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Categoria: Especiais
BIBLIOGRAFIA
CAMPOS, Hamilton. Caledoscópio. A história do Blues.
Disponível em < www. Caledoscopio.art.br/ > Acesso em 09 de março de 2015.
Clube de Patifes. Disponível em < www.clubedepatifes.com.br >.
Acesso em 22 de janeiro de 2015.
DECHEN, Catia. Território da Música. Café Com Blues: Tipo Exportação.
Disponível em < www.territoriodamusica.com/resenhas > .Aceso em 10 de fevereiro de 2015.
Distintivo Blue. Brazuca da Semana: Clube de Patifes.
Disponível em < www.distintivoblue.com >. Acesso em 19 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, Biografia. Disponível em < www.distintivoblue.com >.
Acesso em 15 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, Orgânico (2014) EP. Disponível em <www.distintivoblue.com >.
Acesso em 08 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, 2012, Miopia. Disponível em < www.distintivoblue.com >.
Acesso em 08 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, Distintivo Blue Tem Letras Publicadas Em Livro.
Disponível em < www.distintivoblue.com >. Acesso em 11 de janeiro de 2015.
Eu Ovo. Blues Com Bastante Cafeína.
Disponível em <euovo.blogspot.com.br>. Acesso em 06 de fevereiro de 2015.
FLORES, Rafael, O Rebucetê Entrevista: Distintivo Blue.
Disponível em <orebucete.blogspot.com.br >. Acesso em 06 de março de 2015.
KAOOS, Mariana. Conversa de Balcão: Café Com Blues.
Disponível em <conversadebalcao.com.br >. Acesso em XXXXXXXXX
Megaphone. Resenha /Máfia da Mortadela: união de brasileiros resulta em álbum independente. Disponível em < portalmegaphone.com.br. >. Acesso em 19 de janeiro de 2015.
OLIVEIRA, A. J. Revista Gambiarra. Os ensaios abertos, a dedicação à internet e a primeira turnê da Distintivo Blue.
Disponível em < revista-gambiarra.com.br > . Acesso em 07 de março de 2015.
Rock Loco. Tranquem sua filhas em casa! A Vinil 69 está de volta.
Disponível em <rockloco.blogspot.com.br >. Acesso em 09 de março de 2015.
The Backstage. Vinil 69: uma banda de rock/ rock com pitadas de rock.
Disponível em <https://thebackstageblog.wordpress.com > . Acesso em 09 de março de 2015.
Raquel Dantas nasceu em Vitória da Conquista-BA. Amante da música independente brasileira, conviveu desde cedo com vários artistas locais. Chegou a cursar Pedagogia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mas acabou desistindo para se dedicar ao desenho e à escrita. Seu primeiro livro, A Conquista do Rock, lançado em maio 2017, já nasceu pioneiro ao registrar a história da música independente local.

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| Distintivo Blue. Foto: divulgação |
O nome do grupo se deu por meio de uma expressão usada pelo amigo e irmão do atual* baixista (Lú do Blues), o qual dizia que ter o distintivo blue é ter o dom ou habilidade para fazer o blues. As influências são variadas e partem tanto dos antigos clássicos internacionais, como Robert Johnson, Jimi Hendrix e The Doors, aos brasileiros como a Legião Urbana, Raul Seixas e Barão Vermelho.
Por conta das dificuldades, começaram com um som acústico que, com o tempo, foi se expandindo e dando origem a novos trabalhos. Após o primeiro show, gravaram a canção Luar de pontal, composta para a The New Old Jam, mas que nunca foi executada. A música fez parte da coletânea Máfia da Mortadela, lançada em 2010, da qual a DB foi a única representante fora do eixo Rio-São Paulo. Segundo a entrevista com o produtor do projeto, Roberto Terremoto, para o site Megaphone, as letras retratam bem a nossa realidade, mostrando que o blues também pode ser feito em português.
