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Nos Bastidores do Pink Floyd
Autor: Mark Blake
Editora: Generale (Évora)
Lançamento: 2012
Nº de páginas: 454 + 16 (fotos)




Acabo de terminar Nos Bastidores do Pink Floyd, uma grande biografia sobre uma banda que está em meu top 3 das maiores de todos os tempos, que vez em quando deixo de lado, mas que quando volto a ela, não consigo largar por meses a fio. Comprei este livro há um certo tempo e deixei na estante, para degustá-lo num momento certo. Sim, há momentos e momentos para se ler um livro. Ler é como ter um melhor amigo, companheiro de todas as horas ou confidente durante um certo período. Não há nada mais frustrante que começar a ler para depois desistir no meio do caminho. Deixei este para um momento em que me viesse aquele CLIC, e o momento finalmente chegou.
Não cabe aqui repetir informações biográficas que encontramos vastamente por aí. O livro nos dá uma noção mais exata da grandiosidade da figura do Syd Barrett. Provavelmente é a personagem mais citada em toda a obra, mesmo em tempos muito distantes da sua breve participação como membro do Pink Floyd. Eu não tinha noção do quanto esse cara influenciou toda a obra do grupo, bem como sua forma de encarar o mundo. Em segundo lugar, suponho que seja Roger Waters o mais citado. Não há como negar que me identifiquei muito com ele. As frustrações por perceber que se resolvesse cruzar os braços, simplesmente nada aconteceria e a posterior revolta e atitude azeda que isso implicaria. Obviamente, também me chamou a atenção o fato de David Gilmour passar a sentir esse mesmo peso quando da saída do baixista/letrista/produtor. Nada mais familiar.
Me agradou a obra não cair naquele velho lugar-comum de sexo/drogas. Claro, não há como fugir completamente desses temas (estamos falando de uma banda de rock, das grandes), mas sinceramente não tenho muito interesse, porque basicamente todas as biografias acabam ficando muito parecidas nesse aspecto. O Pink Floyd tem um diferencial: era formado por pessoas de carne e osso, que paradoxalmente curtiam mais fazer coisas comuns que qualquer ser humano comum faz, como jogar gamão, estar com a família, não fazer nada, etc. Espera-se de uma banda com um som tão viajante que sejam os mais loucões de todos, mas imagino que o Led Zeppelin esteja a anos-luz de (des)vantagem nesse quesito.
Um fator importante de se ler um livro como este no momento atual é de que o livro em si não basta. Toda biografia de banda traz inúmeras referências a discos, artistas, vídeos e contextos, e a internet está aqui para nos mostrar tudo, rapidamente. Quer ver o tal vídeo "Syd's First Trip", citado como caseiro e raro? No YouTube você o encontra em segundos. Quer ver como era a namorada do Syd que aparece na capa de seu primeiro disco solo? Fácil! Mais ainda: quer ver como cada pessoa do livro está, após o passar dos anos? Sem problema. Isso torna a leitura mais lenta, mas mais rica. É uma ótima experiência. Não dá mais para ler sem papel, caneta ou um computador por perto.
Mas nem tudo são flores. Esta é a primeira edição do livro no Brasil e a editora Generale (na verdade, parece ser um selo da Editora Évora) cometeu muitos deslizes, que fazem a obra merecer várias correções urgentes para a segunda. A primeira coisa que me chamou a atenção, obviamente foi a capa. O
título original é Pigs Might Fly: Inside Story of Pink Floyd, com o porco Algie flutuando sobre a Battersea Power Station, para o que seria a capa do álbum Animals (1977). A capa brasileira parece ter sido produzida por alguém que não conhece o Pink Floyd, ou apenas superficialmente. Reproduziu-se as chaminés e o porco, mas com um fundo sem lógica remetendo-se à capa do The Wall (1979). Me pareceu que a Listo Comunicação (citada nos créditos como a produtora da capa) resolveu copiar a capa original e, de repente, resolveu fazer um mix de várias capas do Floyd, de forma preguiçosa e apressada. Isso se agrava pelo fato de ter sido usada a porca fonte Floydian no nome da banda, em destaque. Esta é uma fonte que tenta imitar a original do The Wall, mas sendo mais uma feia caricatura. Mais uma prova da preguiça e pressa: se buscarmos fonte Pink Floyd no Google, a primeira opção a aparecer será esta horrível fonte. Tosco e amador, no mínimo.
Nas orelhas do livro vemos vários depoimentos de anônimos, donos de bares, escritores de livros que nada têm a ver com o tema, músicos amadores, o que dá a impressão de que o responsável por essa parte estava mais preocupado em contar vantagem por estar na equipe da primeira edição da biografia do Pink Floyd aos amigos que encontrou numa noite qualquer. Nada contra as pessoas que aparecem, mas isso até mesmo eu poderia fazer... Ou algum amigo meu, fã da banda... Ou você, seja lá quem seja. Outro ponto negativo: muitos, mas muitos erros de digitação, incluindo o título original, nos dados de catalogação: History of Pink Floyd, ao invés de Story. Ao meu ver, o revisor também não estava muito interessado em qualidade e leu o livro com bastante desdém. Enfim, espero sinceramente que a segunda edição seja cuidadosa (eu poderia dizer mais cuidadosa, mas não detectei um cuidado mínimo para isso) com este que é uma importante obra num país em que poucas biografias estrangeiras chegam a ser traduzidas.
A obra original foi publicada em 2007, logo não aborda a morte do tecladista Richard Wright e o álbum póstumo lançado recentemente, The Endless River. Faz várias referências e deixa o leitor com muita vontade de conferir a biografia escrita pelo baterista Nick Mason, ao abordar alguns poucos fatos de seus bastidores. Apesar de tantos equívocos grotescos e inaceitáveis , é um livro indispensável a quem deseja se aprofundar um pouco no fantástico universo Floydiano, incluindo trabalhos solo de cada um dos integrantes. Espero que, na segunda edição, os porcos possam voar mais alto, como de costume. Quem sabe numa editora mais séria...
I. Malforea

