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"Na Trilha do Blues" é uma das músicas mais aclamadas da Distintivo Blue. Foi lançada no EP "Riffs, Shuffles, Rock n' Roll" (2012), representou os Joes em festivais e coletâneas de blues e continua dando seu recado.
Na Trilha do Blues
Letra: Thomaz Oliveira
Arranjos: Distintivo Blue
EP: Riffs, Shuffles, Rock N' Roll
Gravada em 2012 no Estúdio Drummond
Produzida por I. Malforea
Distintivo Blue
I. Malforea - voz, violão
Lavus Bittencourt - guitarra, voz
Rodrigo Bispo no Baixo - contrabaixo
Nephtali Bitencourt - bateria
Laborato Music and Entertainment
Direção: Thomaz Oliveira, I. Malforea
Imagens: Date Sena, Thomaz Oliveira
Edição: Thomaz Oliveira
Agradecimentos:
Lú do Blues
Tales Dourado
Museu Regional de Vitória da Conquista - Casa Henriqueta Prates
Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
Plácido e Adriana Gusmão
Rômulo Fonseca
© 2016 Distintivo Blue
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Robert Plant, o vocalista do Led Zeppelin, eleito pelos ouvintes da rádio inglesa Planet Rock a maior voz do rock. Autointitulado Deus Dourado, passou a ser alvo dos holofotes a partir do dia em que conheceu um sujeito estranho e sinistro chamado Jimmy Page. Plant sempre foi o tipo de cara que despertava amor e ódio. Desde os tempos de escola tinha fama de arrogante e muito seguro de si. Era um adolescente quando os Beatles e os Stones já eram famosos. Conheceu o blues americano e nunca mais largou.
Robert Plant: Uma Vida, de Paul Rees é uma boa e rara obra que ultrapassa os limites óbvios das inúmeras biografias do Led Zeppelin. Sempre que se fala desta banda parte-se do ângulo do Page, com sua luta por um lugar ao sol com os destroços dos Yardbirds. Desta vez o filme é multicâmera e escolhemos o ângulo do garoto de Black Country, local que nunca abandonou e se tornou seu refúgio. Aqui temos uma boa narração sobre os acontecimentos pré-page: a curiosidade pela música, os conflitos em casa e apenas uma certeza: a música seria sua vida!
Muita gente não se conforma com as constantes esquivas de Plant quando o assunto é um retorno do Led (Jimmy Page é o mais inconformado, sem dúvida). Antes eu achava que ele apenas era um cantor experiente que tinha noção dos seus limites, devido à ação do tempo e o modo agressivo com o qual sempre tratou suas cordas vocais. Agora ficou bem claro que o buraco é bem mais embaixo... E sombrio!
Coincidência ou não, as grandes tragédias de sua vida aconteceram durante seus tempos de deus dourado: acidentes, problemas mil e as mortes de seu filho Karac e seu amigo John Bonham criaram uma atmosfera pesada em torno da banda, o que criou a lenda urbana de que o Led carregava consigo uma espécie de maldição. Jimmy Page, claro, envolvido com ocultismo e se afundando nas drogas só adicionava mais lenha à fogueira. O gigante, tão minuciosamente construído estava descontrolado e a mil por hora. Óbvio que mais cedo ou mais tarde algo terrível e barulhento aconteceria.
Passada essa parte presente em qualquer biografia do Led, o livro segue adiante no lento processo de renascimento de Plant, ao longo de três décadas. Plant havia se acostumado a "receber" ordens do chefe, Page, e agora deveria ser o maquinista de seu próprio trem. Foi se descobrindo como indivíduo após seu auge, o que lhe pareceu assustador. Buscou se adequar às novidades de sua época até chegar ao patamar atual, de grande gênio da criação musical, sempre cercado dos melhores parceiros. Se seus primeiros trabalhos são datadíssimos e não convencem muito, os mais recentes, a partir de Mighty Rearranger (2005) parecem de extremo bom gosto e talento.
