Cat-1

Cat-2

Cat-3

Cat-4

Categoria: Leia!


Mais uma ótima oportunidade de se aprofundar no universo do blues: Aqui temos um interessante artigo escrito pelo graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba André Felipe Espínola: Uma discussão de classe e uma história social do blues no sul dos Estados Unidos. O texto foi publicado recentemente na Espacialidades - Revista Eletrônica dos Discentes do Mestrado em História da UFRN.

Trata-se de um texto que segue, como é de praxe nas faculdades de História (experiência própria falando), a linha de pensamento marxista, chamando bastante atenção à questão dos conflitos de classe. Entretanto, é muito difícil encontrar textos não-superficiais sobre o universo do blues em português, e este é um bom achado: aqui temos uma boa contextualizada na região do Mississippi do início do século XX, mostrando como uma região pantanosa se tornou um polo de agricultura (plantações de algodão) com a mão-de-obra dos negros, não raramente blueseiros ancestrais, e como a música contribuiu culturalmente a partir desse período.

O texto completo possui 37 páginas, incluindo uma boa e útil bibliografia. Você pode acessar o texto isolado ou a revista completa, com outros temas, também interessantes, mas fora do nosso contexto blueseiro. Confira abaixo:





...

Robert Plant, o vocalista do Led Zeppelin, eleito pelos ouvintes da rádio inglesa Planet Rock a maior voz do rock. Autointitulado Deus Dourado, passou a ser alvo dos holofotes a partir do dia em que conheceu um sujeito estranho e sinistro chamado Jimmy Page. Plant sempre foi o tipo de cara que despertava amor e ódio. Desde os tempos de escola tinha fama de arrogante e muito seguro de si. Era um adolescente quando os Beatles e os Stones já eram famosos. Conheceu o blues americano e nunca mais largou.

Robert Plant: Uma Vida, de Paul Rees é uma boa e rara obra que ultrapassa os limites óbvios das inúmeras biografias do Led Zeppelin. Sempre que se fala desta banda parte-se do ângulo do Page, com sua luta por um lugar ao sol com os destroços dos Yardbirds. Desta vez o filme é multicâmera e escolhemos o ângulo do garoto de Black Country, local que nunca abandonou e se tornou seu refúgio. Aqui temos uma boa narração sobre os acontecimentos pré-page: a curiosidade pela música, os conflitos em casa e apenas uma certeza: a música seria sua vida!

Muita gente não se conforma com as constantes esquivas de Plant quando o assunto é um retorno do Led (Jimmy Page é o mais inconformado, sem dúvida). Antes eu achava que ele apenas era um cantor experiente que tinha noção dos seus limites, devido à ação do tempo e o modo agressivo com o qual sempre tratou suas cordas vocais. Agora ficou bem claro que o buraco é bem mais embaixo... E sombrio!

Coincidência ou não, as grandes tragédias de sua vida aconteceram durante seus tempos de deus dourado: acidentes, problemas mil e as mortes de seu filho Karac e seu amigo John Bonham criaram uma atmosfera pesada em torno da banda, o que criou a lenda urbana de que o Led carregava consigo uma espécie de maldição. Jimmy Page, claro, envolvido com ocultismo e se afundando nas drogas só adicionava mais lenha à fogueira. O gigante, tão minuciosamente construído estava descontrolado e a mil por hora. Óbvio que mais cedo ou mais tarde algo terrível e barulhento aconteceria.

Passada essa parte presente em qualquer biografia do Led, o livro segue adiante no lento processo de renascimento de Plant, ao longo de três décadas. Plant havia se acostumado a "receber" ordens do chefe, Page, e agora deveria ser o maquinista de seu próprio trem. Foi se descobrindo como indivíduo após seu auge, o que lhe pareceu assustador. Buscou se adequar às novidades de sua época até chegar ao patamar atual, de grande gênio da criação musical, sempre cercado dos melhores parceiros. Se seus primeiros trabalhos são datadíssimos e não convencem muito, os mais recentes, a partir de Mighty Rearranger (2005) parecem de extremo bom gosto e talento.