No mesmo período, a banda gravou mais três músicas, a instrumental Extempore blues, por Rômulo Fonseca, De cara no blues, de Thomaz Oliveira e Blues do covarde, por Malforea. Após um ano, lançaram o primeiro EP, Aplicando A Lei, em um dos principais programas de rock da cidade, O Som da Tribo. A DB tirou cento e dez fotos diferentes para que cada unidade do disco tivesse seu conteúdo único. Por isso, a primeira edição do EP foi limitada, tornando-se raríssima**.
As iniciativas não se limitaram a gravações de CDs, encartes e questões burocráticas. Para ampliar o acesso e divulgação, lançaram no mesmo ano a BLUEZinada!. A zine é distribuída gratuitamente e produzida pelos integrantes em formato de livreto. A cada edição é possível saber, em oito páginas, sobre todas as notícias vinculadas ao grupo, com dicas culturais e textos diversos. Tudo é registrado de acordo com as necessidades da banda, por isso não existe uma periodicidade certa.
Ainda sobre a iniciativa, vale ressaltar algumas curiosidades. Muitas pessoas não sabem, mas antes de começar a ter contato com antigas bandas locais, como a Tomarock ,em 2004, e a The New Old Jam, o vocalista I. Malforea atuava como roteirista freelancer do Maurício de Sousa, cujo contato começou aos quinze anos de idade. Além disso, foi licenciado em História e tanto o Rômulo Fonseca quanto o Camilo Oliveira seguiram a vida acadêmica. Tais fatos explicam, em grande parte, a preocupação com o meio social e mostram que muito do que aprenderam não se restringiu à sala de aula, tanto que o trabalho não se limita às informações do grupo e todos podem ter acesso.
Após um ano (em 2012), a DB voltou a lançar mais um disco, o segundo EP Riffs Shuffles, Rock N`Roll, que, assim como o primeiro, traz o encarte virtual, mas com uma capa única. Com uma formação mais equilibrada de integrantes, o álbum conta com a faixa O álcool me persegue, da Cama de Jornal, e a própria Na trilha do blues, a qual trouxe grandes participações no X Festival de Música Educadora FM e o segundo volume da coletânea Máfia da Mortadela, lançado em outubro do mesmo ano.
Em entrevista para o veículo de comunicação local, O Rebucetê, a DB comentou sobre o processo de composição do disco, ainda quando contavam com a participação do Camilo Oliveira. A reportagem chama atenção para o caráter diferenciado do grupo e explica a escolha da música O álcool me persegue, da Cama de Jornal, para integrar o projeto. Para os integrantes, a versão tem uma cara mais humorada e as próprias composições não chegam a fazer parte de canções de lamentos e “dores de cotovelo”, como a maioria dos artistas que aderem ao estilo. “O pessoal tenta seguir essa linha aqui no Brasil, mas acaba em boa parte dos casos não sendo verdadeiro, é só uma questão de imitar os caras de lá”, acrescenta o ex-guitarrista.
No ano de 2013, a DB lançou o single 2012, Miopia, o qual também rendeu grandes frutos no cenário baiano. A música foi classificada para participar do X Festival de Música da Bahia e o seu título foi escolhido por meio de uma seleção realizada no mesmo site da banda. Além de se tratar de uma crítica social, parte da canção foi composta no momento em que a cidade estava em maior desespero.
Com a greve da polícia em toda a Bahia, em fevereiro de 2012, o número de violência e roubo aumentou absurdamente, deixando muitas pessoas aflitas e com medo de sair de casa. Além disso, fazia pouco tempo que a nova edição do programa Big Brother Brasil havia começado a ser transmitido pela rede Globo. Esse e outros fatos inspiraram a letra por se tratar, principalmente, de problemas reais em momentos de distrações que o próprio reality show oferecia, como aponta os trechos abaixo:
A polícia em greve
Não temos saúde
Trancados em casa
Sem ter quem nos ajude
E então se segure:
A bolsa caiu!