Apesar de sempre evitar, a sombra do Led Zeppelin o persegue até hoje. São tempos dolorosos que o castigam com culpa e dor dia após dia. Para a tristeza do seu maior amigo e inimigo, Jimmy Page, que encara a banda como seu "bebê", tal qual Roger Waters com o Pink Floyd. O livro nos possibilita conhecer aspectos mais íntimos da lenda do rock, que não escondia, quando mais jovem, sua intenção de se tornar o "Elvis Loiro". Sua relação com as mulheres (milhões!) e seus projetos pouco conhecidos, como a banda de rockabilly The Honeydrippers, cujo EP está até mesmo na Spotify, camuflado, além de sua parceira da nova Band of Joy, Patty Griffin, cujo disco American Kid também conta com Plant nos vocais. Aliás, provavelmente a única mulher de quem Plant se aproximou e não se relacionou foi a bela Alison Krauss, que foi iluminada com um dos melhores discos da década passada, Raising Sand, em parceria com Robert.
Este é um livro muito bem escrito, de fácil e rápida leitura, como um bom texto de um jornalista deve ser. Curiosamente, não foi muito divulgado aqui no Brasil. O encontrei por acaso e comprei. Valeu a pena. Fundamental para os que desejam conhecer melhor tudo à volta do Led Zeppelin, e não se prende ao "mais do mesmo" tão óbvio em qualquer história sobre a banda. De quebra, ainda ganhamos bastante bagagem musical para ocupar nossos ouvidos e mentes por um bom tempo.
Robert Plant: Uma Vida
Autor: Paul Rees
Editora: Leya
Edição: 1ª (2014)
Nº de páginas: 303 + 16 (fotos)




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Robert Plant: Uma Vida, de Paul Rees é uma boa e rara obra que ultrapassa os limites óbvios das inúmeras biografias do Led Zeppelin. Sempre que se fala desta banda parte-se do ângulo do Page, com sua luta por um lugar ao sol com os destroços dos Yardbirds. Desta vez o filme é multicâmera e escolhemos o ângulo do garoto de Black Country, local que nunca abandonou e se tornou seu refúgio. Aqui temos uma boa narração sobre os acontecimentos pré-page: a curiosidade pela música, os conflitos em casa e apenas uma certeza: a música seria sua vida!
Muita gente não se conforma com as constantes esquivas de Plant quando o assunto é um retorno do Led (Jimmy Page é o mais inconformado, sem dúvida). Antes eu achava que ele apenas era um cantor experiente que tinha noção dos seus limites, devido à ação do tempo e o modo agressivo com o qual sempre tratou suas cordas vocais. Agora ficou bem claro que o buraco é bem mais embaixo... E sombrio!
Coincidência ou não, as grandes tragédias de sua vida aconteceram durante seus tempos de deus dourado: acidentes, problemas mil e as mortes de seu filho Karac e seu amigo John Bonham criaram uma atmosfera pesada em torno da banda, o que criou a lenda urbana de que o Led carregava consigo uma espécie de maldição. Jimmy Page, claro, envolvido com ocultismo e se afundando nas drogas só adicionava mais lenha à fogueira. O gigante, tão minuciosamente construído estava descontrolado e a mil por hora. Óbvio que mais cedo ou mais tarde algo terrível e barulhento aconteceria.
Passada essa parte presente em qualquer biografia do Led, o livro segue adiante no lento processo de renascimento de Plant, ao longo de três décadas. Plant havia se acostumado a "receber" ordens do chefe, Page, e agora deveria ser o maquinista de seu próprio trem. Foi se descobrindo como indivíduo após seu auge, o que lhe pareceu assustador. Buscou se adequar às novidades de sua época até chegar ao patamar atual, de grande gênio da criação musical, sempre cercado dos melhores parceiros. Se seus primeiros trabalhos são datadíssimos e não convencem muito, os mais recentes, a partir de Mighty Rearranger (2005) parecem de extremo bom gosto e talento.
Apesar de sempre evitar, a sombra do Led Zeppelin o persegue até hoje. São tempos dolorosos que o castigam com culpa e dor dia após dia. Para a tristeza do seu maior amigo e inimigo, Jimmy Page, que encara a banda como seu "bebê", tal qual Roger Waters com o Pink Floyd. O livro nos possibilita conhecer aspectos mais íntimos da lenda do rock, que não escondia, quando mais jovem, sua intenção de se tornar o "Elvis Loiro". Sua relação com as mulheres (milhões!) e seus projetos pouco conhecidos, como a banda de rockabilly The Honeydrippers, cujo EP está até mesmo na Spotify, camuflado, além de sua parceira da nova Band of Joy, Patty Griffin, cujo disco American Kid também conta com Plant nos vocais. Aliás, provavelmente a única mulher de quem Plant se aproximou e não se relacionou foi a bela Alison Krauss, que foi iluminada com um dos melhores discos da década passada, Raising Sand, em parceria com Robert.
