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Categoria: Alex Fraga



Há eventos que iniciam através de sonhos. Com a continuidade e principalmente credibilidade, eles crescem e se tornam praticamente obrigatórios nas cidades que são realizados. Assim é o Bonito Blues Jazz Festival que acontece no período de 20 a 22 de junho na cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Esse grande sonho do produtor e empresário Afonso Rodrigues Jr e com ajuda de Carlos Porto e empresários locais, é uma realidade em Mato Grosso do Sul.

É fato! Quando se organiza um evento com muito carinho e principalmente com profissionalismo e responsabilidade, tudo sai correto. E outra coisa, muitos falaram que seria uma ousadia realizar um evento de Blues e Jazz em um Estado que tem raízes de músicas sertanejas (o que particularmente não é verdade) e nada daria certo já que não tem público para isso. Pelo contrário, pois esse ano entra em sua sexta edição e com boas novidades.

A história toda desse festival é contada no próprio site do evento que mostra que o Bonito Jazz & Blues Festival foi idealizado com o propósito de suprir essa lacuna acrescida do prazer de ouvir boa música, prestigiando músicos e bandas consagradas nos estilos do blues e jazz. Tudo começou em novembro de 2012 onde foi realizado o evento denominado “Bonito Blues”, tendo como atração um dos músicos pioneiros do Blues no Mato Grosso do Sul, o conceituado guitarrista Fábio Brum, que criou a primeira banda de blues em Mato Grosso do Sul, a Blues Band, junto com o saudoso Renato Fernandes no início dos anos 90.

Em abril de 2013 aconteceu a segunda edição do Bonito Blues, já com a participação dos renomados músicos paulistas: o gaitista Ivan Márcio e o guitarrista Giba Byblos, além do ícone do blues sul-mato- grossense Zé Pretim.  A aprovação do público foi tal que motivou a criação de um evento de maior abrangência resultando no Bonito Blues & Jazz Festival com a inclusão do “Jazz” nas apresentações. A primeira edição do evento aconteceu em novembro de 2013 com o que há de melhor no estilo musical do Estado e grandes nomes do Brasil. Teve então a participação do Zé Pretim, da banda Bêbados Habilidosos com o genial Renato Fernandes, o guitarrista Fábio Brum, o grande baterista João Bosco, responsável pelo “Jazz” no nome do Festival, além do renomado gaitista Robson Fernandes e a atração internacional, o inglês Peter Screw.

A primeira edição do Bonito Blues & Jazz Festival aconteceu graças à aprovação do projeto pelo FIC- Fundo de Investimentos Culturais do Mato Grosso do Sul, atestando a importância do evento no meio cultural do Estado e apoio da Prefeitura Municipal de Bonito. Estimulados pela repercussão positiva, os promotores deram continuidade ao festival e a segunda edição aconteceu em novembro de 2014, com a participação do guitarrista Greg Wilson, da lendária banda Blues Etílicos, da gaitista Tiffany Harp, e sendo um dos objetivos a integração com músicos do país vizinho, Paraguai, inserindo as bandas Harmonia Jazz e Jazz Trincado, de Pedro Juan Caballero.

Para a realização da segunda edição contou com o “crowdfunding” da Kickante, modalidade de financiamento coletivo que, somado ao apoio de empresas parceiras, concretizou o evento. Dando sequência, em novembro de 2015 aconteceu a 3ª edição do Bonito Blues & Jazz Festival com a participação de um dos maiores nomes do blues internacional, o guitarrista Breezy Rodio de Chicago (USA), além das conceituadas bandas do Estado, Whisky de Segunda e Dente de Ouro, com o bluesman Zé Pretim.

