunding para viabilizar a publicação do livro "Blues, the Backseat Music", do jornalista Eugênio Martins Júnior, do Mannish Blog (http://mannishblog.blogspot.com.br/). Relembre nossa matéria aqui: http://bit.ly/2fDTfRx
Pois bem: acabo de receber o livro em casa e fiquei muitíssimo feliz, porque conheço bem as dificuldades em se fazer algo de forma independente no Brasil, sobretudo em nossa área, o blues. À época, a Distintivo Blue também colaborou com a campanha e a sensação de ter ajudado um bom projeto a se tornar concreto só aumenta a nossa alegria.
Agora me resta ler e escrever uma resenha para a BLUEZinada!. Se você ainda não conhece, fale com o Eugênio (link clicável no início do texto) e compre o seu. É a história do blues brasileiro sendo documentada, o que ainda é raro, e necessário. Trabalho de formiguinha, cada um fazendo o possível para manter acesa a chama do blues. Parabéns, Eugênio e todos os que, de alguma forma, colaboraram.
(I. Malforea)

...
Eu e a Restgate Blues, logo após a gravação do podcast
Já expliquei anteriormente o momento bastante delicado que estou enfrentando: ter de montar uma banda "do zero" pela enésima vez não é tarefa fácil, e muitas vezes me vi sem saber o que fazer ou pra qual direção me virar. Bom, a única certeza é que ao cair, deve-se levantar. E é o que está acontecendo. Fico muito feliz em saber que há pessoas dispostas a dar uma força e que acreditam em meu trabalho.
A BLUEZinada!, felizmente está começando a conquistar apoiadores valiosos. Ainda não temos colunistas, mas já temos, por exemplo, gente como o Leonardo Nascimento, de Niterói, que ofereceu seu TCC para formatá-lo numa série de posts semanais interessantíssima. Também, em Salvador, o pessoal da Restgate Blues, que está me dando uma baita força para conseguir membros para a nova Distintivo Blue, além de ter gravado comigo o próximo episódio do BLUEZinada! Podcast. Também já tenho aqui o álbum para o episódio #002 do Audiofilia BLUEZinada!, que sairá em 15 de junho (o artista é surpresa). Isso, claro, sem contar as várias pessoas que comentam, compartilham e recomendam nosso trabalho por aí.
Este post rápido é para agradecer a todos vocês que acreditam neste trabalho e torcem por ele. Cresceremos juntos, um passo de cada vez.

...
![]() |
| A formação 2015-2017 da DB foi a mais estável desde o nascimento da banda |
Os mais atentos já devem ter notado que algo está diferente: onde estão os shows com a banda completa? Onde estão as fotos e vídeos novos? Afinal de contas, o que está havendo? A banda parou as atividades? Bom, acho que devemos ter uma relação sincera e próxima com os fãs, e por isso vou explicar tudo o que aconteceu nos últimos meses.
Antes de tudo, sinto a necessidade de contextualizar: quando montei a banda, há praticamente oito anos, minha visão era bem simples: uma banda é um conjunto de músicos amigos, onde todos trabalham, dividindo tarefas, por um bem comum, como numa sociedade empresarial ou, como alguns dizem, num casamento. Vale enfatizar bem essa questão do "dividindo tarefas", ou seja: todos trabalham, logo, o mérito é de todos quando há ganhos, e o prejuízo idem. Mas a realidade não é tão simples, assim como a própria democracia não o é.
A verdade é que passei esses oito anos "carregando a banda nas costas" praticamente sozinho: desde a iniciativa de criá-la, passando pela escolha do nome, a maioria das composições, as iniciativas para gravar os discos, a produção de cada um, o projeto gráfico, tanto dos discos quanto de todo o resto, o site, a BLUEZinada!, os projetos, uma boa parte dos equipamentos, praticamente todos os shows, viagens, a cerveja da banda e uma lista interminável de coisas que tornariam este texto ainda mais tedioso, partiu exclusivamente de mim. Em resumo, estou há oito anos batalhando praticamente sozinho pra fazer a DB conquistar seu lugar ao sol.