Este é um livro muito bem escrito, de fácil e rápida leitura, como um bom texto de um jornalista deve ser. Curiosamente, não foi muito divulgado aqui no Brasil. O encontrei por acaso e comprei. Valeu a pena. Fundamental para os que desejam conhecer melhor tudo à volta do Led Zeppelin, e não se prende ao "mais do mesmo" tão óbvio em qualquer história sobre a banda. De quebra, ainda ganhamos bastante bagagem musical para ocupar nossos ouvidos e mentes por um bom tempo.
Robert Plant: Uma Vida
Autor: Paul Rees
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Por I. Malforea
Distintivo Blue e FomeStop firmam parceria com o novo projeto Fome de Blues - As Noites de Blues no FomeStop. Todo segundo sábado do mês a Distintivo Blue faz uma noite especialíssima, com os melhores standards do blues, além das canções autorais da banda, regados a chopp dobrado da Kremer. Começa dia 9 de julho. Imperdível!
O projeto sempre contará com novidades, como participações especiais e lançamentos. Nesta primeira edição, teremos entrada gratuita e o lançamento oficial do novo videoclipe da banda. Você imagina de qual música seja?
Reserve sua mesa pela fan page do FomeStop: CLIQUE AQUI
Maiores informações, na página oficial do evento ou pelo WhatsApp da banda: (77) 99835-1323
-------------------------- ----
O QUE: Noites de Blues no FomeStop - Fome de Blues
QUANDO: Todo segundo sábado do mês, a partir de 09/07/2016
ONDE: FomeStop: Rua F, 125 (fundo do shopping Conquista Sul, de frente à saida do estacionamento), 45055-425 | Vitória da Conquista-BA | Fone: (77) 3421-5867 | http:// www.fomestop.com.br/
QUANTO: 0800, na primeira edição
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TemaCast mais uma vez agraciando os fãs da boa música: desta vez o tema é a super banda The Doors, grande influência para nós e muitos outros na música. Este episódio está imperdível. Confira a sinopse:
"Acho que todos os nossos ouvintes conhecem The Doors, mas para aqueles que por ventura nunca tenha ouvido falar, o The Doors é uma banda californiana formada em 1965, tendo lançado 8 álbuns entre 1967 e 1972, seis deles com o Jim Morrison e sendo que sete ficaram na lista dos 10 mais vendidos da Billboard. Além desses álbuns eles lançaram diversos singles que também venderam bastante. Apenas pelas vendas nos Estados Unidos eles ganharam 20 discos de ouro, 14 de platina e 5 de Diamante. Até 1971 apenas, eles já tinham vendido mais de 4 milhões de discos e quase 8 milhões de singles só nos Estados Unidos. Se for considerado hoje em dia e em uma escala mundial, esse número é bem maior, passando de 100 milhões de cópias vendidas.
Segundo o tecladista da banda, Ray Manzarek, o nome da banda veio do livro de Aldous Huxley The doors of perception (As portas da percepção) e que vem da frase do poeta inglês, do século XVIII, William Blake que diz: “Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito.”
The Doors, uma banda que abriu as portas da percepção para a poesia por meio das suas músicas e mantém uma legião de fãs até hoje…
Saiba mais sobre isso ouvindo este episódio…"
Por I. Malforea
Neste último dia 17 tive uma ótima notícia pelas notificações do Spotify: o disco LOVE, dos Beatles, aquele criado especialmente para o Cirque du Soleil entrou para a discografia da lendária banda no serviço de streaming favorito da garotada. Ouvi este álbum pela primeira vez por volta de 2007, num home theater de um amigo de uma amiga, que apareceu do nada na rua, e nos arrastou até sua casa para ouvir uma versão quadrifônica desta obra-prima. Fiquei pasmo.