Em 2016 os promotores não conseguiram viabilizar o festival, fazendo com que adiassem para o ano seguinte, proporcionando a realização da 5ª edição na data inicialmente pretendida, no feriado de Corpus Christi, desta forma o 4º Bonito Blues & Jazz Festival aconteceu nos dias 15, 16 e 17 de junho, com o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e Cidadania e da Fundação de Turismo e da Prefeitura de Bonito. O evento foi realizado no CMU- Centro de Múltiplo Uso, o que representou um sucesso absoluto. 

Nessa quarta edição teve a presença de um dos maiores tecladistas do país, Adriano Grineberg, da cantora e atriz Samantha Caracante, de São Paulo e o trio Mestre Blues de Cuiabá, além das bandas sul-mato-grossense, Horse Society, Gessy & The Rhivo Trio, Dente de Ouro, Anderson Rocha & Quarteto Lisérgico e o projeto MPBlues e Zé Pretim.

No ano passado, 2018 aconteceu a 5ª edição do Bonito Blues & Jazz Festival afirmando o sucesso do evento com a vinda da mais renomada banda de blues do país, Blues Etílicos, além da dupla Jefferson Gonçalves (gaita) & Gustavo Andrade na guitarra, continuando com objetivo da integração cultural com o país vizinho, teve a participação de um dos maiores músicos do Paraguai, o gaitista e saxofonista Dominique Bernal. Dando também a importância do festival na cultura local, a edição foi aberta pela banda Tubarões do Rio Formoso, integrada por músicos bonitenses que assimilaram o blues em seus trabalhos. A 6ª edição vem com grandes novidades, é só aguardar para a divulgação nos próximos dias !


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.



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Sempre gostei das frases de Friedrich Nietzsche. Sempre gostei de ver pessoas sentindo o artista no palco, animando-se e praticamente fazendo parte de um show, além de respeitar o artista. Na quinta-feira (19), no Centro Cultural Sesc Morada dos Baís, em uma noite chuvosa e chorosa como o jazz pede sempre, a cantora Samantha Caracante mostrou ao público porque hoje é considerada uma das melhores artistas do Mato Grosso do Sul. Em apenas um ano e meio de Campo Grande, vindo de São Paulo, a cantora-atriz conquistou seu espaço definitivamente. O show, “Divinas Divas”, deixou brilhos e sorrisos de felicidades a todos que assistiram.

Mas o que tem Nietzsche a ver com o show de Caracante na Morada? É que quando vi o público cantando e dançando na voz da artista, veio na mente a frase do filósofo prussiano: “E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”. Ao contrário do belo show do talentoso Antonio Porto, que ocorreu no mesmo local, o público sentiu, assistiu e participou ativamente do espetáculo apresentado por Samantha. Respeitou a artista. Não ficou “tagarelando” como ocorreu com Porto que foi desrespeitado, apesar do grande talento que ele é.

Samantha Carancante fez o que sabe fazer de melhor: cantar com voz e corpo. No repertório, canções eternizadas pelas “divas eternas do jazz” e mesclando com alguns blues. Acompanhando a artista, grandes músicos: Gabriel de Andrade (guitarra), Ivan Cruz (baixo), Marcus Loyola (bateria) e Mayson Lucas (sax), além da participação especial do grande guitarrista e descobridor de cantoras especiais, Luís Henrique Ávila, o show começou mágico com um instrumental. O público pode ouvir, cantar e dançar canções que foram interpretadas por Etta James, Billie Holiday, Nina Simone, Julie London, Sarah Vaughan, entre outras.

Assim, Samantha começou a cantar nada menos do que “Too close for comfort” eternizada por Ella Fitzgerald, encantando a todos. Vieram “My baby justa cares for me”, por Nina Simone; “Black Coffe”, uma das que gosto muito, cantada sempre por Ella Fitzgeral.“How deep is the Ocean” (Billie Holiday); “Cry me a river” (Julie London); o instante mágico onde Samantha cantou apenas acompanhada do baixo do excelente Ivan Cruz a canção “My Love is”. Lembrou-me muito a interpretação de Holly Goligtly. Encerrou assim o primeito set com “One for my baby”; “Put the blame on mane, boys” e “All or nothing at all”. Uma parada apenas de 10 minutos para recuperar o fôlego de todos de um show impecável!

