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Categoria: Marcelo Davera
Todo início de mês postamos o top 10 da BLUEZinada!, com os destaques do site no mês anterior. O objetivo é evitar que boas matérias "se percam" desnecessariamente com o tempo, além de fazer um registro histórico mensal do ano em que vivemos. Com o tempo poderemos pesquisar nesta seção os melhores posts da BLUEZinada!. Nas redes sociais estes posts usarão a hashtag #Top10BLUEZinada para facilitar ainda mais a pesquisa. Confira, abaixo, os dez melhores posts do mês de agosto aqui na zine sobre blues e afins, da Distintivo Blue:
Com exclusividade, a BLUEZinada! lança uma minissérie com a íntegra do capítulo dedicado ao blues do livro A Conquista do Rock, de Raquel Dantas.
No Blog da BLUEZinada! você confere tudo o que anda acontecendo nos bastidores.
O site mineiro presenteia os amantes do blues com mais uma série especial.
12/08/2017, Sesc Pompeia, São Paulo. Eddie Allen encanta o público e Marcelo Davera faz seu registro.
A cerveja oficial da Distintivo Blue saiu de linha, mas a intenção é ampliar horizontes.
É lugar-comum falar sobre a grande escassez de livros em português sobre blues. Sobre o blues brasileiro então... O jornalista Eugênio Martins Júnior dá sua contribuição com uma bela obra repleta de entrevistas.
Um fabuloso filme que traduz o sentimento do blues. Confira nossa resenha e ouça a ótima trilha sonora.
A Blues Label faz um som e entrevista um de seus grandes mentores, o guitarrista, cantor e compositor americano Ken Boumont.
Vivi Campos traz ao programa a Banda Gota, numa sensacional entrevista e som acústico.
I. Malforea convida Leonardo Nascimento, guitarrista e autor do especial Da África para os EUA e o mundo: Blues, uma viagem musical.

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12/08/2017, Sesc Pompeia, São Paulo. Eddie Allen é um músico experiente e bastante ativo. Além de liderar grupos de diferentes formações e propostas (quarteto, quinteto, uma big band de 16 instrumentistas, um grupo de jazz afro-cubano e este septeto que se apresentou no Sesc Pompeia), ele atua como educador e participa de álbuns de outros grandes músicos, já tendo gravado com feras do jazz como Art Blakey, Benny Carter, Chico Freeman e Dizzy Gillespie. O show foi centrado nas faixas de seu último disco, Push (2014), e a formação que veio ao Brasil é quase a mesma do disco, exceto pelo baterista Rudy Royston e o saxofonista Darryl Lance Yokley Iisax.
Abriram o show com “Nakia”, a primeira faixa de Push, seguida de “Whispers in the dark”, um ótimo tema com bastante suingue, e a valsa “With open arms”. As composições de Eddie Allen demonstram um grande conhecimento da linguagem jazzística e, embora enraizadas na tradição do gênero, apresentam toques de contemporaneidade aqui e ali e dialogam com outros estilos.
O show prosseguiu com “Caress”, que começa como balada mas vira outra coisa, demonstrando toda a habilidade de Allen como compositor e arranjador, e “You were never lovelier”, composição nova e única música do show que não está em Push. Em seguida, Allen disse ao público que baladas são desafiadoras para qualquer músico e anuncia a belíssima “Who can I turn to?”, composição de Antony Newly.
Já perto do final do show, Allen anuncia “Hillside strut”, que, numa apresentação só de músicas excelentes, veio a ser a mais empolgante para o público, que aplaudiu entusiasmado o solo do trompetista, seguido pelos melhores improvisos de Mark Soskin e Kenny Davis da noite e, após quase vinte minutos (que passaram voando, como sempre ocorre quando todo mundo se diverte) finalmente por um solo de bateria de Rudy Royston.
Embora demonstre claramente ser o líder do grupo, muitas vezes dirigindo as dinâmicas das canções e indicando de quem será a vez de improvisar, o trompete de Eddie Allen ocupa o mesmo espaço dos outros instrumentos no palco, cada qual com espaços generosos para improvisar. Apesar da incrível qualidade de cada membro do grupo, o destaque é mesmo das composições e arranjos, um deleite para qualquer apreciador de boa música.
O septeto fechou o show com a faixa título de Push, mas eles voltaram para o bis para executar “You and I”, de Stevie Wonder, outra música de cadência mais lenta executada com preciosismo nas dinâmicas e com improvisos mais curtos por parte de cada integrante. Um grande final para um show memorável de um grande nome do jazz.
Fiz um álbum de fotos do show que me deixou particularmente contente, pois, apesar do lugar razoavelmente grande, acho que consegui dar a algumas fotos uma cara parecida com aqueles esfumaçados bares de jazz das antigas. Confira aqui.
Marcelo Davera vive em São Paulo-SP. Apaixonado por fotografia, tem predileção especial por street photography, concertos musicais e minimalismo. Em seu blog, Fotografista, publica algumas das suas melhores capturas em shows, acompanhadas por textos sobre as apresentações, para que o leitor conheça melhor o artista e o busque por conta própria.