Neste último dia 17 tive uma ótima notícia pelas notificações do Spotify: o disco LOVE, dos Beatles, aquele criado especialmente para o Cirque du Soleil entrou para a discografia da lendária banda no serviço de streaming favorito da garotada. Ouvi este álbum pela primeira vez por volta de 2007, num home theater de um amigo de uma amiga, que apareceu do nada na rua, e nos arrastou até sua casa para ouvir uma versão quadrifônica desta obra-prima. Fiquei pasmo.
Fruto de um projeto de Guy Laliberté, um dos fundadores do Cirque du Soleil, com George Harrison, Love tomou forma anos após a morte do beatle, como um espetáculo teatral que teria, como trilha sonora, a música do quarteto de Liverpool. Ninguém melhor que o lendário George Martin para assumir essa valiosa parte. Acompanhado de seu filho Giles, usou trechos de aproximadamente 120 canções, incluindo uma versão inédita de While My Guitar Gently Weeps, retirada da primeira demo da música, com um arranjo de cordas criado especialmente para esta ocasião.
O resultado, além de um maravilhoso espetáculo, foi uma trilha sonora que fala por si só. Aos fãs que já conhecem a obra dos Beatles é uma grande experiência: ouvir trechos de músicas distintas reunidos com tanta harmonia e bom gosto é uma redescoberta. Aos que ainda não mergulharam nesse universo, é uma forma mais que perfeita de se introduzir ao mundo beatle. Este sempre foi um dos meus álbuns favoritos, de todos os tempos e senti muita falta dele quando do anúncio da inclusão da discografia no Spotify.
Claro, ainda não é a mesma experiência que ouvir o CD, já que segue o estilo Pink Floyd de se criar um álbum-conceito, com faixas interligadas, o que, nesta plataforma, torna perceptível a transição de uma faixa para outra. Nada que atrapalhe muito. Confira o trailer do espetáculo aqui embaixo:
O Cirque du Soleil também preparou um documentário mostrando os bastidores desta superprodução, chamado All Together Now, lançado em 2008. Veja o trailer:
São 28 faixas em quase uma hora e meia de pura descoberta. Um disco indispensável aos fãs da banda, e aos amantes da boa música. Ouça a todo volume e busque os melhores equipamentos de som para uma experiência ainda mais impressionante.
Este post saiu primeiro no Troca o Disco.
A internet ficou abarrotada, na última semana, de manchetes sobre a revelação do deus da guitarra, Eric Clapton, de seu sofrimento por conta de uma neuropatia periférica, doença que afeta os nervos dos membros superiores e inferiores e prejudicam o movimento das extremidades, como pés e mãos. Para um guitarrista, é um golpe certeiro, que pode se agravar em vários outros problemas, como a depressão.
Mas, este texto não é mais um escrito apenas para lhe contar desta novidade: o assunto aqui é a ação do tempo sobre os músicos. O próprio Clapton já disse, em sua autobiografia, que escapou da morte várias vezes, e que estar por aqui nos dias de hoje é um bônus. Fato: o tempo é cruel, não perdoa ninguém e cobra com juros tudo o que fizemos durante a vida. O músico geralmente é um ser de luz que trabalha com o que ama, ao contrário de grande parte da humanidade. Digo por experiência própria: depois que passei a ser apenas músico, acabou-se aquela sensação de "estou perdendo minha vida nesta droga de trabalho. Poderia estar fazendo algo realmente interessante agora". O trabalho e o hobby se tornaram um só. O trabalho é a terapia.
Mas, esse trabalho mágico também tem seu lado nocivo: a mais evidente é a constante exposição a grandes quantidades de decibéis por longos períodos de tempo, o que é a raiz dos problemas relacionados à audição. Um exemplo recente e próximo é o do vocalista Rogério Flausino, que descobriu ter perdido, aos 35 anos, cerca de 30% de sua audição pelo constante uso do retorno por fones. Uma maravilha tecnológica que cobra seu preço. O cara é "jovem ainda, jovem ainda" e já se deparou com os primeiros problemas que o tempo e a profissão trazem.