É importantíssimo ressaltar que isso não foi um ato de autoritarismo, à la Roger Waters: sempre evitei e me incomodei em dar as cartas para que os outros apenas seguissem as instruções, mas é preciso entender uma regra da vida: existem pessoas que nasceram para liderar, e outras, a esmagadora maioria, para ser liderada. Não foram poucas as vezes em que tive que dar "aquela" bronca em meus colegas, pedindo para que me ajudassem, dividindo as tarefas. Eu sempre quis que a DB fosse uma democracia e, mesmo com tanto tempo sendo o gigante Atlas do "grupo", esta é a primeira vez em que não me refiro ao meu trabalho chamando-o de "nosso".
Falando em Roger Waters, após ler uma biografia do Pink Floyd percebi que ele passou pela mesma frustração que eu: ser um membro ativo da banda enquanto o restante era inerte. Daí veio sua fúria ao chamar a banda de "meu bebê". Quando saiu, David Gilmour passou a carregar esse fardo, e não aguentou por muito tempo, obviamente. Hoje eu entendo perfeitamente, e nunca mais falei de músicos autoritários sem antes entender um pouco do contexto. Vivendo e aprendendo.
O fato é que passei tempo demais sustentando o "sonho da banda democrática feita por amigos com mesmos direitos e deveres". Provavelmente por isso ainda esteja aqui no interior da Bahia, onde é preciso batalhar sabe-se lá quantas vezes mais do que algum blueseiro paulistano, por exemplo, pra conseguir um showzinho simples, num bar pequeno. A sensação é exatamente o que o produtor Geovane Bento chama de "artista hamster", onde se corre incansavelmente numa esteira, mas não se sai do lugar.
Para não ficar em mais choradeira (até porque eu detesto isso), o resumo dessa parte é: eu estou exausto de tanto correr nessa esteira e não sair do lugar.
A DB teve várias pessoas diferentes em sua formação e esta última foi a que me deixou mais esperançoso. Parecia que finalmente a banda definitiva havia chegado: eu tinha bons músicos, amigos, criamos um ciclo de ensaios de 8 a 12 horas semanais por mais de um ano, gravamos dois clipes, lançamos um álbum, criamos um podcast, lançamos nossa cerveja, e estávamos cheios de planos. A DB estava prestes a passar de um CNPJ de MEI (o meu, claro) para uma sociedade Ltda., onde criaríamos nosso próprio merchandising e várias ideias ainda ótimas e inovadoras. Comprei vários cursos de music business, mas notei que o interesse em estudá-los era apenas... Meu!
A banda estava se encaminhando para se tornar uma empresa que teria várias formas de gerar renda e nos trazer o sonho de viver bem de música, ainda que num nicho específico. O problema é que isso é um parque de diversões para alguém com um objetivo claro e definido como o meu, mas pode ser assustador para alguém que ainda está em cima do muro: "viver de música ou seguir uma profissão convencional?". Bom, eu vivo exclusivamente de música desde 2014 e estou muito bem e feliz com isso, obrigado.
A crise política e econômica do ano passado atingiu a todos: a falta de grana fez muita gente "se virar nos trinta" para pagar suas contas e com a gente não foi diferente: foram tempos difíceis que só agora estão ficando para trás, ao menos para mim. A convivência com pessoas faz com que sejamos, com o tempo, capazes de detectar SINTOMAS. Quando Rômulo Fonseca (ex guitarrista) anunciou sua saída, em 2016, eu já sabia que isso aconteceria ao menos uns quatro meses antes. E falei para os outros se prepararem. Foi na mosca!
No final do ano passado, o guitarrista Lavus Bittencourt estava estranho. Percebi os sintomas. Pouco tempo depois, já em 2017, ele anunciou que se mudaria para Salvador, ou seja: estaríamos sem guitarrista. Isso foi o estopim: percebi que os membros restantes, Nephtali (bateria, graduado em Direito) e Rodrigo (baixo, especialista em técnicas gráficas) estavam com os mesmos sintomas de desânimo. Percebi que já não adiantava mais falar palavras de incentivo e otimismo: passei a apenas esperar o dia em que me anunciariam a saída, como sempre fiz. Foi na mosca!
Após gravar o BLUEZinada! Podcast #005, Neph o fez. Anunciou não só que deixaria a banda, mas que passaria a se dedicar totalmente ao Direito. Não queria mais saber de ser músico. Rodrigo havia anunciado algo parecido alguns dias antes, por WhatsApp: passaria um bom tempo viajando a trabalho, sem previsão de retorno. Aqui estou eu, novamente sozinho, com a DB nas mãos, e alguma atitude a tomar.