No segundo set, novo instrumental dos grandes músicos, mostrando suas qualidades. Solos fantásticos do sax do jovem Mayson Lucas, seguindo da guitarra jazzística de Gabriel de Andrade, passando pelo talentoso baixista Ivan Cruz e a bateria incrível de Marcus Loyola. Samantha retornou com “Samba e Amor” (Chico Buarque), “Fellig Good” (Nina Simone), “Streigthen up and fly rigth” (Nat King Cole) e “At last” (Etta James). Na mudança do jazz para o blues, Samantha chamou para participação especial, o guitarrista Luis Henrique Ávila que a acompanhou  a linda e inesquecível canção “Pérola Negra” de Luiz Melodia e eternizada por Gal Costa. Também teve a participação do guitarrista Gabriel de Andrade. “I Just wanna make Love to you” (Etta James), ‘”Put a spel on you”, que particularmente adoro na voz de Annie Lennox – solo de guitarra em destaque; depois praticamente encerrando, “It’s too dar hot” e finalmente “Four Women”, duas belas canções de Cole Porter.

Samantha Caracante sem dúvida é um talento raro, singular e ousado em mostrar jazz em um Estado que sempre prestigiou mais o dito “sertanejo”. Ela abre esse espaço que era praticamente vazio no Mato Grosso do Sul, diferentemente do blues que sempre teve seu espaço e a cada ano vem crescendo com surgimento de novas bandas, músicos e espaços para esse estilo maravilhoso de som. Samantha cantou as “Divinas Divas”. Ela sim é uma “Divina Diva”. Show marcante para todos que compareceram no Centro Cultural Sesc Morada dos Baís.


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.





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Bonito teve três dias de pura música em festival já consagrado

Nos últimos dias 15 a 17 o Mato Grosso do Sul se tornou o estado mais blueseiro do país, representado pela pequena e bela Bonito, a 265 km de Campo Grande. Em sua quarta edição, o Bonito Blues & Jazz Festival reforçou a ideia de que grandes festivais não necessariamente devem estar em grandes centros. Com uma grade fortemente regional, mas também com grandes nomes nacionais, o festival já promete uma quinta edição, prevista para o 31 de maio de 2018 e mais dois sias subsequentes.

A BLUEZinada! esteve lá, através do colaborador e parceiro Alex Fraga, que nos trouxe vasto e detalhado material sobre cada uma das noites. Confira abaixo:







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Público vibrou com as apresentações das bandas no Festival em Bonito.

Poderia em primeiro plano questionar muita coisa que pode ser melhorado no Bonito Blues & Jazz Festival, realizado no último fim de semana no município de Bonito – Mato Grosso do Sul. Mas, quero ressaltar em primeiro lugar que o evento que tem seu objetivo principal, a formação de um público, sem dúvida a cada ano está alcançando essa meta – que é um processo difícil e gradativo. Ouvir Blues e Jazz, e ter um público fiel em grandes centros, já é algo complicado. Agora em “terra” onde predomina o tal do “sertanejo universitário”, é mais ainda. Apostar sempre, para muitos, é coisa de maluco.

Mas esses tais “malucos” como Afonso Rodrigues Jr e Carlos Porto – promotores -, juntamente com |Luís Henrique Ávila e Clayton Sales, apostaram e apostam na consolidação do Festival. E sempre será uma luta constante, enfrentando críticas ferrenhas, como outras que podem ser captadas e acertadas para o ano seguinte. Em 2017, ocorreram alguns transtornos, como é natural em todo evento. Lembro-me que em 2012, fui no Festival Planeta Terra, no Jockey Clube de São Paulo, aconteceram graves problemas de som no show de Mallu Magalhães, que chorando teve que parar várias vezes para resolver o problema. No outro ano, tudo perfeito. Um aprendizado.