Apesar de sempre evitar, a sombra do Led Zeppelin o persegue até hoje. São tempos dolorosos que o castigam com culpa e dor dia após dia. Para a tristeza do seu maior amigo e inimigo, Jimmy Page, que encara a banda como seu "bebê", tal qual Roger Waters com o Pink Floyd. O livro nos possibilita conhecer aspectos mais íntimos da lenda do rock, que não escondia, quando mais jovem, sua intenção de se tornar o "Elvis Loiro". Sua relação com as mulheres (milhões!) e seus projetos pouco conhecidos, como a banda de rockabilly The Honeydrippers, cujo EP está até mesmo na Spotify, camuflado, além de sua parceira da nova Band of Joy, Patty Griffin, cujo disco American Kid também conta com Plant nos vocais. Aliás, provavelmente a única mulher de quem Plant se aproximou e não se relacionou foi a bela Alison Krauss, que foi iluminada com um dos melhores discos da década passada, Raising Sand, em parceria com Robert.

Este é um livro muito bem escrito, de fácil e rápida leitura, como um bom texto de um jornalista deve ser. Curiosamente, não foi muito divulgado aqui no Brasil. O encontrei por acaso e comprei. Valeu a pena. Fundamental para os que desejam conhecer melhor tudo à volta do Led Zeppelin, e não se prende ao "mais do mesmo" tão óbvio em qualquer história sobre a banda. De quebra, ainda ganhamos bastante bagagem musical para ocupar nossos ouvidos e mentes por um bom tempo.

Robert Plant: Uma Vida
Autor: Paul Rees
Editora: Leya
Edição: 1ª (2014)
Nº de páginas: 303 + 16 (fotos)
https://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpg

CDS, MP3, MÚSICAS CIFRADAS, ZINE E TUDO MAIS NO SITE OFICIAL DA DISTINTIVO BLUE:
http://www.distintivoblue.com

ASSINE O CANAL DA DISTINTIVO BLUE NO YOUTUBE:

http://www.youtube.com/distintivoblue

SIGA A DISTINTIVO BLUE NO TWITTER:

http://www.twitter.com/distintivoblue

SIGA A DISTINTIVO BLUE NO INSTAGRAM:

http://www.instagram.com/distintivoblue

CURTA A FANPAGE DA DISTINTIVO BLUE NO FACEBOOK:

http://www.facebook.com/distintivoblueoficial

SIGA-NOS NO BANDSINTOWN E SAIBA DOS NOSSOS SHOWS COM ANTECEDÊNCIA:

http://www.bandsintown.com/DistintivoBlue

CONTRATE A DISTINTIVO BLUE:
contato@distintivoblue.com
Texto histórico expõe a mente do mestre


Nos Bastidores do Pink Floyd

Autor: Mark Blake
Editora: Generale (Évora)
Lançamento: 2012
Nº de páginas: 454 + 16 (fotos)

https://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpg

Acabo de terminar Nos Bastidores do Pink Floyd, uma grande biografia sobre uma banda que está em meu top 3 das maiores de todos os tempos, que vez em quando deixo de lado, mas que quando volto a ela, não consigo largar por meses a fio. Comprei este livro há um certo tempo e deixei na estante, para degustá-lo num momento certo. Sim, há momentos e momentos para se ler um livro. Ler é como ter um melhor amigo, companheiro de todas as horas ou confidente durante um certo período. Não há nada mais frustrante que começar a ler para depois desistir no meio do caminho. Deixei este para um momento em que me viesse aquele CLIC, e o momento finalmente chegou.

