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Categoria: John Mayall
Episódio X: I. Malforea convida Filipi Junio (Southern Rock Brasil), Gui Grazziotin (We and the Devil Blues) e Gederson Ferreira (Volume Onze) para um bate papo sobre um momento decisivo na história da indústria musical: a Invasão Britânica. Como este movimento revolucionou a cultura mundial através da música? Descubra tudo agora.
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Neste episódio:
Links do episódio:
Citados no episódio:
Volume Onze: 50 anos do Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band
BLUEZinada! Podcast #009 - Leonardo Nascimento
Theodor Adorno e indústria cultural (PDFs)
Músicas inglesas no Top 10 americano antes dos Beatles (aguarde link)
Distintivo Blue no Southern Rock Brasil
Distintivo Blue no We and the Devil Blues
BLUEZinada! Podcast #009 - Leonardo Nascimento
Theodor Adorno e indústria cultural (PDFs)
Músicas inglesas no Top 10 americano antes dos Beatles (aguarde link)
Distintivo Blue no Southern Rock Brasil
Distintivo Blue no We and the Devil Blues
Leia! Ouça! Assista!
Filipi Junio - Artigo: A influência do blues no rock and roll (Tully Collura) | Livro: BB King - Corpo e alma do blues (BB King, David Ritz);
Gui Grazziotin - Série: Hatfields & McCoys (2012) | Trilha sonora
Gederson Ferreira - Filme: Aconteceu em Woodstock (2009) | Filme: Walk the Line (2005)
I. Malforea - Filme: Red, white and blues (2003)
Gui Grazziotin - Série: Hatfields & McCoys (2012) | Trilha sonora
Gederson Ferreira - Filme: Aconteceu em Woodstock (2009) | Filme: Walk the Line (2005)
I. Malforea - Filme: Red, white and blues (2003)
Nota:
A partir deste episódio não usaremos mais trilha sonora de outros artistas, para evitar problemas com direitos autorais. De agora em diante o podcast terá uma trilha incidental fixa. Falaremos mais sobre isso em breve.
Erratas:
00:08:05 - Digo, Robert Plant, não Robert Johnson;
00:14:00 - O primeiro álbum dos Beatles, Please Me Please Me, contém oito das 14 faixas compostas por Lennon e McCartney.
Trilha sonora:
Produção, gravação e edição por I. Malforea
Dúvidas, críticas, sugestões e outros comentários aqui embaixo ou por e-mail: bluezinada@distintivoblue.com
Todas as opiniões emitidas neste episódio são pessoais e não representam necessariamente a postura da Distintivo Blue ou da BLUEZinada!.
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Em 1966 a união entre o pioneiro do blues inglês, John Mayall, e um guitarrista de rock que ganhava notoriedade em Londres, Eric Clapton, resultaria em um dos discos mais importantes da história. Bluesbreakers with Eric Clapton é considerado por muitos o grande marco do blues-rock.
Dois anos antes da lendária gravação, Clapton já tinha o respeito do público roqueiro. Seu primeiro grande grupo, o The Yardbirds, mostrava grande potencial dentre as bandas da invasão inglesa: The Kinks, The Spencer Davis Group, The Troggs e outros estouravam nas rádios britânicas e começavam a ganhar fãs pelos EUA. Os Yardbirds ganhavam, gradativamente, seguidores ingleses, ainda mais após o single For your love e o LP Five Live Yardbirds. Porém o guitarrista não estava satisfeito com o som demasiadamente pop. A solução encontrada foi o abrupto abandono, já que seu desejo era tocar blues sem a pressão de empresários e gravadoras.
Por intermédio de um amigo músico, Robert Palmer, em abril de 1965, Eric entrava em contato com John Mayall, líder dos Bluesbreakers, um inglês apaixonado por blues americano e um dos responsáveis pela formação da cena do blues no Reino Unido. Doze anos mais velho, Mayall era mais experiente e grande conhecedor do estilo americano. Apesar de enorme talento (liderava os vocais, tocava teclado, gaita e guitarra base), seu primeiro disco,John Mayall Plays John Mayall, não fora bem recebido pela crítica e a banda acabou demitida pela gravadora.
Clapton sabia que a música do seu futuro parceiro era baseada num blues com fortes influências no jazz e R&B, já que conhecia dois singles do músico: Crawling up a hill e Crocodile walk. Naquele momento, o som apresentado pelos Bluesbreakers não o atraía, entretanto sentia que o certo era iniciar um novo projeto ao lado de Mayall, pois o amor ao blues tradicional era comum. Aos poucos, ele pensava, o som da nova banda se adequaria ao seu gosto, o blues de Chicago. Assim, estava selada uma poderosa parceria e a banda ainda contaria com John McVie, baixo, e Mick Fleetwood, bateria, que mais tarde formariam o Fleetwood Mac.
A partir de abril de 1965, Clapton mudou-se para a casa de Mayall e lá entrou em contato com diversos bluesmen americanos e expandiu seus horizontes (isso em uma época sem internet!). Passava grande parte do dia em seu quarto acompanhando e aperfeiçoando sua pegada na guitarra a partir da música de artistas como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Otis Rush, Buddy Guy e Earl Hooker.