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11/03/2017, Sesc Belenzinho, São Paulo. Apesar de muito jovem, Igor Prado já possui uma carreira impressionante e é um grande nome do blues. Com seu talento reconhecido por gente que entende do assunto e indicado a prêmios renomados no exterior, Igor já tocou e gravou com grandes nomes do gênero e participou de festivais importantes de blues pelo mundo. Ao lado do extraordinário organista austríaco Raphael Wressnig, Igor e sua banda – formada pelo irmão Yuri Prado na bateria e Rodrigo Mantovani no baixo – subiram ao palco do Sesc Belenzinho para apresentar o álbum Soul Connection.
Abriram o show com “Young Girl”, clássico de Rudy Toombs, seguida da incrível “Mustard Greens“, mostrando que estavam ali para fazer todo mundo pular. Esta composição de Raphael Wressnig parece ter sido feita há décadas de tão calcada no que já se fez de melhor no gênero. Com seu órgão Hammond plugado em uma caixa Leslie, o cara mostra que bebeu das melhores fontes do Rhythm ‘n’ Blues e do Soul.
Depois de “The face slap swing n.5” e mais uma instrumental, chamaram ao palco o cantor norteamericano J. J. Jackson e mandaram os clássicos do R’n’B “Trying to live my life without you” (famosa na interpretação de Otis Clay), “Home at last” e “Suffering with the blues” (Todas de 1956, o que dá uma boa ideia de onde está a cabeça dos caras). Jackson é um showman de grande simpatia e excelente voz que vive no Brasil desde os anos 90 e falou com a plateia em português o show inteiro.
Depois de cantar “Don’t cry no more” (esta é mais novinha, de 1960), Jackson deixou o palco para que a banda executasse mais um par de instrumentais, um shuffle e a sensacional “It’s your thing”.
A cozinha que acompanha Igor e Raphael é excelente, especialmente o baixista Rodrigo Mantovani, com as linhas pulsantes e gordas que extraiu de seu velho baixo Kay.
Já no final do show, J. J. Jackson volta ao palco para cantar “Turning Point”, de Tyrone Davis, que tem uma ótima linha de baixo, e “Stand by me”, música que o cantor geralmente usa para terminar seus shows, recheada de mensagens de paz e amor dirigidas por Jackson à plateia.
Os álbuns de Igor Prado podem ser encontrados em plataformas de streaming e também no You Tube, onde você encontra inclusive suas aparições em programas de televisão. Agenda de shows e maiores informações sobre sua carreira estão em sua página do Facebook. Raphael Wressnig também tem bastante material na plataforma de vídeo do Google, inclusive umas performances incendiárias ao vivo como a de “It’s your thing”. J. J. Jackson tem um website bem montado e também uma página no Facebook onde se pode ter bastante informação sobre sua agenda e carreira.
Para mais fotos deste show, dê uma olhada no álbum (30 fotos) que coloquei em minha conta do Flickr.
Marcelo Davera vive em São Paulo-SP. Apaixonado por fotografia, tem predileção especial por street photography, concertos musicais e minimalismo. Em seu blog, Fotografista, publica algumas das suas melhores capturas em shows, acompanhadas por textos sobre as apresentações, para que o leitor conheça melhor o artista e o busque por conta própria.