O mundo acabando e só se fala em Big Brother Brasil
Dinheiro
Não há por aqui
E como pode o fruto do nosso trabalho
Assim, do nada, sumir?
Televisão
Ou mundo real?
“Não tenha medo de sair de casa quando for carnaval!”
O prédio caiu
O rio transbordou
Na terra do frio
Se morre de calor
As tropas nas ruas
Com escudo e fuzil
O mundo pega fogo e só se fala em Big Brother Brasil
Tanto a canção 2012 Miopia quanto Blues do covarde e Luar de Pontal, compostas pela DB, fizeram parte da coletânea do livro Letristas em Cena, lançado oficialmente em setembro de 2013. A obra faz parte do projeto Clube Caiubi de Compositores, produzido pela Branca Tirollo, da editora Sotaques, em São Paulo. O projeto também conta com um portal, no ar desde 2008, voltado para diversos compositores, intérpretes, poetas ou produtores e demais interessados.
Em 2014, após paralisar as atividades, o grupo voltou com participações em diversos eventos e com o lançamento do terceiro EP, Orgânico, em formato todo acústico. O disco foi feito com o objetivo de mostrar a verdadeira cara da banda, de forma livre e despretensiosa, incluindo apresentações em praças, ensaios e locais do gênero. Além dos próprios trabalhos e a coletânea da Máfia, a DB fez parte de vários projetos como o Best - Brazilian Blues e o Discover: Brazilian Blues, lançados em 2013.
O último período também propiciou novas oportunidades de partir para outros estados. Os eventos, antes mais focados ao território baiano, como festival Avuador, Natal da Cidade e Festival Suíça Bahiana, abriam espaço para a realização de turnês. A passagem por outras cidades do Nordeste, no último ano, fez com que o grupo percebesse o quanto tem sido valorizado, muito mais pelo público de fora do que local. A turnê gerou uma matéria para a Revista Gambiarra, em março de 2014, cuja reportagem muito elogia o desempenho do grupo, destacando os ensaios abertos ocorridos na praça Guadalajara em Vitória da Conquista, mais conhecida como a praça da Normal.
Apesar das diferenças de idade e percalços, a trajetória da Distintivo Blue muito se compara a das grandes bandas, embora não tenha o mesmo reconhecimento. O grupo conseguiu fazer muito mais do que bandas antigas, como a Excalibur Rock Band e a Mictian, em poucos anos de existência. Atualmente, a DB vem divulgando o mais recente álbum, Todos os Dias – Vol. I, lançado em setembro de 2015.
Por outro lado a DB poderia ter feito muito mais do que o esperado se não fosse a dificuldade de manter integrantes e outros entraves. A banda passou todo o ano de 2011 em formato acústico. Inclusive, uma das maiores perdas veio em setembro da mesma época, quando o ex-baixista Junior Damaceno veio a falecer, vítima de uma agressão. A Café Com Blues também havia passado três anos parada somente para definir o estilo da banda, voltando a se apresentar na cidade em dezembro de 2013.
Hoje, comparando a história de ambos os grupos, é possível desconstruir a ideia de que a falta de profissionalismo é o principal fator responsável pelo não alavancamento de muitas bandas baianas no cenário brasileiro. Apesar da facilidade de acesso à internet e os principais veículos de comunicação, muitos grupos ainda lutam por espaço. Por não serem tão reconhecidos em âmbito nacional, o blues baiano ainda é encarado com estranheza e poucos conseguem enxergar uma evolução.
* A formação da DB já sofreu alterações, desde a composição do livro. ** A segunda edição veio com uma capa diferente e contou com patrocínio do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
Raquel Dantas nasceu em Vitória da Conquista-BA. Amante da música independente brasileira, conviveu desde cedo com vários artistas locais. Chegou a cursar Pedagogia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mas acabou desistindo para se dedicar ao desenho e à escrita. Seu primeiro livro, A Conquista do Rock, lançado em maio 2017, já nasceu pioneiro ao registrar a história da música independente local.