Não cabe aqui repetir informações biográficas que encontramos vastamente por aí. O livro nos dá uma noção mais exata da grandiosidade da figura do Syd Barrett. Provavelmente é a personagem mais citada em toda a obra, mesmo em tempos muito distantes da sua breve participação como membro do Pink Floyd. Eu não tinha noção do quanto esse cara influenciou toda a obra do grupo, bem como sua forma de encarar o mundo. Em segundo lugar, suponho que seja Roger Waters o mais citado. Não há como negar que me identifiquei muito com ele. As frustrações por perceber que se resolvesse cruzar os braços, simplesmente nada aconteceria e a posterior revolta e atitude azeda que isso implicaria. Obviamente, também me chamou a atenção o fato de David Gilmour passar a sentir esse mesmo peso quando da saída do baixista/letrista/produtor. Nada mais familiar.

Me agradou a obra não cair naquele velho lugar-comum de sexo/drogas. Claro, não há como fugir completamente desses temas (estamos falando de uma banda de rock, das grandes), mas sinceramente não tenho muito interesse, porque basicamente todas as biografias acabam ficando muito parecidas nesse aspecto. O Pink Floyd tem um diferencial: era formado por pessoas de carne e osso, que paradoxalmente curtiam mais fazer coisas comuns que qualquer ser humano comum faz, como jogar gamão, estar com a família, não fazer nada, etc. Espera-se de uma banda com um som tão viajante que sejam os mais loucões de todos, mas imagino que o Led Zeppelin esteja a anos-luz de (des)vantagem nesse quesito.

Um fator importante de se ler um livro como este no momento atual é de que o livro em si não basta. Toda biografia de banda traz inúmeras referências a discos, artistas, vídeos e contextos, e a internet está aqui para nos mostrar tudo, rapidamente. Quer ver o tal vídeo "Syd's First Trip", citado como caseiro e raro? No YouTube você o encontra em segundos. Quer ver como era a namorada do Syd que aparece na capa de seu primeiro disco solo? Fácil! Mais ainda: quer ver como cada pessoa do livro está, após o passar dos anos? Sem problema. Isso torna a leitura mais lenta, mas mais rica. É uma ótima experiência. Não dá mais para ler sem papel, caneta ou um computador por perto.

Mas nem tudo são flores. Esta é a primeira edição do livro no Brasil e a editora Generale (na verdade, parece ser um selo da Editora Évora) cometeu muitos deslizes, que fazem a obra merecer várias correções urgentes para a segunda. A primeira coisa que me chamou a atenção, obviamente foi a capa. O
título original é Pigs Might Fly: Inside Story of Pink Floyd, com o porco Algie flutuando sobre a Battersea Power Station, para o que seria a capa do álbum Animals (1977). A capa brasileira parece ter sido produzida por alguém que não conhece o Pink Floyd, ou apenas superficialmente. Reproduziu-se as chaminés e o porco, mas com um fundo sem lógica remetendo-se à capa do The Wall (1979). Me pareceu que a Listo Comunicação (citada nos créditos como a produtora da capa) resolveu copiar a capa original e, de repente, resolveu fazer um mix de várias capas do Floyd, de forma preguiçosa e apressada. Isso se agrava pelo fato de ter sido usada a porca fonte Floydian no nome da banda, em destaque. Esta é uma fonte que tenta imitar a original do The Wall, mas sendo mais uma feia caricatura. Mais uma prova da preguiça e pressa: se buscarmos fonte Pink Floyd no Google, a primeira opção a aparecer será esta horrível fonte. Tosco e amador, no mínimo. 

Nas orelhas do livro vemos vários depoimentos de anônimos, donos de bares, escritores de livros que nada têm a ver com o tema, músicos amadores, o que dá a impressão de que o responsável por essa parte estava mais preocupado em contar vantagem por estar na equipe da primeira edição da biografia do Pink Floyd aos amigos que encontrou numa noite qualquer. Nada contra as pessoas que aparecem, mas isso até mesmo eu poderia fazer... Ou algum amigo meu, fã da banda... Ou você, seja lá quem seja. Outro ponto negativo: muitos, mas muitos erros de digitação, incluindo o título original, nos dados de catalogação: History of Pink Floyd, ao invés de Story. Ao meu ver, o revisor também não estava muito interessado em qualidade e leu o livro com bastante desdém. Enfim, espero sinceramente que a segunda edição seja cuidadosa (eu poderia dizer mais cuidadosa, mas não detectei um cuidado mínimo para isso) com este que é uma importante obra num país em que poucas biografias estrangeiras chegam a ser traduzidas.



