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Fevereiro 2016


O Podcast Jazzy existe desde 2008 e é produzido por Emerson Lopes, jornalista e pesquisador do jazz. Durante dois anos foi publicado no site do Estadão. Em junho de 2011 passou a ser publicado de forma independente, e com algumas modificações em seu formato. No site da Distintivo Blue foi publicado de 2010 até 2015 (todo o conteúdo não referente à própria banda agora é publicado aqui, mantendo o trabalho de apoio e divulgação do blues/jazz nacional, no qual a DB se tornou referência).

Emerson Lopes também é autor do livro Jazz ao Seu Alcance, lançado em 2009, com reedição em 2013.

Links: Twitter | Jazz ao Seu Alcance | Mixcloud





Apresentado por Jeremy Rees, Soul of the Blues é um programa semanal independente dedicado ao blues, apresentado na Radio Cardiff (País de Gales, UK). Sua linha passeia entre o blues e soul, das raízes do Mississipi, passando pelo rock clássico, R&B e Southern Soul.

A apresentação ao vivo se dá nas quartas às 9 da manhã (horário de Cardiff) e a versão podcast é liberada sempre aos domingos, inclusive no iTunes. 


Soul of The Blues é membro da IBBA - the Independent Blues Broadcasters Association:http://www.bluesbroadcasters.co.uk/

 
Descrição do episodio:

Jeremy Rees presents tracks by Kelly's Lot; Catfish; Peter Karp; Jo Harman; Toronzo Cannon; Brad Curtis & The SOME x 6 Band; Anni Piper; Jake Chisholm; Fantastic Negrito
The Della Grants; Andrew Bird; Blue Largo and The Unhooked Generation.

First broadcast on Radio Cardiff 98.7FM on Wednesday 6th January 2016 - and also heard on 89.2 RCFM (Rhine-Ruhr, Germany); Radio Goolarri 99.7 FM (Broome, Western Australia); WRFN 1025 (UK); Kansas City Online Radio (USA); Spellbound Harbour Radio 106.8 FM in Gisborne, New Zealand; Radio Heatwave (Spain); Pennine 235 (West Yorkshire, UK); Jazz & Bossa Radio (Puerto Rico) and MDORadioBlues (South Carolina, USA) and BLUEZinada! (Brazil).

Vivi Campos é produtora e apresentadora do BluesJazzeando

O programa BluesJazzeando é apresentado todas as quartas, das 20h às 21:30h, direto da Argentina, com produção e apresentação da atriz e locutora Vivi Campos. Siga-a no Mixcloud e nunca mais perca um programa.

Descrição do episódio:

"BluesJazzeando"
Un viaje en el Tiempo, con historias y ritmo!
-Programa De Radio-Idea, Producción y Conducción: VIVI CAMPOS
TODOS LOS MIÉRCOLES DE FEBRERO 2016,
SALIDAS por Vivi Campos
* PROGRAMA HOMENAJE Nº 4 - BONUS TRACK con INVITADOS "EN VIVO" del 2015:
* SUGAR MAMAS
* MOJO SISTERS
* QUINTETO FAMOSO
* DI MURO Y LOS TREMENDOS
* JAVIER MARECO, JUAN MAYO Y MARTÍN GONZÁLEZ
* A SAIDERA
Contactate a nuestra FAN PAGE: www.facebook.com/BluesJazzeando
"BluesJazzeando" by VIVI CAMPOS: vivkaart.wix.com/vivicampos

Texto histórico expõe a mente do mestre


I. Malforea
Saiu ontem no "Were's Eric", site de notícias sobre o deus da guitarra, o anúncio de que seu 23º disco de estúdio está a caminho. A produção é de Glyn Johns, que já trabalhou com nomes como Led Zeppelin, The Who, Rolling Stones e em seu aclamado álbum "Slowhand", que completará 40 anos no ano que vem.

A capa ficou por conta de Sir Peter Blake, que trabalhou, por exemplo, na capa do "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band". Sua assinatura, por sinal, está na capa do "I Still Do". No set list estão músicas inéditas e versões de ícones como Dylan e Johnson,paranão perder o costume. Destaque para a participação de um certo Angelo Mysterioso em "I'll Be There", que é ninguém menos que George Harrison, quando participou do álbum Goodbye, do Cream (1969). 

A previsão de lançamento é para 20 de maio. Aguardemos ansiosamente então.

Track listing:
01. Alabama Woman Blues
02. Can’t Let You Do It
03. I Will Be There
04. Spiral
05. Catch The Blues
06. Cypress Grove
07. Little Man, You’ve Had a Busy Day
08. Stones In My Passway
09. I Dreamed I Saw St. Augustine
10. I’ll Be Alright
11. Somebody's Knockin'
12. I’ll Be Seeing You
Músicos envolvidos:
Eric Clapton: Guitars, Tambourine & Vocals
Henry Spinetti: Drums & Percussion
Dave Bronze: Double Bass & Electric Bass
Andy Fairweather Low: Electric & Acoustic Guitar, Backing Vocals
Paul Carrack: Hammond Organ & Backing Vocals
Chris Stainton: Keyboards
Simon Climie: Keyboards, Electric & Acoustic Guitar
Dirk Powell – Accordion, Mandolin & Backing Vocals
Walt Richmond – Keyboards
Ethan Johns – Percussion
Michelle John – Background Vocals
Sharon White – Background Vocals
Angelo Mysterioso - Acoustic Guitar & Vocals on “I Will Be There”

Créditos do álbum:
Produced by: Glyn Johns 

Com 17 anos de estrada, o grupo baiano Clube de Patifes, de Feira de Santana, se prepara para lançar o seu quarto álbum de estúdio. Intitulado Casa de Marimbondo, o álbum firma a empreitada empreendedora da banda, que trabalha de maneira independente desde o começo da trajetória.