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Vem do samba, do agogô
Seja de que lado for
o som da nossa história
Se achegue por favor
(Café Com Blues)
* A formação atual da Café com Blues já mudou novamente, desde a composição do livro.
** Trata-se do ataque à revista sátira “Charlie Hebdo”, ocorrido na França, em janeiro de 2015.
*** A formação da Distintivo Blue também mudou desde a composição do livro.
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| Café Com Blues. Foto: divulgação |
No mesmo dia em que o Dead Billies se apresentou para o programa Musikaos, pela TV Cultura, em 2003, foi recebido com estranheza pelo público. Questionado sobre um certo produtor dizer que “o problema do rock na Bahia é que ninguém gosta de levar na base do profissionalismo”, o vocalista respondeu que, dentro de oito anos de carreira, o grupo tinha feito muito. Se as grandes bandas de rock independentes baianas representavam uma surpresa no cenário nacional, quiçá o blues?
De acordo com o autor Hamilton Coragem, “o blues não nasceu de uma emancipação em si mesma, mas de transformações da música negra sobre o efeito de novas condições socioeconômicas criadas por essa emancipação”, logo, tal aparecimento teria se dado a partir do século XIX ou XX. Embora a existência do blues na época da escravidão seja uma dúvida, é certo dizer que os cantos e lamentos entre os homens negros, durante os trabalhos forçados e as danças, serviram de grande respaldo para tal aparecimento.
Sabe-se que a palavra foi citada pela primeira vez por Charlotte Forten em seu diário, datado em 1862. Mas, ainda assim, não define claramente a expressão como um gênero ou algo referente à música. Por outro lado, em outra data, ela cita Poor Rosy, cujo relato diz: “uma das escravas me disse: 'Gosto de Poor Rosy mais do que de qualquer outra canção, mas para cantá-la bem é preciso estar muito triste e com o espírito inquieto'”. Nesse sentido, pode-se concluir que, embora a canção não seja um blues, as características eram bem visíveis, e a palavra já fazia parte do vocabulário entre os negros.
Com o fim da escravidão, a luta pelos direitos ao voto e contra a segregação racial, o blues foi se tornando mais visível. Os músicos profissionais surgiram, geralmente aqueles impossibilitados de seguir um trabalho manual, outras vezes, para atrair outros trabalhadores ou simplesmente para se expressar em meio a tantas injustiças. Desde então, todo o sofrimento e revolta do povo negro passou a ser registrado frequentemente nas canções.
Com o tempo, o gênero foi se difundindo pela Europa e França até se tornar uma influência mundial. Hoje, é cantado e tocado não apenas por negros, mas por brancos. Talvez seja, também, por isso que o blues feito no Brasil é encarado de forma tão estranha. Além disso, a música não vinha mais acompanhada de relatos de pressões e lutas sofridas por homens negros, mas sim pelo povo, incluindo as diversas origens, seja o sertanejo, o nordestino, o trabalhador, o miserável, ou mesmo a mulher, geralmente vista como quem atrai e desperta desejos.
Com a diversidade de ritmos e misturas, poucos grupos e artistas nacionais ainda são “fiéis” ao estilo. Muitos deles não são tão visíveis pela mídia, o que nos dá a impressão de que cantar e tocar blues são para poucos. Geralmente, o gênero exige do músico mais habilidade, compromisso, estudo e interação, como qualquer outro estilo pouco habitual. Consequentemente, poucos grupos chegam a durar muito. Outros só chegam ao reconhecimento tardiamente, como vem acontecendo no território baiano.
Poucos sabem, mas antes de 2003, existiam grandes grupos de blues independentes na Bahia. Um bom exemplo disso foi a Vinil 69. A banda se apresentou em Vitória da Conquis-ta, divulgando ainda o primeiro trabalho, antes de encerrar as atividades por completo. Além de ter bons músicos, o grupo fazia o público dançar cantando trechos das canções Tremendo ao som de um blues e Dentro de você. Infelizmente, a falta de espaço no cenário baiano e a desintegração dos músicos fizeram com que a banda chegasse ao fim, antes mesmo de ser reconhecida.