A obra original foi publicada em 2007, logo não aborda a morte do tecladista Richard Wright e o álbum póstumo lançado recentemente, The Endless River. Faz várias referências e deixa o leitor com muita vontade de conferir a biografia escrita pelo baterista Nick Mason, ao abordar alguns poucos fatos de seus bastidores. Apesar de tantos equívocos grotescos e inaceitáveis , é um livro indispensável a quem deseja se aprofundar um pouco no fantástico universo Floydiano, incluindo trabalhos solo de cada um dos integrantes. Espero que, na segunda edição, os porcos possam voar mais alto, como de costume. Quem sabe numa editora mais séria...

I. Malforea



Luz & Sombra: Conversas com Jimmy Page


Autor: Brad Tolinski

Editora: Globo

Lançamento: 2012
Nº de páginas: 288

https://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpg


O livro do ano, para os que curtem boa música. Este livro do Brad Tolinski foi uma grande surpresa: descobri pelo Facebook que a Globo Livros estava anunciando seu lançamento e até me interessei, mas sem dar muita bola. Depois os posts foram aumentando e fiquei realmente curioso, até que um conhecido, músico paulistano, me disse ser ainda melhor que Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra. Achei difícil, mas foi o suficiente para me convencer a comprar. Que grande surpresa! O livro é um daqueles que te prendem, e quando você menos espera já passou da página 100 há muito tempo. Tolinski é editor-chefe da revista Guitar World há mais de vinte anos, tendo entrevistado vários ícones, como BB King, Clapton e Jeff Beck, figuras que aparecem com frequência neste livro, que se divide em contextualizações no início de cada capítulo e muitas, muitas entrevistas, com o próprio Page ou com algum amigo/conhecido. 

Nas entrevistas, recebemos de bandeja inúmeros detalhes da trajetória do líder daquela que já foi considerada(e ainda o é por muitos) a maior banda do mundo. Seu aprendizado como guitarrista de estúdio, que tinha a obrigação de saber tocar vários gêneros diferentes, e sua formação e feeling como produtor. Dá pra se ter uma ideia bem clara de como o Led Zeppelin se tornou o grande amor de sua vida, e como esse assunto é sempre tratado com o máximo de zelo e cuidado por seu líder. O livro acompanha a trajetória de Page desde quando conseguiu sua primeira guitarra até os dias atuais, pós reunião na Arena O2, incluindo todas as parcerias da carreira solo, como com David Coverdale e os Black Crowes.

Para delírio dos guitarristas e qualquer pessoa que se meta com banda, estúdio, composição, etc., temos até mesmo uma seção dedicada exclusivamente a detalhar cada guitarra e amplificador usados pelo mestre, que também não esconde nada sobre os pedais e efeitos que estreou, usou e até mesmo criou em mais de cinquenta anos de carreira. Temos dicas de estúdio, como o segredo da microfonação da bateria de John Bonham e os famosos ecos reversos presentes já no primeiro álbum do Led. Claro, não poderia faltar a velha questão do ocultismo em sua vida e como ele sempre esteve presente em sua música.

Luz & Sombra(em referência à característica de se ter na mesma música os extremos de suavidade e peso, defendida e promovida por Page) mostra um lado humano do ícone da guitarra e da produção musical. São relatos raros de um homem que sempre preferiu estar cercado de mistério e, não raro, fez questão de virar as costas à imprensa, que o subestimou e menosprezou no final dos anos 60, antes do mundo inteiro cair aos seus pés. O livro também traz algumas informações que ao meu ver são até desnecessárias, como uma análise do mapa astral do guitarrista e uma análise de como seu jeito de se vestir influenciou a moda, por pessoas-referência nesses campos. Mas informação talvez nunca seja demais. 