Com uma linguagem calcada no blues e em timbres do rock dos anos 50 e 60 (e com boas doses de groove), o Clube de Patifes - formado por Joilson Santos (baixo), Pablues (guitarra e voz), Paulo de Tarso (bateria), Luyd Andrade (guitarra), Rodrigo Borges (guitarra) e Kino Bone (Trombone) - investe ainda em temáticas afrobrasileiras e introduz referências da música baiana e caipira à sonoridade.

O novo trabalho, Casa de Marimbondo, é uma co-produção do Clube de Patifes com André T., renomado produtor musical que já trabalhou com representantes do rock baiano, entre eles Pitty, Cascadura e Retrofoguetes.

O álbum também reúne figuras do cenário musical nordestino. Faixa de abertura do disco, “Hey Mama” é uma parceria do conjunto com Luiz Caldas, ícone baiano e precursor do axé. Outros músicos da região engrossam a ficha técnica. Du Txai (atualmente na formação da banda Cascadura) participa de “Cavalo de Troia”, enquanto o time de sopros da banda IFÁ Afrobeat - Vinicius Freitas (sax), Normando Mendes (trompete) e Matias Traut (trombone) – marca presença em “Voodoo”.

Casa de Marimbondo contém 11 faixas e o lançamento está marcado para 29 de fevereiro. Dois singles inéditos já foram divulgados e servem como excelente prévia para o disco completo. Ouça aqui

Vivi Campos é produtora e apresentadora do BluesJazzeando

O programa BluesJazzeando é apresentado todas as quartas, das 20h às 21:30h, direto da Argentina, com produção e apresentação da atriz e locutora Vivi Campos. Siga-a no Mixcloud e nunca mais perca um programa.

Descrição do episódio:

"BluesJazzeando"
Un viaje en el Tiempo, con historias y ritmo!
-Programa De Radio-Idea, Producción y Conducción: VIVI CAMPOS
TODOS LOS MIÉRCOLES DE FEBRERO 2016,
SALIDAS por Vivi Campos
* PROGRAMA HOMENAJE Nº 3 - BONUS TRACK con INVITADOS "EN VIVO" del 2015:
* OLD JUKEBOX BAND
* CASTRO MEJÍA Y SALGADO - DÚO-
* COUNTRY GRUÑÓN
* TANA SPINELLI Y ANDRÉS MAGALLANES
* VANESA HARBEK
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"BluesJazzeando" by VIVI CAMPOS: vivkaart.wix.com/vivicampos



Apresentado por Jeremy Rees, Soul of the Blues é um programa semanal independente dedicado ao blues, apresentado na Radio Cardiff (País de Gales, UK). Sua linha passeia entre o blues e soul, das raízes do Mississipi, passando pelo rock clássico, R&B e Southern Soul.

A apresentação ao vivo se dá nas quartas às 9 da manhã (horário de Cardiff) e a versão podcast é liberada sempre aos domingos, inclusive no iTunes. 


Soul of The Blues é membro da IBBA - the Independent Blues Broadcasters Association:http://www.bluesbroadcasters.co.uk/

 
Descrição do episodio:

Jeremy Rees presents tracks by Jimmy & The Mustangs; Blues Engine; Marvin Hill;
Eszter Balint; Michael Messer's Mitra; Tasha Taylor; Wentus Blues Band; Ian Siegal & Jimbo Mathus; Ina Forsman; Jimmy Adler; Ebony Jo-Ann; How Askew; Billy Hamilton & The Lowriders and a 1969 classic from Georgie Fame & The Blue Flames

First broadcast on Radio Cardiff 98.7FM on Wednesday 6th January 2016 - and also heard on 89.2 RCFM (Rhine-Ruhr, Germany); Radio Goolarri 99.7 FM (Broome, Western Australia); WRFN 1025 (UK); Kansas City Online Radio (USA); Spellbound Harbour Radio 106.8 FM in Gisborne, New Zealand; Radio Heatwave (Spain); Pennine 235 (West Yorkshire, UK); Jazz & Bossa Radio (Puerto Rico) and MDORadioBlues (South Carolina, USA) and BLUEZinada! (Brazil).