Na época em que a Vinil 69 estava começando, algumas ferramentas de comunicação nem existiam, como o YouTube, Orkut, Myspace e Fotolog. Em entrevista para o site The Backstage, publicada em novembro de 2010, o vocalista comentou o assunto e a dificuldade de se sobressair no cenário brasileiro, mesmo com o surgimento de tais mecanismos, anos depois, auxiliando na divulgação do trabalho autoral:
“Em 2006, fechamos uma turnê por quatro capitais nordestinas (Aracaju, Recife, Natal e João Pessoa) sem dar um telefonema, só por e-mail e MSN”, disse Leandro Araújo e acrescenta: “o boca a boca continua a principal forma de divulgação (...) A maioria só baixa o seu disco se alguém falou bem, só paga pelo show se o amigo já viu e elogiou”.
Com o crescimento da música independente, outras bandas foram surgindo, mas são poucas que conseguiram se desvencilhar de um blues regado à bebida ou desilusões amorosas. Mesmo que a Vinil 69 tenha deixado grandes marcas no cenário baiano, no momento em que o axé mais roubava o foco, as letras não deixam de ser polêmicas. Versos como “e o calor em tua boca/ me dizendo que és louca/ e tem prazer em apanhar”, podem dar uma impressão bastante superficial de como a mulher é tratada, além de pouco abrir espaço para outros temas e estilos. É nesse sentido que, em contrapartida, se destacam duas bandas conquistenses, a começar pela Café Com Blues.
Formado em meados de 2005, o grupo continua, mas com algumas alterações, com a presença do vocalista Diro Oliveira (gaita e flautas), Thomaz oliveira e Lúcio Ferraz (guitarras), Luciano PP (baixo), Horton Macedo (sax tenor), Emílio Bazé (percussão), Abdalan da Gama e Daniel Novaes (trompete) e Paulo (trombone). No momento atual, a banda deixou de contar com a participação do guitarrista Júlio Caldas, que deixou o grupo em dezembro de 2014, para se dedicar a novos projetos. Além disso, houve a entrada de Eugênio Rocha, assumindo a bateria.*
Foi quase com essa formação que a Café Com Blues se tornou destaque em vários veículos de comunicação local e do estado, como o programa Aprovado, exibido em novembro de 2012, pela TV Bahia. Essa dinâmica foi tão forte que, atualmente, os músicos passaram a contar com a presença do ator e apresentador Jackson Costa, na própria formação. A Café Com Blues também foi a única banda conquistense a participar do palco principal do Festival de Inverno Bahia, em 2008, e, atualmente, vem divulgando o trabalho do segundo CD, O Sertão é o meu Certão, ainda sem data para lançamento.
O nome do grupo se deve ao fato de Vitória da Conquista ser considerada a cidade do café, além de fazer uma alusão ao café brasileiro feito na caatinga e o modo cordial em que oferecido “em toda casa que se entra”. Por isso, também, o título Tipo Exportação do primeiro disco, lançado em 2008. A banda costuma juntar elementos nordestinos com o blues norte-americano e tanto as letras quanto a sonoridade ganharam destaque no cenário baiano, como as faixas De repente um Blues e Blues na Caatingueira, as quais apresentam um caráter bastante repentista.
No sertão
Pé rachado caatingueira
Carcará
Quando é que vai chover?