O fato é que este é um livro que todo músico e simples amante da música deve ter. Um grande acerto da Globo Livros, a um preço justo e excelente qualidade gráfica. Se ainda tem dúvidas se deve ou não comprá-lo, ouça qualquer música do Led e confie no cara da guitarra. Ele sabe o que diz.

I. Malforea

Renato Russo: O Filho da Revolução
Autor: Carlos Marcelo
Editora: Agir (Ediouro)
Lançamento: 2012 (2ª Edição)
Nº de páginas: 416
https://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpghttps://dl.dropbox.com/u/17489549/DistintivoBlue.com/Artecete_carimbo.jpg


Descobri este livro através do Tenho Mais Discos Que Amigos. Depois de uma temporada de livros jurídicos, precisava descansar a mente com algo que eu realmente gostasse. Comprei. Enquanto esperava chegar, notei que a capa é parecidíssima com a do O Baú do Raul Revirado, cheia de fotos 3x4, recortes, fotos de páginas manuscritas e datilografadas. Quando já em mãos, notei que o miolo também tinha suas semelhanças, com fotos e manuscritos em negativo. Só depois notei que são do mesmo grupo editorial (Ediouro). Mas as semelhanças param por aí.

Ao contrário da biografia do Raulzito, a do Renato é densa. Letras bem menores e mais páginas. "Caí pra dentro". Que ótima surpresa. O livro é um trabalho minucioso e detalhista, com o objetivo de nos fazer entender quem foi o líder da Legião. Por sinal, percebe-se logo nos primeiros capítulos, um líder nato. Um garoto extremamente inteligente e muito bem-educado. Assim como o Raul, adorava falar inglês. Era o típico garoto que não raramente surpreendia o professor com mais conhecimento que o próprio.

Um aspecto bem interessante o livro é a contextualização. Não me arrisco a um número exato, mas diria que pelo menos 40% do miolo é para situar o leitor no mundo em que viveu a personagem. Com ele, conhecemos a história de Brasilia, desde os tempos em que era apenas um sonho do então presidente JK. Visitamos o golpe militar de 1964 até o seu fim, com o desastroso período do presidente Sarney. Entendemos um pouco sobre a transição musical dos anos 70 para os 90, com a demonização do rock super-trabalhado do Led-Zeppelin e Pink Floyd e a ascensão do "simplório" e direto punk rock. Também como se deu a adaptação desse novo jeito de se falar através da música para os consagrados brasileiros da MPB. Tudo isso se relacionando diretamente com O Renato, sua família e sua turma. Passa-se a entender o porquê de filhos de militares e diplomatas do Regime Militar se mostrarem tão revoltados e indignados a ponto de se tornarem referência no país.

Ao contrário do que se espera, a parte dedicada à Legião Urbana de fato é a menor do livro, apenas a ponta do iceberg. Também não faz muita falta, considerando que nos capítulos anteriores tivemos um verdadeiro raio X da mente desse grande gênio do rock brazuca. A voz grave e empostada que dava lugar à voz frágil e tímida quando descia dos palcos. Sem dúvida um personagem ímpar, que não se vê sempre por aí, nem nas ruas nem no mainstream (muito menos no que hoje chamo de mainstream alternativo).

Como é de praxe, também temos o momento pré-morte por complicações causadas pela AIDS, como das grandes lendas: depressivo, triste e comovente. Não sei vocês, mas, assim como quando da queda das Torres Gêmeas, lembro-me perfeitamente do momento em que o rádio anunciou sua morte. Os especiais em todas as emissoras me comoveram, mesmo não sabendo direito quem era o Renato Russo. Lembro de ouvir e pensar algo do tipo "poxa, eu gosto muito dessas músicas". Gostava da voz que me passava a ideia de um cara muito sério e adulto. Eu tinha 13 anos.

Enfim, este é um livro que todo amante verdadeiro da boa música deve ter em sua coleção. Não me lembro agora de uma biografia tão envolvente. Não deu vontade de parar. De quebra ainda conhecemos um pouco da história de outros ícones, como os Paralamas, Capital, Plebe, Titãs, Camisa e até mesmo o Cólera, banda punk referência até hoje, citada várias vezes durante a leitura. O que está esperando? Compre e conte um pouco da sua experiência aí embaixo.