Registro feito em 9 de janeiro de 2015, última vez que Renato pisou no palco (Arquivo)

Cantor ícone do blues sul-mato-grossense faleceu há um ano

Guilherme Cavalcante

Renato Fernandes, a maior referência do blues sul-mato-grossense, partiu há um ano, deixando saudades da voz melancólica que materializou as composições honestas e viscerais do blues sul-mato-grossense. Ele fez história na cena musical do Estado, deixou fãs e amizades por onde passou, e por isso, sua ausência física é ainda é sofrida. Porém, Renato também inspirou outros músicos a continuarem seu legado: as luzes do palco continuam acesas para ele, que continua aqui, por mais que não esteja.

Um ano após a morte repentina, amigos, fãs e familiares revivem as boas lembranças. Com uma dose de saudade, que se diga a verdade. Textos mencionando gratidão ganharam espaço no Facebook nesta manhã. O som da banda Bêbados Habilidosos, o grupo em que por anos Renato tocou, também segue vivo nas radiolas. Cada nota tem tom de saudade e pura emoção, transporta o pensamento para os bons momentos de anos atrás, quando o som estava alto, o copo cheio e o coração aberto.

"A gente percebe que existe uma saudade grande, as pessoas sentem falta tanto da figura do Renato como da música. Tem bastante gente na cidade tocando músicas dos Bêbados Habilidosos. O cenário do blues tem uma lacuna. Faz falta o blues em português, que todo mundo compreendia. Mas, para nós que éramos bem próximos, o Renato vai além da música e também por isso faz muita falta", destaca o músico e jornalista Marcelo Rezende, amigo de Renato.

Nos laços sanguíneos, a dor da ausência ganha dimensões ainda maiores, mas que é amenizada ao constatar o carinho dos fãs e amigos. Renata Messa, filha do cantor, destaca a saudade física, aquela que impede de dar um abraço, "mas a presença espiritual está aqui, está viva. Quando o cara é 'o cara', ele não morre, ele fica", revela. Ela conta que desde a morte do pai foi um período muito difícil e intenso, repleto de mudanças.

"Meu pai foi quem me criou, com ajuda da minha avó. Ele era minha base, que de uma hora pra outra me vi sem. O que eu tinha de mais precioso deixou de existir fisicamente e eu tive que fazer uma adaptação muito grande. Só que ver o carinho dos fãs e amigos são coisas que amenizam a saudade. A gente sempre foi muito ligado, ele tinha esse lado mais espiritualizado, de acreditar numa outra vida, e ele sempre falava: no dia que eu nao estiver mais aqui, não se sinta sozinha, vou estar sempre do seu lado. Eu me apeguei a isso e estou conseguindo seguir em frente".

Tributo informal
Nesta quarta-feira, em mais uma edição do Sarau do Zé Gerau, um dos homenageados da noite será Renato Fernandes. "O sarau sempre é dedicado a duas pessoas, uma em vida e outra em memória. Esta quarta é dele", explica o músico Luís Henrique Ávila. O evento terá caráter informal, simples, assim como era o cantor. "Não é nenhum tributo, é uma homenagem das pessoas que amavam o Renato. Pensamos em algo honesto e que matasse um pouco a saudade que a gente sente", explica.

Para Luis, a propósito, o cantor era insubstituível. "É como se a gente tivesse perdido a nossa referência maior, o nosso BB King. Hoje mesmo eu postei uma musica dele que a meu ver define com perfeição o sentimento do blues. Quando ele partiu, senti que essa lacuna ficou grande. Essa homenagem vai ajudar a matar um pouco a saudade do que ele fazia de melhor", afirma.

Todo o acervo de Renato Fernandes na banda Bêbados Habilidosos está disponível para download e streamming gratuitamente na Internet (clique AQUI). Luís Henrique e os amigos Marcelo Rezende e Fábio Brum, todos ex-integrantes da banda Bẽbados Habilidosos, também mantêm uma fanpage no Facebook em homenagem ao músico. "Como o Renato era um cara muito simples, não tinha Facebook, não gostava muito dessas coisas de Internet e redes sociais, criamos essa página para compartilhar músicas, fotos e histórias dele", conta Luis.


Serviço - Sarau do Zé Geral, com homenagem a Renato Fernandes. Nesta quarta-feira (18), a partir das 21h, no Barbaquá Botequim (Rua Rio Grande do Sul, 382). Ingressos a R$ 10,00.

Fonte: Midiamax

Por I. Malforea
Vida de músico não é fácil, blá blá blá que todo mundo está careca de saber. O negócio é se antecipar aos perrengues e passar o mínimo de estresse possível, principalmente se você depende da música para pagar suas contas. Se você está entrando nesta vida, já devem ter lhe avisado que não é um mar de flores, mas se é o que você gosta realmente de fazer, as dificuldades não serão maiores que as satisfações, como em qualquer trabalho. Está em dúvida? Faça um breve exercício mental e... Ops, vamos deixar essa para uma das dicas. Leia, pense bem, e força na estrada, jovem Joe!

Obs.: Não se sinta ofendido(a) por algo descrito abaixo que você não fez/faz. Se a carapuça não servir, não há por que ficar de mimimi. Já se você fez/faz... Bem... Vamos tentar melhorar, né?