No topo da serra, um murundú
A cerca a seca, demarcando a região
Uma paisagem bela no sertão
É onde nasce o improviso
De um broto nasce um riso
Flora no ser coração
15, 14, 13, 12, 11
10 e 9
Só faz lama quando chove
E enche o riacho Gramum
Pássaro preto é Anum
Que o bico trás o vinco
8, 7, 6 e 5
4, 3, 2 e 1
Na lua cheia uma paisagem prateada
Mandacaru retém água pra viver
O solo seco é a riqueza dessa terra
A vela, a reza para o que vem acontecer
“Chuveu na cabiceira" Riachão
É onde nasce o improviso
De um broto nasce um riso
Flora no seu coração
Em um comentário para o site Território da Música, postado no mesmo período, a autora Cátia Duchen, compara a sonoridade do grupo com um dos ícones do rock baiano: “são baianos, e não pude deixar de reparar numa certa semelhança com Raul Seixas. A ousadia nas misturas de ritmos e gêneros musicais realizada por Raul décadas atrás é vista agora na Café com Blues. Certamente que são estilos diferentes, mas causam o mesmo efeito de fascínio sobre as pessoas”.
Importante lembrar que juntar o rock e o blues com elementos nordestinos não é mais uma surpresa para o cenário independente brasileiro. Em Feira de Santana (BA), a banda Clube de Patifes se destacou no cenário por conseguir equilibrar o sofrimento da música afro-americana e o forró da música tradicional. Inclusive, foram chamados de “candomblues” pela canção Um dia blue, do disco Com Um Pouco Mais de Alma, lançado em 2010. O grupo também passou por Vitória da Conquista, participando de vários eventos, como o projeto Noites Fora do Eixo, Grito Rock (2010) e o Festival Suíça Bahiana (2011).
Embora, atualmente, a Café Com Blues conte com um estilo mais definido, com canções que remetem ao olhar sertanejo, ou à caatinga, algumas canções, presentes no primeiro álbum, contaram com outros temas, como a faixa Jornal da manhã. Versos como “os homens enchem as carteiras/ e eu aqui sem grana tomando o meu café da manhã” e “o papa beija o solo da terra/ e ainda não há paz entre as nações”, muito se adequam à realidade atual. Nesse sentido, destaca-se o terrorismo e guerras que vêm amedrontando diversos países, incluindo os EUA e a França, como o último atentado contra a imprensa local**, tema também presente na faixa Cultura. Mesmo não tratando sobre o caso, o autor atenta para a liberdade de expressão e aponta para a necessidade de valorizar as diferentes expressões artísticas e costumes, independente da origem.
Mas, ainda que o blues esteja bastante presente na banda, é com a Distintivo Blue que o gênero vem de forma mais intensa. O grupo surgiu em 2009 e, atualmente, segue formado por Lavus Bittencourt, (guitarra, violão), Rodrigo Bispo (contrabaixo), Nephtali Bittencourt (bateria) e o Plácido Oliveira (voz, gaita, violão, guitarra), mais conhecido como I. Malforea***. Este produz, compõe e gerencia o próprio site que está em constante movimento sobre as novidades vinculadas ao estilo.
* A formação atual da Café com Blues já mudou novamente, desde a composição do livro.
** Trata-se do ataque à revista sátira “Charlie Hebdo”, ocorrido na França, em janeiro de 2015.
*** A formação da Distintivo Blue também mudou desde a composição do livro.
Raquel Dantas nasceu em Vitória da Conquista-BA. Amante da música independente brasileira, conviveu desde cedo com vários artistas locais. Chegou a cursar Pedagogia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mas acabou desistindo para se dedicar ao desenho e à escrita. Seu primeiro livro, A Conquista do Rock, lançado em maio 2017, já nasceu pioneiro ao registrar a história da música independente local.

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Em maio anunciamos aqui na BLUEZinada! o lançamento do livro A Conquista do Rock, de Raquel Dantas. Trata-se de uma obra pioneira, cujo tema é a cena musical independente em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia: nunca antes uma obra literária inteiramente dedicada ao tema havia sido produzida na região. O rock e suas várias vertentes são o carro-chefe do texto, mas o blues não foi esquecido, recebendo um capítulo inteiro em sua homenagem.