Jimmy Page em 1970 e 2013
Há um bom tempo percebi que as pessoas, mesmo sem perceber, têm medo do tempo. Preferem não pensar em quando estiverem velhas e, quando menos se espera... O tempo passou! Ainda lembro claramente de quando tentava imaginar o quão fantástico seria quando eu tivesse 18 anos. Pois bem, mal tive tempo para respirar e estou chegando aos 32.
Esse "medo" de envelhecer, do imperfeito, se reflete em nosso culto aos "ídolos". Não me lembro de ter visto alguém com uma camisa do Roger Waters velho, ou do Jim Morrison / Elvis gordo, ou do Raul Seixas inchado e digno de pena, prestes a morrer (este, aliás, é um tema que posso detalhar em breve). Sempre preferimos escolher uma imagem "perfeita" dos nossos ídolos e considerá-la eterna, a versão definitiva e oficial.
Eu, como historiador, sempre escolhi considerar os "bons" e "maus" momentos daqueles que admiro como essenciais, afinal, estamos falando de pessoas, e pessoas são falhas e imperfeitas. Isso ajudou, inclusive a me imaginar velho de uma forma menos traumática. Não posso deixar de admirar meu grande ídolo da guitarra, Mark Knopfler, no auge de sua velhice. Ou o Eric Clapton, ou o Gilmour. São caras que hoje me fariam chorar num show, como qualquer fã que xinga muito no Twitter (ok, foi um baita exagero!).
Alguns se tornaram o perfeito estereótipo do velhinho com cara de indefeso, alguns nem tanto. Outros são verdadeiros desafios à ciência pelo simples fato de ainda estarem vivos. Alguns mostram o quão saudável é assumir a velhice, outros nos mostram o quão ridículo pode ser lutar contra ela. O fato é que graças a alguns dos meus ídolos nos dias de hoje eu consigo enxergar minha própria velhice de uma forma mais tranquila, afinal, este é um dos papéis dos grandes ícones: nos dar lições de vida, como uma espécie de professores. Eu gostaria de me parecer com alguns, sem sombra de dúvida. E você? Há algum(a) velhinho(a) em quem você se inspire?

Mark Knopfler, em 1978 e 2013

Robert Plant em 1970 e 2013

Rita Lee em 1968 e 2013

Bob Dylan em 1970 e 2014

David Gilmour em 1971 e 2009

Chuck Berry em 1957 e 2012

Os Paralamas em 1982 e 2013
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* Este post foi publicado originalmente no site Troca o Disco, a qual sou colaborador. Confira mais posts e aproveite para conhecer o TDCast, podcast quinzenal dedicado à música. 
Peter Seymour, Eric Stephenson e Greg Patillo
Por I. Malforea
Whoa! Estreias* nunca são fáceis, por isso, depois de muito pensar, resolvi trazer velhos (ou nem tanto) conhecidos para a minha: há algum tempo, fuçando na ainda restrita aos EUA CD Baby, encontrei um pessoal com um som no mínimo interessante: Greg Patillo e seu beatbox na flauta transversal, Eric Stephenson, com seu cello bem clássico, mas com pitadas de rock e Peter Seymour, com seu contrabaixo altamente jazzístico. Tudo muito bem-executado, mas sem as pompas de artistas do mainstream. Era catalogado como jazz, mas ouvia-se uma grande mistura que me agradou muito, apesar do beatbox me remeter ao hip-hop, que nunca fui fã.
Aliás, o trabalho gráfico dos CDs é bastante simples e até meio tosco em alguns aspectos, o que dá uma atmosfera toda especial: são grandes músicos, mas de carne e osso como qualquer um de nós. No YouTube há vários vídeos do Projecttocando nos mais inusitados lugares, de elegantes palcos a barulhentas estações de metrô. Muito inspirador. E se a flauta do Patillo nos faz lembrar logo do Jethro Tull, eles sabem disso e trataram de dar sua roupagem à versão de Bouree no segundo disco, "Brooklyn", lançado em 2009. Aqui, um vídeo de uma execução ao vivo:
Mas nem tudo são covers. A maioria das músicas nos CDs é autoral e de uma qualidade altíssima. Vale a pena conhecer melhor e compartilhar por aí este grande trabalho. Contem aqui, nos comentários, o que acharam.
Links:
Site oficial: www.whatisproject. org/
Fanpage: www.facebook.com/ thePROJECTTrio
Canal no YouTube: www.youtube.com/user/ freedomworksfilms
CD Baby (todos os CDs à venda, com preview em todas as faixas): www.cdbaby.com/ Artist/Project
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* Este post foi publicado originalmente no site Troca o Disco, a qual sou colaborador. Confira mais posts e aproveite para conhecer o TDCast, podcast quinzenal dedicado à música.
Com o lançamento da segunda edição da coletânea Early Days (2014), com músicas dos três primeiros discos da Distintivo Blue, temos também o lançamento de mais uma edição especial da BLUEZinada!. Funcionando como um encarte, acompanha tanto a versão física quanto a virtual do disco. Traz curiosidades, letras e muita informação sobre este que já é o CD mais vendido do grupo. Colecione!
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