1 - Estabeleça claramente qual é a sua

Seja realista: você é alguém que pretende viver da música (leia-se preocupar-se em tocar sempre para pagar as próprias contas) ou ela para você é um hobby (leia-se aquele que toca quando quiser, apenas para se satisfazer, mas não gostaria de ter isso como uma obrigação)? Não há problema nenhum em ser a segunda opção, pois você deve gostar muito da música a ponto de deixar de ser um mero consumidor para ser um fornecedor desse serviço. Mas há um porém: se você, por não precisar da música para comer, toca até de graça, por satisfação pessoal, saiba que você mal-acostuma os donos de estabelecimentos a pagar pouco aos que vivem disso e batalham por uma vida digna. Afinal, se o Zezinho toca três horas por R$50,00, por que diabos o Josefino deveria receber R$300,00? O verdadeiro músico acaba sendo nivelado por baixo, como qualquer aventureiro que quer se exibir para os amigos enquanto assassina canções alheias. Se você topa tocar de graça, reúna seus amigos e toque para eles, não estrague o campo de trabalho de quem leva a música a sério. É justamente esse tipo de pessoa que está no início do processo de desvalorização do bom músico.

2 - Entenda que a maioria das pessoas pensa que ser músico é simplesmente fácil.

Já ouvi isso de muita gente: "você tem a vida boa, né? É só tocar um pouquinho e receber a grana". As pessoas comuns simplesmente não entendem que música é algo que demanda estudo, investimentos, planejamentos, negociações, ações de marketing e tudo o mais. Elas, sabe-se lá o porquê, não entendem que o "tocar" é apenas a ponta do iceberg e pensam que o processo se resume àquilo. Por isso sua postura não deve colaborar com isso. Você se preparou por horas, dias, meses a fio para chegar ao estágio em que está. Você é um profissional como qualquer outro, cujo trabalho se divide em cerca de 85% de forma solitária ou "escondida", e 15% "visível" ao público-alvo. Quando alguém, algum dono de restaurante, por exemplo, falar uma bobagem como essa, faça o paralelo com o próprio estabelecimento: "O meu trabalho é igual o seu. Ou será que você só começa a trabalhar quando abre as portas do restaurante?". Respeite a profissão dos outros, mas encontre meios de se fazer respeitar também, ou simplesmente não o farão.

3 - Invista em seu equipamento e esqueça o dos outros

Não se iluda: dificilmente você encontrará um lugar com bons equipamentos. A vida real é microfone pirata que não vale um real furado, mesa de som de oito canais, onde só funcionam três (isso quando existe a enorme sensibilidade para se comprar uma), caixas horríveis e a palavra "retorno" remete apenas às aulas de trânsito no DETRAN. Compre seu microfone, depois de uma boa pesquisa, seus cabos, fones e o que mais sentir necessidade. Leve suas extensões de tomada e tome sempre o cuidado de não deixar misturarem com as do estabelecimento. Pense em alguma forma de marcar seus cabos, por exemplo. O objetivo é melhorar ao máximo o som que sai das caixas. Muitas vezes não dá para fazer milagre com o equipamento dos próprios estabelecimentos porque, para boa parte deles, isso não é importante o suficiente para um bom investimento. A esmagadora maioria dos donos de estabelecimento é capaz de gastar uma fortuna em tudo, e reluta em comprar um mixerzinho de R$300,00. Isso porque, na cabeça dele, o músico é o cara que faz o "milagre" acontecer, e isso é problema todo dele. Seu equipamento é seu maior aliado, e fazer feio por causa de um microfone que deveria estar no lixo é algo totalmente desnecessário. Lembre-se: é sua imagem, sua reputação, seu trabalho que está à mostra. Claro, use o bom senso. Não vá virar um burro de carga. Faça o possível e razoável.

4 - Lembre, relembre, re-relembre datas já marcadas

Há milênios o homem inventou a escrita. Logo depois veio o papel. E de lá pra cá o negócio deu muito certo. Nem tanto: o simples ato de escrever numa agenda, calendário ou em qualquer lugar que no dia X a pessoa Y tocará no bar Z parece ser de enorme complexidade para algumas pessoas, sejam músicos ou donos de estabelecimento. Já passei por inúmeras vezes pela desagradável (isso para ser bem suave) situação de ter uma data marcada em algum lugar e, na última hora, descobrir que outra pessoa está sendo divulgada para meu horário. O dono do bar simplesmente ESQUECEU que havia marcado comigo, ou com o outro. Eles não usam uma bendita agenda para organizar suas datas. Isso é MUITO complicado para quem vive da música: uma sexta feira perdida significa uma conta a menos sendo paga, e eles não estão nem um pouco preocupados com esse detalhe. Isso olhando pelo meu lado, de músico, mas sei que muitos músicos também fazem esta sacanagem com os contratantes. Estamos falando de trabalho, e isso exige um MÍNIMO de organização. Eu tenho um calendário (daqueles de mesa, que os bancos distribuem no início do ano) onde anoto todos os meus shows. Assim, nunca dei mancada com alguém. Faça isso: ANOTE e CONSULTE. Suas mãos não apodrecerão e você evitará transtornos. Quando o problema for o outro, faça como eu: dê um calendário de presente, naquele tom de "brincadeira-mas-estou-falando-sério". E não se sinta mal por ser chato com a pessoa ao ficar relembrando da sua data. Pior ainda é perder o cachê de uma noite por pura falta de organização.