O blues, como costumo dizer, é o alternativo ao que se costuma chamar de alternativo (embora não use mais a expressão "alternativo" ao me referir à música independente): nem mesmo entre os mais ortodoxos roqueiros é fácil encontrar quem ao menos tenha uma ideia clara de o que é o blues. Muitos músicos o subestimam, inclusive, com as já batidas frases do tipo "blues é fácil de tocar". Bem, basta vê-los se aventurar a tocá-lo ao menos uma vez para a dura realidade vir à tona: blues é muito mais feeling do que técnica.
Por esse motivo, bandas de blues sempre serão mais raras que as de rock, e não poderia ser diferente neste caso: basicamente o capítulo trata das duas bandas mais expressivas do gênero, a Café com Blues e a Distintivo Blue, que possuem origens que se entrelaçam consideravelmente. São as duas únicas bandas autorais que se tem notícia na cidade ou, ao menos, as únicas que gravaram e lançaram material autoral.
O livro já está à venda no site da editora e pelas mãos da própria autora, que nos concedeu uma entrevista quando do lançamento, contando sua trajetória e contextualizando a obra (link ao final do texto). Agora, é com imensa alegria que anunciamos a disponibilização, pela autora e a editora, de um capítulo do livro na íntegra, com exclusividade à BLUEZinada!: justamente o capítulo sobre o blues, para você ter acesso a uma boa amostra do material.
O texto será lançado em formato de minissérie especial, em quatro capítulos, um por dia, sendo esta introdução o primeiro, o segundo focado na Café com Blues, o terceiro na Distintivo Blue e, o quarto, finalizando com a bibliografia. Este é um texto valioso aos que se interessam pela história do blues nacional, formada pelas histórias e regionalismos de cada região, ainda muito pouco documentados.
Claro, nós recomendamos que você adquira uma cópia física do livro e confira todas as suas histórias. São quase duzentas páginas de informações inéditas, que certamente servirão de bibliografia para obras futuras. Confira abaixo o índice deste especial:
#1 - Introdução (esta página)

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Terminada a série Da África para os EUA e o mundo: blues, uma viagem musical, a BLUEZinada! já anuncia sua nova empreitada: Jazz: um filme de Ken Burns, por I. Malforea é uma homenagem a este incrível trabalho lançado em 2001 para a TV e relançado em 2002 no Brasil. Nesta série analisaremos cada um dos doze volumes, abordando desde o filme em si até os livretos que os acompanham. Buscaremos também disponibilizar trechos ou trailers. Confira abaixo os títulos:
1 - Nascimento em New Orleans (1890-1917)
2 - Começa a era do jazz (1917-1924)
3 - De voz da rua a grande arte (1924-1929)
4 - Big bands contra a depressão (1929-1934)
5 - Swing, o som da reconstrução (1935-1937)
6 - Grandes estrelas em cena (1937-1939)
7 - A trilha sonora da guerra (1940-1942)
8 - O canto da democracia (1943-1945)
9 - Desbravadores de caminhos (1945-1949)
10 - Um nome, muitos estilos (1949-1955)
11 - Mutações genéticas (1956-1960)
12 - Globalização e renascimento (1960-2009)
Cada título terá seu post específico, e teremos alguns extras, de contextualização. Ao final da série teremos um bom material de referência para os que desejam se aprofundar no tema. Você também pode sugerir abordagens ou mesmo enviar seu texto para integrar o especial. Para isso, basta entrar em contato conosco pelo bluezinada@distintivoblue.com ou por alguma das nossas redes sociais.
I. Malforea é cantor, compositor, líder da Distintivo Blue e autor da BLUEZinada!. Licenciado em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, escolheu não seguir a carreira de professor, mas busca dar sua contribuição gerando conteúdo com os recursos disponíveis.
A série terá início em 6 de setembro e será semanal, com novos posts sempre às quartas feiras.

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Neste episódio:
Link principal do episódio:
Da África para os EUA e o mundo: blues, uma viagem musical (série completa)
Baseada no Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro produzido por Leonardo Nascimento, esta série de posts aborda o blues tanto no contexto histórico quanto em sua estrutura, além de alguns dos seus principais ícones. Destaque para a abordagem sobre o aprendizado do estilo musicalmente, onde o blues brasileiro marca presença.