Não posso comentar aqui sobre os comentários “prós e contras” relatados pelas pessoas sobre o primeiro dia do Bonito Blues & Jazz Festival. Não estava presente e seria injusto de minha parte escrever algo. Escrevo apenas que no segundo dia, alguns percalços ocorreram sim, mas nada que deixasse a plateia impaciente. Mas, se houve transtornos na estreia, com certeza serviu de lição para que no próximo ano isso não aconteça. Na sexta-feira, segundo dia, pequenos deslizes deram o “alerta”: como a equalização do som, (pois todos sabem que ela deve ser aplicada como se fosse um tempero, na dose certa, e não com exageros); volume em determinado momento falho – o som das guitarras nos solos estava bem abaixo do esperado. Penso que esses “resquícios” ocorreram devido à mesa de som estar no palco (algo que raramente acontece nos shows). Normalmente ela está no centro onde a plateia fica. Mas de antemão digo, “não sou especialista no assunto”

Mas nada atrapalharam as apresentações das bandas que fizeram os shows da noite. Quanto à estrutura do local foi bem montada, segurança perfeita e educada, mesas e cadeiras para o público com cobertura, camarins para os artistas, serviço de venda de bebidas sem filas (um pouco cara a cerveja long neck – R$ 8,00), banheiros limpos, iluminação do palco perfeita e palco belíssimo. No entanto, devo tecer críticas em relação aos banners com fotografias de grandes mestres do blues e jazz do mundo, como BB King, Eric Clapton, John Lee Hooker, Ray Charles entre outros no palco. E pergunto pra que? Chamar o público? Eles representam o blues é claro, mas não havia necessidade alguma. O que deveria ter sim, fotos dos artistas que estavam apresentando. Valorizaria ainda mais aqueles que lutam pela permanência do blues e jazz no Estado. Acertadamente apenas a foto do cantor de blues Renato Fernandes, da Bêbados Habilidosos – justa homenagem ao grande artista sul-mato-grossense. O marketing do evento errou também em não divulgar de forma intensa o Festival na própria cidade. Não vi cartazes nos hotéis, restaurantes e bares – foram raros os folders nos balcões. Mesmo assim cerca de 1500 (mil e quinhentas) pessoas estiveram assistindo as apresentações que iniciavam pontualmente às 21 horas.

No último dia, passado o transtorno, tudo correu na melhor harmonia possível. O som não teve falhas e o show “rolou” até por volta das 2h30 da manhã, com o tradicional “jam session” (ato musical no qual músicos se reúnem e começam a tocar, de forma improvisada, sem qualquer preparação ou planejamento). Por fim, o Bonito Blues & Jazz Festival, se for analisar por alguns “tropeços naturais”, chega-se a conclusão que a organização soube consertar os problemas e estará mais cuidadosa para o próximo. Acredito que a prefeitura de Bonito e o próprio governo do Estado deveriam dar um incentivo maior para iniciativa como esta, e assim a população em geral poderia ter acesso, sem a cobrança de ingressos (mesmo com o valor barato como foi). Por fim, o evento acabou tendo um saldo positivo, principalmente pelo objetivo proposto que é despertar o interesse dos empresários do município e principalmente “formar um público” para o jazz e blues no Mato Grosso do Sul.


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.




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Zé Pretim mais uma vez fez um belo show e encerrou o Festival de Blues e Jazz em Bonito.

O show de encerramento do Bonito Blues & Jazz Festival no último sábado com o bluesman Zé Pretim foi previsível. No entanto, o inédito encontro de músicos entre o multi instrumentista Miguelito (que tocou bateria) e o melhor pianista de blues do país, Adriano Grineberg, fez lembrar aqueles momentos únicos que marcam para o resto de nossas vidas. Muita técnica e profissionalismo em jogo. Zé por sua vez estava também com seu parceiro e inseparável guitarrista, Luis Henrique Ávila e o contrabaixista, Fernando Salles.  Nada poderia sair errado. Com isso, aquele instante, poderíamos afirmar que o blues do Mato Grosso do Sul estava mais do que bem representado.