Atualização (21/09/2016): Hoje eu uso o Google Calendar, no tablet, smartphone e no calendário do Windows, sincronizado com todos os membros da minha banda: quando uma nova data é marcada, todos já ficam cientes automaticamente. Isso é uma mão na roda!

5 - Seja pontual

Isto é o básico do básico e, teoricamente, nem deveria ser mencionado, porque é uma questão de educação. Marcou 21h no Bar do Estrôncio? Pense! Se a apresentação começa nesse horário, você não é o Paul McCartney para se dar o luxo de simplesmente chegar, dar boa noite e começar. Chegue um tempo antes, ao menos meia hora, a depender da quantidade de equipamento e do que deve ser feito antes de começar. Comece na hora prevista, termine na hora prevista. Isso é ser profissional, e a falta desse profissionalismo é justamente do que todo brasileiro adora reclamar. Comece olhando para si mesmo antes de apontar alguém. Claro, atrasos também são fator-chave para deixar de ser chamado novamente, mas encare a pontualidade principalmente como marketing pessoal e respeito ao contratante e ao público.

6 - Não beba em serviço

A música confunde a todos: público, contratante e o próprio músico, quando ele não tem uma ideia clara do que é ser músico. Você é um PRESTADOR DE SERVIÇO, assim como o garçom, o segurança, o taxista, o mestre de cerimônias, o jornalista, o advogado, o médico. Vendemos algo não-palpável com o agravante de ser algo que, estranhamente, É PRAZEROSO! Não devia ser assim, mas é uma grande exceção à regra trabalhar com algo em que se gosta. No meu caso, algo em que se ame. O Advogado não trabalha bêbado, o médico muito menos, o garçom idem. Por que diabos seria diferente com você? A não ser que você já seja um rock star (e mesmo estes não se justificam, ao meu ver), não beba em serviço. A qualidade do que você entrega ao público cai, seu instrumento de trabalho é agredido (no caso de ser você o cantor) e você pode se queimar bonito. Tudo bem, você só consegue relaxar depois de uma dose, um copo? Beba essa dose, esse copo, e já passe para a água ou suco. Não exija profissionalismo dos outros se ainda não aprendeu a sê-lo. Trabalho é trabalho e quem está ali para beber são os clientes. Você e todos os funcionários do estabelecimento estão lá para trabalhar. No dia seguinte, quando você sair às ruas, o público estará no papel do prestador de serviço e você será o cliente a ser agradado, então, nem venha com mimimi de baixa autoestima. A diferença entre você e ele é apenas uma questão de horário de trabalho. Você não é inferior por estar trabalhando na hora de lazer dos outros. Um lembrete: não há nada mais deprimente do que ter de deixar o cachê inteiro no bar para pagar sua bebedeira, a não ser que você não encare a música de forma profissional.

7 - respeite seu repertório

"Toca Raul!" "Toca telegrama!" "Toca aquela do Djavan!" "Toca sertanejo!" são frases que sempre são ouvidas em nosso ambiente de trabalho. Antigamente se tinha a ideia de que o músico deve tocar o que o público pede. Como eu comecei em palcos com banda e depois fui para barzinhos, tenho sempre em mente que minha apresentação é um show. Ninguém pede ao Frejat para tocar "Chão de Giz" nos shows, por que pedem a mim? Justamente por causa dessa ideia antiquada e errada de que o músico é uma espécie de escravo-animador-puxa-saco do público. Como dito no ítem 2, nosso ramo demanda um trabalhoso preparo. Se você tenta tocar uma música que não conhece direito, apenas para agradar à jovem de minissaia que pediu uma música daquela dupla "famosa" que você nunca ouviu falar, qual a lógica de atender esse pedido? Você vai apenas "queimar seu filme". Seja educado e diga, num caso como este, que esta música você não toca, mas (caso você realmente veja como uma boa incrementação ao seu repertório) na próxima vez ela será atendida. Quando me pedem sertanejo, eu apenas digo que não toco esse estilo. Daí respondem, às vezes: "Mas você tem que tocar o que o povo gosta". E eu digo: "Nem tudo o que o povo gosta faz meu estilo, sinto muito, mas não dá." Seja educado(a), mas firme. É você quem está no comando. Se a música estiver em seu repertório, ótimo: você terá um fã na plateia e potencial comprador do seu CD.

