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O Netflix me surpreendeu ao mostrar, em seus destaques, uma figura bem conhecida: a inigualável Nina Simone. Dona de uma voz ímpar e personalidade fortíssima que já se impõe mesmo a quem nunca a escutou: basta olhar para uma de suas fotos e perceber que não era uma pessoa fácil de se lidar. Talvez esse seja o grande carma dos gênios e lendários. 

Este documentário de 1:42h nos transporta ao mundo segregado dos EUA, tão presente quando pesquisamos alguma figura carimbada do blues ou do rock primitivo. O racismo exacerbado dava a pessoas como ela duas opções: baixar a cabeça ou levantar a voz. Ambos tinham consequências, às vezes dramáticas, como foi com Martin Luther King. Nina foi uma forte ativista pelos direitos civis dos negros e bastante radical, usando o microfone para falar coisas que mesmo hoje seriam assustadoras.Imagine naquela época! 

Sua vida pessoal foi profundamente afetada pela profissional, que por sua vez sofreu as consequências de seu ativismo. Por muito tempo se sentiu exausta pelos compromissos, criando uma relação difícil com seu empresário e marido. Os desabafos sobre a violência doméstica são inevitáveis e tudo se agravou com seu transtorno bipolar. Mudou-se para a África e para a Europa, um reflexo de sua mente sempre perturbada. Mas os verdadeiros fãs jamais a abandonaram. Morreu aos 70 anos, na França e entrou definitivamente para a história.

Nina possuía uma sonoridade única, mágica e sombria, firme e intensa. Um poço de personalidade e atitude. Impossível não se deixar envolver. Confira abaixo o trailer e corra para assistir ao filme.


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* Este post foi publicado originalmente no site Troca o Disco, a qual sou colaborador. Confira mais posts e aproveite para conhecer o TDCast, podcast quinzenal dedicado à música.
Em 2010 eu tinha um emprego bem convencional: ficava atrás de um balcão numa faculdade particular resolvendo coisas que não me interessavam, lidando com pessoas que jamais lidaria por vontade própria. Me sentia um estranho no ninho, completamente solitário em meio a tanta gente. Isso até chegar as 7 da noite, quando a internet não estava uma lesma e eu conseguia abrir o player no site da rádio Eldorado (SP). Era a hora da Sala dos Professores!

O Sala era um programa curtinho, de vinte minutos, que rolou de segunda a sexta por uns sete anos, sob o comando de um cara chamado Daniel Daibem, guitarrista e pesquisador do jazz e da (boa) música brasileira. O programa tinha esse nome porque era como se os grandes mestres, como Dizzy Gillespie, Miles Davis, Louis Armstrong John Coltrane e Cannonball Adderley nos ensinassem, nesses vinte minutos o que era esse gênero musical tão amplo e misterioso. O Daniel adorava nos mostrar as conexões, as "fórmulas" e regras jazzísticas e como nossa música foi e é influenciada por ele.

Coincidiu com uma época em que eu busquei muito o jazz e aprendi muito com ele. Houve, nessa época, uma extensão do programa no Bourbon Street Music Club, o Sala do Professor Buchanan's, onde grandes músicos eram levados ao palco e, entre uma música e outra, conversavam um pouco com o Daniel e respondiam perguntas do público, sempre nesse sentido didático, para leigos entenderem. Isso era transmitido ao vivo por vídeo e alguns trechos eram apresentados no programa regular. Passaram por esse projeto nomes como Hermeto Pascoal, Dominguinhos, John Pizzarelli, Stanley Jordan, entre muitos outros. Algum tempo depois também surgiu o projeto Na Roda, também no Bourbon Street, no meio da plateia, onde Daniel e seu grupo Hammond Grooves (hoje com outra formação) sempre tinham convidados ilustres.

Como saí do emprego e mudei todos os meus horários, deixei de acompanhar, ao menos ao vivo, o programa, por isso não sei dizer quando saiu do ar, mas lembro que já estava realmente ficando repetitivo. A mensagem já havia sido passada e foi um ótimo trabalho. Felizmente a Eldorado manteve grande parte dos áudios disponível para o público, e você pode, agora mesmo, sentir um pouco ou relembrar o Sala. O link está a seguir, juntamente com o da fanpage do Daniel Daibem, que continua tocando por aí. Ainda encontrei alguns vídeos do programa no Bourbon Street. Enjoy!


* Este post foi publicado originalmente no site Troca o Disco, a qual sou colaborador. Confira mais posts e aproveite para conhecer o TDCast, podcast quinzenal dedicado à música.
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Este evento não possui qualquer relação com a Distintivo Blue e é de inteira responsabilidade de seus organizadores. O site BLUEZinada.com não escreveu o texto acima e este post constitui apenas mera cortesia na divulgação do blues nacional. Dúvidas, informações e reclamações devem ser direcionadas aos devidos produtores.