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02/04/2017, Sesc Belenzinho, São Paulo. Nuno Mindelis foi considerado nada menos do que o melhor guitarrista de blues do mundo na edição de 30 anos da revista Guitar Player americana em 1998, um feito e tanto para um músico angolano/brasileiro. Além disso, tocou e gravou com grandes nomes do blues mundial e esteve presente nos mais importantes festivais do gênero ao longo de sua consagrada carreira. Muito bom, claro, mas sempre fico com chateado quando se fala de um músico desse calibre apenas citando seus feitos mais marcantes. O que se deveria comentar quando se trata de Nuno Mindelis é que ele é um monstro da guitarra e seus shows devem ser prestigiados por qualquer pessoa que goste de guitarra, blues ou de música boa em geral.

Acompanhado pelo baixista Bruno Falcão, o baterista Fred Barley (O Terço) e o performático tecladista Flávio Naves, Mindelis abriu o show a todo vapor com “Hugs”, do ótimo Texas Bound, álbum de 1996 que gravou ao lado do Double Trouble e outros grandes nome do blues americano. A banda manteve o gás e mostrou que não estava ali para economizar energia com um solo de bateria de Fred Barley já na terceira música.

A habilidade de Nuno com a guitarra é realmente impressionante. Ele extrai muitos timbres e efeitos diferentes usando na maioria das vezes apenas os controles de volume e tonalidade e mudando a ordem dos captadores da guitarra. Outro componente de seu timbre pessoal é o fato de ele nao usar palheta, fiel ao princípio de que “o som está nos dedos”.

Mas sensacional, mesmo, é seu fraseado exuberante. Nuno disse no show que já aos 9 anos de idade procurava tirar as músicas dos discos de B. B. King nota por nota, mas seus solos não se parecem com uma colagem de riffs e clichês que ele copiou dos grandes mestres do gênero. O blues é essencialmente música para improvisar e Mindelis demonstra fazer isso o tempo todo, misturando suas influências ao seu estilo pessoal com um senso de ginga e ritmo de cair o queixo.

Foi um show de nível altíssimo em todas as músicas, especialmente as performances de “In trouble” e “It’s all about love”. Sempre fico feliz em ver uma banda ao vivo se divertindo enquanto trabalha e esse show esteve entre os mais memoráveis neste quesito. Flávio Naves é um excelente instrumentista, mas não é todo dia que se vê um tecladista tirar o teclado do suporte para tocar segurando-o no colo, em frente ao palco. Show, minha gente, show.
Após um set perfeito, em que Nuno Mindelis inclusive andou pela plateia tocando sua guitarra, ele e banda voltam para o bis e, surpreendentemente (para mim), mandam “Brown Sugar”, dos Stones. E aí acabou. Ou não. Emocionado com o público que o aplaudia mesmo enquanto saía das poltronas em direção à porta do teatro, Nuno pega a guitarra novamente e começa “Sweet Home Chicago” sozinho no palco. Ao perceber que não ia ser só uma palinha, o restante da banda volta e todos finalizam essa apresentação emocionante.

É fácil encontrar material de Nuno Mindelis na Internet. Seu site oficial tem muita informação sobre sua carreira e é um bom lugar para ouvir toda a sua discografia. O guitarrista também atualiza com frequência sua página no Facebook, que também conta com agenda de shows, fotos e vídeos.
Quem quer ter uma ideia de como é um de seus shows, uma boa é ver a apresentação gravada no estúdio da gravadora Trama . Dessa apresentação, as performances de “In trouble” e “I know what you want“, esta última com mais de dez minutos (!) e um solo de arrepiar lá pelos 6’45”. Este e outros vídeos de Nuno também contam com o ótimo Flávio Naves nos teclados.
Marcelo Davera vive em São Paulo. Apaixonado por fotografia, tem predileção especial por street photography, concertos musicais e minimalismo. Em seu blog, Fotografista, publica algumas das suas melhores capturas em shows, acompanhadas por textos sobre as apresentações, para que o leitor conheça melhor o artista e o busque por conta própria.
Mais links: Site Oficial | Facebook | Instagram | Twitter | Flickr

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