I. Malforea
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgByjgHxBcVvgfuhQ07KedOPTF1zg_dMcGSdYIHAZKMHXCWNp0cwk467PpaJUQ-MbtCfo5IMA7dtiqAXKRaHT4EF1pXlUqG7I7TO57618ZtpV5Gzn4hFUWGZH-DeGJhePxbGcKi7S9QazRJ/s1600/Capa_Cash_Divulga.jpg
Quadrinhos alemães contam a história de um ícone da música americana


Depois de ler Castro nada mais tentador que ir atrás de mais obras do grande quadrinista alemão Reinhard Kleis, principalmente com personagens tão atraentes quanto Elvis ou Johnny Cash. Para os aficcionados por música que, como eu, não a encaram como mero pano de fundo em suas vidas, biografias de músicos são um prato cheio de grandes experiências. Em Cash - Uma Biografia não poderia ser diferente.
Segundo a introdução de Franz Dobler, escritor, jornalista musical e biógrafo de Cash, ao contrário do que se pôde pensar, este livro não pegou carona no sucesso do filme Johnny & June(2005). Ambos foram compostos praticamente ao mesmo tempo, sendo que o livro foi lançado pouco tempo depois, mostrando a mesma história de formas bem diferentes. O livro é bem mais introspectivo, trazendo momentos até sinistros, principalmente ao tocar na luta do astro contra seu vício em comprimidos. Sua relação com June Carter também é menos explicitada aqui.
O quadrinista optou por um traço mais solto e menos detalhista, o que por vezes pode confundir o leitor ao reconhecer certos personagens. Nada que não se resolva numa segunda leitura, o que serve para qualquer livro. Em compensação, ao final do livro há dez páginas de ilustrações mais detalhadas e agradáveis aos que preferem desenhos mais realistas, provando que Kleist dá sim conta do recado. Um aspecto interessante da narrativa são representações das histórias contadas nas músicas, como um videoclipe em quadrinhos. Algumas cenas são reproduzidas de fotos reais, como a ocasião em que tocou uma música de um detento de Folson Prison, chamada Greystone Chapel.
http://www.stevenmenke.com/Pictures/PicFolsomPrison2.jpghttps://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBTlNLN8fYZVVM1j2ZEV_NSlS8iko4ZmYZo2eqQzJXKaGcV42e7O82yzMMBDLdwYKNnJ-NeDn1ILZn2xS1KLMFCLZ1oNFubQ2kxe1VvRiQ33HNysP3HADnkLFZ6tBkxi2qHfNcFt5Yva-T/s400/Johnny_Cash_&_Glen_Sherley_by_Kleist.jpg
O autor se preocupou em retratar fatos documentados em fotografias

Em meio à luta contra as drogas, o romance com June Carter, os problemas com a lei, seu trauma com a perda do irmão Jack e até mesmo encontros com Elvis Presley e Jerry Lee Lewis temos ainda uma grande lição: a de que sempre temos escolha. Diversas vezes vemos alguém dizer ao Johnny que ele fez o que quis ou ele mesmo o afirmando, principalmente no que diz respeito às drogas e à vida que levava. Uma grande verdade que vale para todos nós. Este foi mais um feliz acerto da 8Inverso, editora que conheci com Castro. Estive com Elvis - Uma Biografia em mãos e percebi um traço bem diferente, ainda mais simplista. Escolhi deixá-lo para uma próxima vez. Em breve revisitarei Kleist e contarei tudo a vocês.


FICHA TÉCNICA
Título em português: Cash - uma biografia
Título original: Cash - I see a darkness
Lançamento original: 2006
Lançamento no Brasil: 2009
Autor: Reinhard Kleis
Tradutor: Augusto paim
Editora: 8Inverso
Nº de páginas: 224

I. Malforea

Leia!

Ouça!

Assista!

Cat-5

Cat-6