8 - Invista em suas próprias músicas

O público adora ouvir suas músicas preferidas sendo bem tocadas por alguém de carne e osso. Quando isso acontece, logo perguntam por CD, com aquelas músicas. Nessa hora eu entro numa discussão interna: "se eu gosto de 'Wish You Were Here', do Pink Floyd, por que eu deveria preferir um CD com a voz do cara que está tocando ao invés de um com a do David Gilmour?" Bom, até hoje não tenho bem uma opinião formada sobre isso, mas o fato é que isso existe e muita gente rejeita meu CD autoral quando descobre que não é "Wish You Were Here" que está lá, mas também existem os que valorizam o trabalho autoral e fazem questão de comprar o CD. Isso é um grande incentivo. Não sei vocês, mas uma das coisas mais prazerosas desse trabalho é ver que o público curtiu a música que eu mesmo escrevi. A minha letra, minha melodia fez algum sentido para aquele desconhecido. Queira ou não, ter músicas próprias faz você subir alguns degraus de conceito. Você cria conteúdo, não apenas reproduz de forma rasa. Crie coragem para tirar sua música do papel. Se estiver inseguro(a), mostre a outros músicos, pedindo opiniões sinceras. Trabalhe-a em casa. Intercale com covers, e prefira tocá-la logo após algum que você faça muito bem e que o público goste. Você já terá a atenção dele, daí é só anunciar que a próxima será sua e tocar. Aliás, nunca se esqueça de anunciar suas músicas: a maioria ouvirá pela primeira vez e não tem a menor obrigação de adivinhar quais são covers e quais são autorais. Tocando suas músicas você as aperfeiçoa. E isso é um dos principais caminhos para uma futura gravação de sucesso.

9 - Não tenha medo de ousar

Uma das coisas que mais me irritam é a mesmice. E a boa parte do público também. Mas a inércia é confortável e a maior prova disso é que várias músicas já são reconhecidas como "música de barzinho". Você não quer ser só mais um... Ou quer? Pense em inovar, usar instrumentos diferentes, samples, tons e roupagens diferentes para as músicas, convidar outros músicos para participar... Há uma infinidade de possibilidades na música, e você não precisa ser igual a todo mundo. Essa mentalidade, aliás, será sua melhor qualidade e, caso você faça bem feito, será reconhecido por isto. Algo que adoro ouvir é: "Vocês não tocam como todo mundo que faz barzinho. Vocês fazem um show de verdade". Isto, aliás, pede o próximo item. Resumindo, dê sua personalidade ao seu trabalho. Não se esqueça que a música é, antes de tudo, uma forma de expressão.

10 - Não se deslumbre com elogios, nem o inverso

Elogio é bom e todo mundo gosta, mas fique sempre atento(a), pois é um terreno perigoso. O elogio massageia o ego e pode salvar seu dia, mas tenha sempre em mente que você NÃO é o melhor do mundo no que faz. Se o elogio chegou a você é porque seus esforços anteriores deram certo. Isso mostra que você está no caminho correto e pode confiar em suas ideias. Continue se esforçando e jamais perca a humildade. A arrogância é facilmente percebida pelas pessoas, que não costumam perdoá-la. Mesmo os arrogantes odeiam a arrogância dos outros. Guarde com carinho os elogios, como uma espécie de recompensa, mas também desconfie quando for exagerado: muita gente simplesmente não consegue ser sincera e sempre é mais fácil elogiar que criticar. Sobre as críticas, use o mesmo cuidado: elas virão com muito menos frequência que os elogios, claro, mas saiba diferenciar uma crítica construtiva e sincera de mero despeito. Tente tornar útil toda e qualquer crítica. É uma arma que você recebe de graça para encontrar seus pontos fracos e anulá-los ou, ao menos, minimizá-los. Acima de tudo, tenha senso crítico sobre você mesmo(a): o que nesse elogio ou crítica é realmente verdade sobre você? Olhe-se no espelho e não se engane: o mundo inteiro pode estar errado e você certo, mas também pode acontecer o contrário.


Talvez este post terá uma parte 2. =)


Acaba de sair o especialíssimo episódio #71 do Troca o Disco. João Paulo Gomiero e Henrique Machado falam sobre a figura ímpar da Nina Simone, baseados principalmente no documentário "What Happenned, Miss Simone?", que já falamos anteriormente.

O Troca o Disco é um dos melhores podcasts brasileiros e é inteiramente dedicado à nossa razão de viver: a música. Confira o links abaixo e assine logo o feed, para não perder um só episódio, daqui em diante.

Link do episódio: clique aqui

I. Malforea




Mais uma vez a internet mostrando o óbvio: é uma ferramenta única para se conseguir boa informação, inclusive através das redes sociais, ao contrário do que dizem os que não têm o hábito de pensar alguns minutos sobre o que quer que seja. Há sim, muita bobagem na web, mas ela não vai sozinha até você. É preciso que VOCÊ dê o clique que dará views para X ou Y.

Que tal, então, dar os cliques certos para uma experiência produtiva? Aos músicos independentes, donos de estúdios ou mesmo entusiastas, temos o canal do Paulo Anhaia, músico, produtor musical e engenheiro de som respeitadíssimo no mercado e com vasta bagagem profissional. O Paulo publica, desde novembro de 2015 em seu canal no YouTube, a série "Pergunte ao Anhaia", onde nos presenteia com temas comuns ao cotidiano da produção musical, falando desde compressores, mixers e outras questões técnicas até mesmo assuntos básicos ao músico profissional, como os códigos ISRC ou o que leva um booker a agenciar um músico.