Com um cachê de 35 libras por semana, o grupo rodava o norte da Inglaterra atrás de shows. A adesão de Clapton aos Bluesbreakers resultou em um fiel público e no crescimento da fama do guitarrista, a prova da sua enorme popularidade seria um grafite com os dizeres “Clapton é Deus” em uma estação de metrô. Os ingleses entravam em contato com um estilo musical novo. Se na casa de Mayall, Clapton vivia em um ambiente sério e familiar, o mesmo não podia ser dito sobre a casa de seus amigos: a vida era corrida e colorida pela experimentação das drogas, pela literatura beat e pelo cinema estrangeiro. Era um período de descobertas para o guitarrista e ele queria expandir seus conhecimentos, queria conhecer o mundo.
Tudo ia bem até que Eric e seus amigos de boemia decidem formar uma banda, Glands. O plano dos 6 companheiros era financiar uma grande viagem pela Europa com os cachês de shows em bares e pequenas casas ao longo da estrada. Evidentemente, Mayall foi pego de surpresa e teve que procurar um substituto para o guitarrista.
Os Glands passaram pela Alemanha e Iugoslávia até chegar na Grécia, onde abriam o show da banda local, Juniors, que tocava covers de Kinks e Beatles. Poucos dias depois do começo desse trabalho alguns membros do Juniors morreram em um acidente de carro e Clapton passou a tocar com a banda grega. Como ele era, de longe, o músico com mais experiência e técnica e tinha o inglês fluente, logo foi agregado à banda e passou tocar seis horas diárias, alternando com a sua banda original. Em pouco tempo, os Juniors tinham shows cheios e eram requisitados em diversas cidades. Para aflição do guitarrista, os sentimentos da época do Yardbirds voltavam e novamente Eric questionava-se: sucesso comercial x satisfação pessoal.
Depois de passar alguns meses longe, desejava o retorno. Entretanto o empresário da “banda emprestada” não aceitou a saída, o chefão tinha uma péssima reputação e tratava seus músicos como escravos. Clapton havia sido alertado sobre o preço de sua desistência: perder os braços! Felizmente, após um minucioso plano, conseguiu voltar de trem para Londres com o tecladista do Glands, Robert Palmer. Saldo da viagem: uma Gibson Les Paul, que fora deixada para trás durante a fuga e a ameaça de perder sua ferramenta de trabalho, seus braços.
Ao retornar à capital inglesa, outubro de 1965, os Bluesbreakers tinham um novo guitarrista, o talentoso Peter Green, e um novo baixista, Jack Bruce. Para o azar de Green, Clapton tinha lugar cativo no grupo e, logo, foi demitido. Essa formação durou pouco tempo, mas, para a sorte do rock, a química entre Bruce e Clapton foi imediata e explosiva. Se Jack Bruce sairia precocemente do Bluesbreakers, ocasionando o retorno de McVie, mais tarde a dupla formaria o Cream, uma das mega bandas do rock.
Após um período de pequenos shows, em abril de 1966, a banda entrava nos estúdios da Decca. O entrosamento era perfeito e Clapton estava com uma nova guitarra, uma Gibson Les Paul em vez da Gibson ES-335, e um amplificador Marshall novo, que davam um som estridente e distorcido. A gravação fora arranjada de forma que desse uma sonoridade de um show ao vivo e em apenas três dias Bluesbreakers with Eric Clapton estava pronto.
Também conhecido como “Beano”, devido a foto da capa em que Clapton lê uma revista em quadrinhos, o disco mudou o conceito de blues. Unindo o blues americano, mais denso, com uma pegada roqueira tipicamente inglesa, Mayall e Clapton foram os responsáveis por uma obra prima.
Enquanto Mayall liderava o grupo com experiência, cantava e tocava teclado e gaita, Clapton tinha liberdade para tocar de forma semelhante aos seus grande ídolos, como Freddie King. Composto por covers, como All your love (Otis Rush/Willie Dixon), Hideaway (Freddie King) e What’d I say (Ray Charles), canções autorais, casos de Little girl, Double crossing time e Key to love, e uma work song rearranjada, Another man, o álbum é perfeito do início ao fim. O disco ainda guarda uma surpresa: Clapton nos vocais de Ramblin’ on my mind, de Robert Johnson (e pensar que naquela época o músico não gostava de sua voz, segundo o próprio, demasiadamente aguda).
A partir de 1966 o blues-rock passaria por experimentações diversas e grandes discos seriam gravados, casos de Revolver (Beatles) e o Pet Sounds (Beach Boys). Contudo, Bluesbreakers with Eric Clapton mudou a trajetória do blues e do rock e tornou-se uma referência obrigatória a todos os amantes de música. Se a parceria entre Mayall e Clapton acabaria logo após o lançamento do primeiro e único álbum, já que ele formaria o Cream com Jack Bruce e Ginger Baker, o mesmo não pode ser dito sobre seu legado, que é eterno.
Postado originalmente em Coluna Blues Rock.
Postado originalmente em Coluna Blues Rock.
Ugo Pate Medeiros é editor do site Coluna Blues Rock e já colaborou em diversos sites e revistas impressas, cobriu festivais como o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival e o Psicodália. Pesquisador musical com ênfase na estadunidense, é um excelente trocador de fraldas e, nas horas vagas, um ótimo saco de pancadas no judô e no jiu-jitsu.
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Toda energia e musicalidade de um dos estilos mais bonitos e profundos da música mundial. Um ritmo que encanta o mundo com a sua força não poderia ficar de fora da Educadora FM (Salvador-BA).
O programa apresenta o que há de mais rico no universo do blues nacional e internacional. Além de muita música, traz notícias, entrevistas, dicas, tudo de mais interessante relacionado ao blues. Escute toda classe e beleza deste estilo em um programa feito por quem conhece do assunto.
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