Miguelito e Grineberg não tiveram tempo de ensaiar e nem precisavam, pois são excepcionais músicos. Todo músico que toca jazz ou blues precisar, de cor, o máximo de melodias populares o possível, e os dois têm essa bagagem de sobra. Sabe-se que os grandes músicos não ensaiam tanto mesmo e em sua maioria não decide qual será a “set list” antes do momento de tocar. É olhar para o lado, dar o acorde e tudo funciona. Zé Pretim, Luis Ávila e Jorge Costa já tinham a ideia do que iriam apresentar. No entanto, os dois mestres foram na tonalidade e brilharam com improvisos maravilhosos.

Zé Pretim estava mais feliz e falante. Sabia que mais uma vez estava realizando um grande show. Começou com as suas releituras de músicas caipiras para o blues, que o fizeram dele o “bluesman pantaneiro”. “Asa Branca”, de Luis Gonzaga;  Chico Mineiro” (Tonico e Tinoco), “Rio de Piracicaba” (Tião Carreiro) entre outras de seu vasto repertório deixou o público maravilhado, principalmente porque com a participação do pianista Adriano Grineberg, em vários momentos ocorreram solos maravilhosos do verdadeiro piano blues – mesclando o som do boogie woogie, suingue, R&B, jazz entre outros ritmos, preenchendo assim a música do artista.

Zé Pretim chamou ao palco o músico Jerry Espíndola, que foi pego de surpresa, mas mesmo assim foi e cantou uma das mais conhecidas músicas do Mato Grosso do Sul, do cantor e compositor Geraldo Espíndola. “Vida Cigana” já está em seu repertório, como também a música instrumental que compôs em homenagem ao apresentador Jô Soares com sua forma rítmica. A eterna “What a wonderful word” de Louis Armstrong foi outra canção que Zé Pretim fez o público cantar e sonhar. O show foi pouco mais do previsível e o público presente referenciou outra vez o grande bluesman do Estado. Acertou mais uma vez Zé!


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.

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A banda cuiabana Mestre Blues, segunda a entrar no palco no último dia do Bonito Blues & Jazz Festival, em suas primeiras músicas sinceramente não agradou. Na realidade o pensamento foi de imediato: o que ela estava fazendo ali naquele momento onde grande parte do público havia assistido um belo show de puro jazz da cantora Samantha Caracante, que havia cantado nada menos do que  Nina Simone, Cole Porter e canções eternizadas por Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. Iniciou então com uma música autoral, lembrando a pegada do Barão Vermelho e deu continuidade com um estilo pop rock. Pareciam nervosos. O repertório inicial acredito que não era adequado para o segundo dia festival. A banda tocou “I shot the sheriff”, do Bob Marley, reggae que Eric Clapton assumiu tocar em várias apresentações, inclusive no Festival de Montreux, e o público gostou. No entanto, resolvi esperar um pouco mais, pois independentemente o que ela estava tocando, dava para notar o profissionalismo do trio de músicos.

Mas, gradativamente, Wellington Berê (baixista e vocalista), Manoel Izidoro (guitarrista) e Alberto Ramos (baterista), resolveram mostrar a arte de blues-rock, com um pouco de influência do jazz. Neste instante deu para animar um pouco e ouvir mais o trabalho da banda. Ao ouvir “Burn It Down” de Richie Kotzen, as coisas começaram a mudar radicalmente com a sintonia forte do baixo e a guitarra rasgando solos. Balanço bom e com um profissionalismo. O baixista Wellington Berê em certos momentos lembrou-me o genial Stanley Clarke. Muito balanço e sintonia. O baterista, Alberto Ramos por sua vez, às vezes teve a rapidez de Buddy Rich e a suavidade de Jack DeJohnette. Por fim, o guitarrista Manoel Izidoro, em seus solos,  mostrou que é um amante do trabalho de Stevie Ray Vaughan. Aliás, a banda deveria sim entrar com algum trabalho do Vaughan logo de cara. Mas o guitarrista manda muito bem.