No momento em que escrevo este post, a série já está e seu 13º episódio e todos são muito interessantes, a ponto de a playlist merecer um clique no botão REPETIR por um bom tempo. Sempre há algo muito útil a se aprender neste canal. Siga o canal e interaja, enviando perguntas.



Apresentado por Jeremy Rees, Soul of the Blues é um programa semanal independente dedicado ao blues, apresentado na Radio Cardiff (País de Gales, UK). Sua linha passeia entre o blues e soul, das raízes do Mississipi, passando pelo rock clássico, R&B e Southern Soul.

A apresentação ao vivo se dá nas quartas às 9 da manhã (horário de Cardiff) e a versão podcast é liberada sempre aos domingos, inclusive no iTunes. 


Soul of The Blues é membro da IBBA - the Independent Blues Broadcasters Association:http://www.bluesbroadcasters.co.uk/

 
Descrição do episodio:

Jeremy Rees presents tracks by Allison Thrash; Mike Brookfield; Michael Messer's Mitra;
Thornetta Davis; Angelo Palladino & The Street Hawks; Steve Nimmo; Rev Ferriday And The Longdogs; Miss Mec; Connie Lush Band; Catfish; Chris Bevington; Cecile Doo-Kingue;
Joyann Parker & Sweet Tea and Hurricane Ruth LaMaster.

First broadcast on Radio Cardiff 98.7FM on Wednesday 6th January 2016 - and also heard on 89.2 RCFM (Rhine-Ruhr, Germany); Radio Goolarri 99.7 FM (Broome, Western Australia); WRFN 1025 (UK); Kansas City Online Radio (USA); Spellbound Harbour Radio 106.8 FM in Gisborne, New Zealand; Radio Heatwave (Spain); Pennine 235 (West Yorkshire, UK); Jazz & Bossa Radio (Puerto Rico) and MDORadioBlues (South Carolina, USA) and BLUEZinada! (Brazil).

17° Festival Jazz & Blues

Agora é em Fortaleza

Foi bom demais na serra! Cada vez mais pessoas chegam a Guaramiranga para curtir em harmonia e paz o som do jazz, blues, bossa e toda música de qualidade. Depois de quatro dias de muitos shows, ensaios abertos e bate-papos, chegou a hora de Fortaleza receber a 17ª edição do Festival Jazz & Blues, com programação no Teatro RioMar, Cineteatro São Luiz e nos equipamentos da Rede Cuca - Barra, Jangurussu e Mondubim, da Prefeitura de Fortaleza.

Toninho Horta e Koko Jean-Davis no Teatro RioMar

Koko Jean-Davis

Na quinta e sexta-feira, às 21h, acontecem dois shows no Teatro RioMar: Toninho Horta e Koko Jean-Davis, respectivamente. Ambos estiveram no palco do Festival em Guaramiranga e certamente vão levar para o público de Fortaleza a mesma energia que arrancou aplausos da plateia na Cidade Jazz & Blues.

O guitarrista, compositor e arranjador mineiro Toninho Horta se consagrou nacionalmente a partir dos anos 70 junto ao movimento Clube da Esquina. Ele repete na quinta-feira, às 21h, no Teatro RioMar, o show que fez na última noite do Festival na serra, na companhia da Orquestra Fantasma, com quem interpreta clássicos de sua autoria com novos arranjos, entre os quais “Manoel, O Audaz”, “Beijo Partido” e “Pilar”, além de músicas inéditas.

Na sexta-feira às 21h, a atração é a moçambicana Koko Jean-Davis, que fez um show arrasador na noite de segunda-feira em Guaramiranga. Acompanhada pela Igor Prado Band e por Raphael Wressnig, logo nas primeiras músicas a cantora já instigou o público a se levantar e dançar. E foi assim o espetáculo inteiro! Quem não assistiu na serra, a hora é essa!

Artur Menezes estará sábado no Cineteatro São Luiz



Esse cara é demais! Prata da casa, o cearense Artur Menezes, que já acompanha o Festival há vários anos, mostrou ao público de Guaramiranga o que o torna hoje um dos principais nomes da nova geração do blues no país, com passagens por palcos de outros países.
Artur lotou a Cidade Jazz & Blues na noite de domingo, quando comandou a Jam Session em um show de blues mesclado com rock, soul e por aí vai. No sábado, às 17h, ele faz novo show no Cineteatro São Luiz.

Mais shows na Rede Cuca
No Cuca Barra, Cuca Jangurussu e Cuca Mondubim, o Festival Jazz & Blues terá shows de Igor Prado Band com participação especial de Raphael Wressnig (quinta às 18h no Cuca Jangurussu), María Toro Quartet (quinta às 18h no Cuca Barra), Pablo Fagundes (sexta às 18h no Cuca Barra e sábado no Cuca Mondubim), Di Ferreira e Cláudio Mendes (sábado às 18h no Cuca Jangurussu), e somente em Fortaleza, uma apresentação única de dois grandes músicos brasileiros em seus respectivos instrumentos, Mingo Araújo na percussão e, no acordeon, Adelson Viana (sábado às 18h no Cuca Barra).