Existem também aqueles problemas que os próprios músicos trazem para si. As drogas, bebidas, cigarro, noites perdidas e falta de preparação física (como a preparação vocal ou o próprio sedentarismo, por exemplo) são clássicos. Meu maior exemplo é o de Raul Seixas, minha maior influência musical brasileira, em 1989, visivelmente debilitado, possivelmente bêbado, em entrevista ao Jô Soares. Morreria pouco tempo depois, em consequência de sua pancreatite agravada pela sua vida de excessos. Neste caso a lista de ícones que se auto-destruíram é gigantesca. Curiosamente, mesmo com tantos exemplos, ainda se cultua essa aura "mágica" de que música é sinônimo disso, e que só se pode viver plenamente dessa forma. Bom, cada um decide o que é melhor para si.
Sempre tive medo de um dia perder minha voz ou a capacidade de escrever. Seria terrivelmente frustrante e não sei como ou se conseguiria dar a volta por cima. Robert Plant e Axl Rose são duas grandes influências minhas que não chegaram a esse extremo, mas experimentam um pouco dele todos os dias: Plant simplesmente foi eleito a maior voz do rock n' roll, de todos os tempos (você pode concordar ou não, mas não dá para negar que ele está entre as maiores sim), e Axl, bem... Não é mais aquele garoto que cantava rasgado, agudo e correndo feito um maluco de lá para cá. Ao meu ver, ambos nunca se preocuparam muito em cuidar da própria voz, e você pode até dizer que se o tivessem feito, não seriam o que foram. Discordo: há sim alguns cuidados possíveis, sem deixar de ser o "deus dourado" ou o bad boy número 1 do final dos anos 80.
Plant visivelmente sabe que não consegue mais ser 30% do que já foi, e foi maduro: mudou sua forma de cantar e alterou os tons das músicas quando da reunião do Led Zeppelin na arena O2, em 2007 (aos 59 anos). Já Axl parece ainda não ter digerido bem a ideia de que tem 54 anos e está muito acima do peso que tinha em 1990: como vocalista, acabo sofrendo junto ao vê-lo agonizar para cantar nos tons originais, nos vídeos da internet. A mesma impressão que tive aos ver os últimos momentos do Edu Falaschi com o Angra. Para que se autoflagelar desse jeito? Apenas para não dar o braço a torcer? A carreira de Janis Joplin foi bastante curta, mas hoje certamente não teria 10% da sua voz se não tivesse se autodestruído, em 1970.
Phil Collins já se aposentou uma vez, quando percebeu não ser mais capaz de tocar sua bateria como antes, além do problema da audição. Não aguentou e voltou a se apresentar. Claro! Ele ama a música. Não dá para simplesmente parar de fazer o que fez por toda uma longa vida, com amor. Isso só me remente ao Brian Johnson, do AC/DC, substituído recentemente por um Axl Rose que parece ter finalmente resolvido se cuidar. Pense no quão dura deve ter sido a decisão de sair dos palcos: é sair ou ficar surdo! Daí para a depressão é um pulo!
A música é uma força sobrenatural que acompanha o músico 24h por dia até o fim de sua vida. Se ver separado dela é o maior pesadelo de todos. É esse "vício" que faz pessoas como B.B. King tocarem até morrer, mesmo que não aguentem sequer ficar de pé no palco. Essa é a explicação para aqueles que perguntavam, até pouco tempo atrás: "Como ele ainda insiste em se apresentar? Ele nem consegue tocar, escutar ou cantar mais". Não o culpe nem o condene. Ele PRECISAVA disso para continuar vivo. Fizeram uma tremenda grosseria com o rei do blues, vaiando-o num dos seus últimos shows, por esse motivo. Vale mesmo a pena vaiar uma lenda viva (à época, claro) que apenas está tentando ser quem sempre foi?
Enfim, o tempo não perdoa e cobra com juros tudo o que fizemos durante a vida. Provavelmente Clapton passará por momentos em que mentes maldosas ou que não se dão o trabalho de se colocar no lugar do próximo dirão coisas desagradáveis, mas lembre-se que a música é seu oxigênio. Sem ela, ele perde a razão de estar vivo. O fim é sempre sofrido, mas algumas atitudes podem amenizar sua ação, dando algum tempo extra. Chegar à velhice e encarar seus problemas típicos é natural, ainda que doloroso, mas ser impedido de fazer o que ama ANTES de chegar a ela, é sim mais terrível ainda. O que será de Flausino aos 60 anos? Cuide-se, amigo(a). Não é algo tão difícil assim de se fazer e pode compensar muito no futuro.
Este texto saiu primeiro no Troca o Disco.
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