Mesmo prevendo e acertando tudo o que aconteceu, não pude evitar o abalo. O que fazer? Achar músicos de blues é extremamente difícil por aqui e não é qualquer um que é capaz de tocar esse estilo: ou você tem o hábito de escutar naturalmente ou, mesmo sendo um maestro, não será capaz de tocar com o famoso feeling. Não, não é frescura: já me cansei de ouvir músicos dizerem que "blues é fácil", mas não saberem o que fazer ao se deparar com o primeiro slow blues do ensaio-teste. É simples: não se meta com o que não entende. Eu, mesmo com um tempo considerável de experiência como cantor, jamais me meteria a cantar samba, simplesmente porque não é a minha praia e não ficaria natural. Eu não ouço samba no meu dia-a-dia.
Me senti sem chão desde o dia do anúncio da saída de Neph, mas sou brasileiro: sei que uma queda deve ser sempre seguida de um levantar, de cabeça erguida. Primeiro tive que olhar o todo e entender de uma vez por todas: são oito anos de estrada, sendo o líder. Simplesmente é tarde demais para aceitar que um novato apenas chegue, assuma seu lugar ao "trono" e tenha o mesmo poder de decisão que eu tenho, sem ter passado pelo processo de construção que enfrentei praticamente sozinho. Demorei para entender, ou aceitar isso, e sei que minha busca por essa democracia foi mera ilusão e perda de tempo. Percebi que até mesmo minha parte musical ficou em segundo plano: composições, estudo de instrumento, tudo ficou para trás por acumular tantas funções.
Em segundo lugar, tive de ser realista: se em todo esse tempo não consegui achar a minha banda definitiva em minha cidade-natal, que sempre fiz tanta questão de enfatizar, a chance de isso acontecer é quase nula agora. Definitivamente, a única saída é... Sair! Buscar um lugar mais adequado ao meu trabalho e que o valorize mais adequadamente. Sair da "gaiola do hamster" e encontrar meu lugar. Admitir que meu tempo em terras conquistenses já passou, e há um bom tempo. Independente de surgirem bons músicos, eu não quero mais ter uma banda aqui.
Por isso, já tenho uma ideia de onde devo ir, mas prefiro não entrar em detalhes, por enquanto. O fato é que é muito difícil encontrar quem esteja disposto a "se tornar um membro da banda", até porque ganhar esse "título" implica em assumir certas responsabilidades, que já estou careca (literalmente) de saber que a maioria esmagadora dos músicos brasileiros não está disposta a assumir. Os músicos querem tocar: não querem lidar com burocracia, contabilidade, planejamento, estudos de marketing, mexer em códigos HTML, ECAD, leis, lidar com contratantes, imprensa, etc. E o artista independente do século XXI precisa, justamente, lidar com isso tudo e muito mais. A ilusão dos caça-talentos da gravadora pomposa ficou lá no milênio passado. E, sejamos justos, a DB está longe de ser uma banda que se contenta apenas em fazer shows.
Então, não chamarei mais a banda de "banda", e sim de "projeto". No sentido de ser algo regido por uma pessoa, mas que não é sua "carreira solo". Uma banda é um conjunto de pessoas, e este não é o meu caso. De agora em diante, este é o site DO Distintivo Blue. Minha intenção é procurar músicos que queiram tocar por cachês, os famosos freelancers. Não vou mais implorar a ninguém que divida tarefas comigo: vou continuar fazendo, como sempre foi, mas sem a frustração de ser o único que aparentemente está interessado no assunto. Sei que, com o tempo, os músicos que serão fixos aparecerão, e até mesmo podem estar dispostos a ser "membros da banda", mas não estou mais esperando: quando surgirem essas pessoas, o bonde já estará andando e cada um terá suas glórias proporcionais ao seu próprio esforço. Não dá mais pra deixar o tempo passar enquanto espero boa vontade e garra de terceiros.