Preencha seu tempo com conteúdo de qualidade
Por I. Malforea
O TemaCast contou, em três partes toda a história dos Beatles, desde os primórdios em Liverpool até os dias atuais. A primeira parte (ou "lado A") foi lançada no mês passado no episódio #19 e no dia 1º de junho saiu o Lado B, parte 1 de 2 (episódio #20). Ontem (8 de junho) saiu a parte 2 de 2 do lado B. Imperdível!

Nós, como grandes entusiastas da mídia podcast não poderíamos deixar de indicar a vocês. Acesse, compartilhe e assine o feed para receber em seu agregador (iTunes, etc) automaticamente sempre que lançarem um novo episódio. Abaixo os links:

Lado A

Lado B, parte 1 de 2

Lado B, parte 2 de 2 

Feed do TemaCast para o iTunes
O rei do blues nos deixou nesta madrugada
Por I. Malforea
Hoje o mundo todo acordou perplexo com a notícia da morte do rei do blues, B.B King. Agora é hora de inúmeras homenagens, reportagens contando a história do velho B, coletâneas e playlists. Eu só vou contar um pouco da minha relação de fã mesmo, como mais uma homenagem a este homem tão admirável.

Não me lembro de quando o escutei pela primeira vez, mas logo de cara percebi que unia dois mundos: o da origem humilde, de quem trabalhou duramente no Mississippi rural, como boa parte das lendas do blues, e o mundo de glamour eternizado por pessoas como Frank Sinatra. B.B. King era ambos. E de forma totalmente autêntica. Aliás, é isso que caracteriza os grandes ícones: a autenticidade, unida ao carisma.

Existem algumas músicas que ficam eternizadas numa só versão, sendo muito difícil fazer releituras, como Stairway to Heaven, por exemplo. Ou se faz algo totalmente diferente com MUITA personalidade ou é melhor deixar pra lá, para não correr o risco de ser herege. Por esse motivo, nunca me atrevi a cantar The Thrill is Gone. O que fazer para não soar como uma imitação barata do rei? Este, aliás, é um tema que abordarei num futuro próximo.

Tive a sorte de estar cara a cara com o velho B, em 2010. Caí na estrada rumo a Brasília apenas para assistir ao seu show. Foi uma sensação quase sobrenatural: antes do show a banda, boa parte formada por músicos idosos, passava seu próprio som. Podíamos conversar com seus integrantes. Eram super atenciosos. Pena que meu inglês não é lá essas coisas.

Tudo pronto, eis que alguém traz uma inacreditável Gibson preta brilhando e coloca numa estante no centro do palco, tão próxima que daria para tocá-la, com um pulinho (o palco era baixinho, sem aquele esquema de segurança que estamos tão acostumados no Brasil). Sim, estive cara a cara com a Lucille e a emoção era tão grande que eu me senti anestesiado. Depois de um tempo, um sinal para que nos acomodássemos nas cadeiras e lá vinha ele, de cadeira de rodas até a entrada do palco, para depois ser auxiliado andando até sua cadeira, próximo à guitarra.

Como era possível um senhor de 85 anos ter uma voz tão potente? E notava-se que, não fosse seu peso, seria totalmente possível vê-lo andando para lá e para cá no palco, como qualquer jovem faria. Isso é uma demonstração real de alguém que trabalha com o que realmente ama. São músicas intercaladas por piadas, sorrisos e agradecimentos. Por isso achei muito estranho ouvir dizer que ano passado haviam pessoas vaiando esse mesmo homem por não conseguir cantar ou tocar direito. Sem comentários.

Todos os fãs de blues sabem que não podem contar com a presença de seus ídolos por muito tempo: Clapton, Buddy Guy, Jeff Beck e muitos outros também são idosos e dão aquela sensação de que devemos assistir ao menos um show, para garantir a despedida. Naquele mesmo ano cumpri minha missão também ao ver Chuck Berry nas mesmas condições.

Agora o velho B se foi e deixou milhões de órfãos. Sua Lucille se calou para sempre. Nunca mais veremos seus sorrisos, suas caretas e seu suor escorrendo pela testa. A mim o que restou foi essa lembrança e a satisfação de já ter visto o rei do blues pessoalmente. Também me restou um livro autografado, que ganhei de uma amiga, tempos atrás. Imagino como deverá ser, daqui para frente, a sensação de entrar no Bourbon Street, em São Paulo e dar de cara com aquele coreto de vidro com uma Lucille autografada funcionando agora como o próprio túmulo do mestre. Não há como não se emocionar.

A partir de hoje há mais uma estrela no céu, olhando e cuidando de todos nós, que amamos o blues. Como bem disse Raul, outro rei, "os homens passam, as músicas ficam". Felizmente podemos ouvir sua a voz sempre que quisermos. A cada música escutada ou tocada, uma nova homenagem mais do que merecida. O que você vai ouvir agora?


Playlist no Spotify: Ride With The King (in memory and in honor of the life and music of B.B. King, 1925-2015)


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