A partir do momento que a Mestre Blues resolveu seguir o som verdadeiro do blues-rock, as coisas começaram a se encaixar corretamente como deveria ser desde o princípio. O repertório inicial atrapalhou a banda, mas por sua vez não tira o valor e a capacidade musical dos três músicos cuiabanos. Para terminara apresentação,a banda resolveu  tocar um cover da banda britânica de rock e new wave, Tear For Fears, que sinceramente não tinha nada a ver com festival. Ela fez um show “morno” com instantes de empolgação do público mais jovem.  A Mestre Blues mostrou que é uma boa banda, mas que precisa repensar no  repertório quando for apresentar em festivais como de Bonito que tem como proposta maior,  o jazz e blues. Poderia se encaixar talvez no primeiro dia do evento que foi dedicado praticamente ao rock n’ roll, pelo repertório apresentado.


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.





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Samantha Caracante fez um dos melhores shows do Festival de Jazz em Bonito: puro jazz.

Uma voz contagiante, afinada como o jazz se parece: isto é, com muita sofisticação e acompanhada de músicos de primeira qualidade. É assim que a cantora Samantha Caracante mostrou seu talento na apresentação no último dia do Bonito Blues & Jazz Festival. Ela substituiu a atração que estava programada anteriormente, o douradense Simão Gandhy que teve um imprevisto e não pode participar do evento, segundo os organizadores. Então a cantora trouxe três grandes músicos para acompanhá-la e amantes do jazz: Marcos Loyola (bateria), Ivan Cruz (guitarra) e Gabriel Basso (baixo).

Sinceramente nunca tinha ouvido cantar, como também vários presentes no Festival. Sem qualquer medo, simpática e com uma voz explodindo sensualidade, Samantha mostrou em cada canção, a verdadeira sofisticação de uma cantora de jazz. Com um trabalho de postura teatral, ela começou a passear  com músicas eternizadas por várias divas do jazz e blues, como Nina Simone, “For a Wille” e a interpretação impecável da música “Black Coffe”, cantada muitas vezes por Ella Fitzgerald e principalmente Sarah Vaughan.

Mas não ficou por aí. Desfrutou seu conhecimento com músicas raras e não tão de tantos sucessos assim, mas que são maravilhosas. Cantou Cole Porter, músico e compositor americano, notório pelas letras sofisticadas, às vezes vulgares, ritmos inteligentes e formas complexas. Esse artista é um dos maiores contribuidores do Freat American Songbook. Samantha conseguiu empolgar muito o público, pois cantou o puro jazz, melancólico como sempre é esse som, mas com uma ternura e beleza inconfundível.

É extremante delicioso ouvir uma cantora que mostra a beleza do jazz. Que passa para o público lembrar  e recordar de “divas” como Etta James, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou mesmo Nat King Cole. A apresentação de Samantha Caracante passou tão rápido que os pedidos de bis eram inevitáveis e assim mais uma vez mostrou seu potencial. Ela canta como se “canta” verdadeiramente o jazz. O público do festival não ganhou uma substituta de um artista que não pode comparecer e sim um enorme presente com um show impecável. Foi lindo!


Alex Fraga é jornalista, poeta, compositor e escritor. Com mais de 30 anos de carreira na imprensa, vive em Campo Grande-MS. Já publicou três livros, venceu prêmios de contos e poesia, trabalhou como assessor de imprensa, repórter, editor em diversas casas e foi editor-chefe do Jornal Diário da Serra. Hoje presta consultoria nas áreas de educação e jornalismo, onde se especializou.





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