Então, este é o motivo de O Distintivo Blue não estar com shows marcados, novos vídeos, novidades e tudo o mais. A formação atual é apenas o velho Malfs de guerra, que não desiste porque sabe que vai dar certo, mais cedo ou mais tarde. Eu disse a seguinte frase algumas vezes nos últimos meses, respondendo a fãs e amigos: "a DB só acaba quando eu morrer". Continuo me apresentando solo ou em dupla, inclusive com ex-Joes, tocando as músicas autorais, movimentando a BLUEZinada!, gravando podcasts e tomando decisões. É uma questão de paciência e planejamento, e isso não se resolve do dia para a noite.
A internet é a versão moderna do que foi o rádio, a TV, o cinema: uma fábrica de ilusões, onde todos se esforçam bastante para mostrar apenas seu lado feliz, nas fotos em redes sociais, principalmente, mas todos somos humanos: desde eu e você até o Paul McCartney, com alegrias, frustrações, momentos felizes e tristes, perdas e ganhos. Há algum tempo pretendia contar aos que se interessam e apoiam o DB o que se passa por aqui, mas não sabia como e nem estava preparado pra cutucar mais um pouco essa ferida: não está sendo fácil, mas não tá fácil pra ninguém. Que caiamos e levantemos juntos e nos incentivando. Agradeço pelo apoio de todos, inclusive de todos os ex-membros que passaram pelo DB. Eu fiz QUASE tudo sozinho, e valorizo a contribuição que cada um deu ao projeto.
Gosto de mudanças, e isso renova as energias. O próximo álbum não se chamará mais "Todos os Dias Vol. 2" e reformularei todo o layout do site. Quando menos se esperar haverá um cartaz anunciando um show do DB. Um pouco de paciência e suspense não faz mal a ninguém. Caso você seja músico e quiser participar dessa nova fase, basta mandar um e-mail para contato@distintivoblue.com. Por enquanto manterei o formato de quarteto (voz/violão, guitarra, baixo e batera), que funcionou tão bem. Continue comigo nas redes sociais e nos sites. Grande abraço a todos,

...
Pela segunda vez teremos uma sequência de posts baseada em trabalhos acadêmicos: a primeira entrou na categoria "dissonâncias"(a que trata, ocasionalmente, de assuntos não necessariamente ligados ao blues, mas ainda com alguma relação com a nossa proposta), ao falar de Luiz Gonzaga. Agora falaremos sim do blues, nesse formato.
"Da África aos Estados Unidos e o Mundo: Blues, uma Viagem Musical" será lançada em posts semanais, todas as quartas aqui no site. De autoria do músico Leonardo Nascimento (Nova Iguaçu-RJ), foi apresentada como TCC no curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. O texto foi adaptado para a web e poderá, ao final da série, ser disponibilizado como e-book.
O texto foi disponibilizado espontaneamente pelo autor para a BLUEZinada!, o que indica que nossa missão está no caminho certo: contribuir e unir os amantes do blues pelo Brasil e até mesmo fora dele para um bem comum. Se o blues cresce, todos nós crescemos junto. Queremos acabar com a velha história que tanto ouvimos por aí, de que os blueseiros ou mesmo os músicos independentes em geral são desunidos e, por isso, pouco se consegue. Aqui é a casa do blues brasileiro, e as portas estão abertas a todos: músicos, colaboradores, e o próprio público. Todos somos amantes do blues.
Se você também gostaria de colaborar com nosso trabalho, temos um link específico para seu primeiro contato (clique aqui). Será um prazer tê-lo(a) conosco. Nos vemos na semana que vem, com o primeiro post desta nova série especial. Compartilhe, assine a newsletter e, claro, deixe sua opinião.
Comece a ler a série aqui.

...
Em 2014, ao lançarmos a coletânea "Early Days" ( http://dbjo.es/2mMsQaW ) em sua primeira edição, totalmente artesanal, com capa em origami, também lançamos a 5ª edição da BLUEZinada!, especialmente para a nossa Tour Nordeste. Tudo feito à mão, com muita vontade e dedicação.
Você sabia que todas as edições da BLUEZinada! estão disponíveis online? é só acessar http://dbjo.es/2lST4Ev
B|
Por sinal, tem edição nova no forno. Aguarde.

...
Assinar:
Postagens
(
Atom
)
IMPORTANTE: LEIA ESTES POSTS
O que está havendo...
Se você acompanhava nosso trabalho por aqui, com certeza notou que nossas atividades foram completamente paralisadas, desde dezembro de...