Citados no episódio:
Leia! Ouça! Assista!
Leonardo Nascimento: The Blues (Martin Scorcese) - 2003
I. Malforea: O Livro do Jazz (Joaquim-Ernerst Berendt, Günther Huesmann)
I. Malforea: O Livro do Jazz (Joaquim-Ernerst Berendt, Günther Huesmann)
Playlist oficial do episódio:
Produção, gravação e edição por I. Malforea
Dúvidas, críticas, sugestões e outros comentários aqui embaixo ou por e-mail: bluezinada@distintivoblue.com
Todas as opiniões emitidas neste episódio são pessoais e não representam necessariamente a postura da Distintivo Blue ou da BLUEZinada!.
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* Robert Johnson - The complete recordings disc 1 and 2
* Son House - The original Delta Blues Columbia/Legacy 1998
* The Chess story cd´s 1,2,3,4,5 e 6 1947-75 Chess Records
* The complete Aladdin recordings Lightnin´ Hopkins EMI blues series 1991
* Clarence Gatemouth Brown - American music, Texas style Polygram records,inc. 1999
* Clarence Gatemouth Brown - Back to Bogalusa Real Records 2001
* John Mayall & the bluebreakers with Eric Clapton London Records 1977
* Gary Moore - Blues alive Virgin Records 1993
* B.B.King - Blues on the Bayou MCA Records 1998
* American folk blues festival 80´cd´s 1,2,3 e 4 L+R Records 1980
* Johnny Winter - Johnny Winter Columbia 1969
* Koko Taylor - What it takes MCA Records 1991
* Muddy Waters - Eletric Mud Chess Records 1968
* Eric Clapton - Slowhand RSO Records 1977
* Charlie Patton - Founder of Delta Blues Yazoo 1929-34
* Living Chicago Blues volumes 1 e 2 Alligator Records 1978
* Living Chicago Blues volumes 3 e 4 Alligator Records 1980
* Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - Texas Flood EPIC/Legacy 1983
* Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - Greatest Hits EPIC 1995
* Bessie Smith - The essential Bessie Smith Columbia/Legacy 1997
* B.B.King - Live in cook county jail MCA 1971
* Robert Cray - Who´s been talkin´ Mercury 1980
* Mahalia Jackson - Gospel,Spiritual & Hymns- disc 1 e 2
* John Lee Hooker - Chill Out Virgin 1995
* Bob Dylan - The freewheelin´ Columbia 1975
* Willie Dixon - The big three trio Columbia 1990
* Buddy Guy& Junior Wells - Play the Blues Atlantic 1972
* Jimi Hendrix - Blues Legacy Records 1970
* Muddy Waters - Folk singer 1964
* Eric Clapton - 461 Ocean Boulevard RSO Records 1974
* Eric Clapton - Blues RSO Records 1999
* Cream - Disraeli Gears Polydor 1967
* Freddie King - Getting Ready…Chess Records 1971
* Bonnie Raitt - Silver lining Capitol Records 2002
* Crucial slide guitar Blues - Alligator Records
* Dr.John - The night tripper Atlantic Records 1968
* Kenny Wayne Shepperd Band - Trouble is…Revolution 1997
* Celso Salim - Big city Blues GRV discos 2007
* Jefferson Gonçalves - Encruzilhada Blues time records 2011
* Big Bat Blues Band- Haze Hot Blues Independente 2012
* Taryn Spilman - Negro Blue Blues time records e Niterói Records 2011
* Rodrigo Nézio, Jefferson Gonçalves e Duocondé Blues - Hello, pretty baby Blues time records 2011
* Celso Blues Boy - Indiana Blues Spotlight Records 1996
* Alamo Leal - Alamo Leal Delira Música 2009
* Blues Etílicos - The Best of Blues Etílicos Eldorado 1998
* Fernando Noronha&Black Soul - Blues from hell Novo disc Manaus 2000
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