Oficinas e bate-papos também na Rede Cuca

Pablo Fagundes

O Festival Jazz & Blues em Fortaleza terá, além dos shows, uma rica programação de bate-papos e oficinas. De quinta a sábado, às 14h30, Pablo Fagundes ministra oficina de gaita no Cuca Mondubim. Na sexta, às 15h, no Cuca Jangurussu, Elpídio Nogueira conduz a oficina de Ukulele e Cainã Cavalcante estará à frente da oficina de violão. Para participar, é só chegar!

O público terá um contato mais próximo com os artistas do Festival em uma série de bate-papos. Koko Jean-Davis, que na sexta faz show no Teatro RioMar, estará no Cuca Jangurussu na quinta-feira, às 18h para uma descontraída conversa. Também na quinta, a espanhola María Toro bate um papo com a plateia antes do seu show às 18h no Cuca Barra.

Na sexta-feira, Pablo Fagundes tem um bate-papo com o público às 18h no Cuca Barra, antes do show, e no sábado, a conversa é no Cuca Mondubim, antes da apresentação. E no sábado, último dia do Festival, acontecem mais dois bate-papos às 18h, antes dos shows: Di Ferreira e banda estarão no Cuca Jangurussu e os instrumentistas Mingo Araújo e Adelson Viana no Cuca Barra.

Festival na mídia

Público em Guaramiranga

Quer ver um pouquinho do que foi o Festival na serra? Dá uma olhadinha na matéria exibida no Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares: Visualizar matéria

Venda de ingressos
A entrada para o Festival Jazz & Blues é gratuita, com exceção dos shows no Teatro RioMar, que têm preços populares: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia). Os ingressos estão à venda na Bilheteria e no site www.teatroriomarfortaleza.com.br.

Programação completa em Fortaleza

Confira a programação no site do Festival: www.jazzeblues.com.br

Texto e imagens: divulgação

Distintivo Blue, banda de Vitória da Conquista-BA, acaba de lançar seu quinto disco, Todos os Dias, Vol. 1, e eu já estava na jornada de textos, releases, entrevistas em rádios e posts sobre ele. A ideia do "faixa a faixa" até estava na fila, mas não entre as primeiras opções. Foi quando o Filipi Junio me lançou a proposta de fazê-lo para o Southern Rock Brasil. Pois bem, nada melhor que o próprio produtor, vocalista e compositor da maioria das faixas do disco contar um pouco sobre sua história.

A DB está em seu sexto ano de estrada, e não foi fácil chegar até aqui: tivemos mais de vinte formações diferentes e nossa própria visão da banda enquanto profissão mudou bastante desde o primeiro EP, lançado em 2011. Aqui podemos dizer que encontramos nosso caminho, e nossa identidade já se mostra mais clara, menos "Frankenstein" que nos discos anteriores. Este primeiro volume trata basicamente de dilemas sentimentais, o que é um grande clichê no blues, e detestamos cair neles, mas são sinceros e espontâneos. Para o volume 2 guardamos as letras mais ácidas.

1 - Meio Dia (Prelúdio)


A primeira faixa serve para situar o ouvinte tanto em nosso habitat natural (a nossa cidade) quanto no que escutará a partir dali: Temos o relógio da igreja-matriz, hoje não tão notado quanto em minha infância, tocando ao meio dia (alusão à faixa seguinte) e vários sons do próprio centro da cidade, gravados em duas sessões. Ao fundo, em primeira mão, um tema em violão que encontraremos no volume 2 numa guitarra, chamado Ishtar, um instrumental que há muitos anos está engavetado. Os mais atentos perceberão que a última faixa do disco também está enxertada e o disco acaba começando exatamente do jeito que termina. Ok, vários spoilers...

2 - Doze Horas



Ela surgiu de forma orgânica (aliás, o título do disco anterior), num ensaio. Entre uma música e outra, sempre alguém puxa algum tema, geralmente na guitarra e os outros correm atrás. Foi o que aconteceu. Quando ouvi aquilo, me restou solfejar alguma coisa e, como sempre gravo os ensaios com o tablet, para o caso de algo desse tipo acontecer, levei para casa decidido a transformar numa música. Na época eu tinha conhecido uma garota, que hoje é minha namorada, e ficamos 12 horas a fio conversando pelo chat do Facebook, enquanto eu ouvia a gravação em looping, tentando criar uma letra. Deu certo. O dia já estava claro quando terminei. Como eu ainda não trabalhava só com música, fui para o trampo mais morto que vivo, mas a sensação de compor uma nova música não tem preço: Um dia lançaremos um disco só com raridades e com certeza essa gravação estará nele. É, no mínimo, interessante de se ouvir.

3 - Todos os Dias



A faixa-título do disco, foi composta por nosso guitarrista, Rômulo Fonseca, e deveria ter sido lançada no segundo EP da banda, "Riffs, Shuffles, Rock N' Roll" (2012), mas a banda ainda era muito instável e tínhamos um péssimo e preguiçoso baterista, que não deu conta do recado: o bluesinho lento e reto na verdade é uma grande estrada escorregadia, principalmente para os bateristas. Foi composta em 2009, após uma desilusão amorosa do nosso barbudo amigo, que saiu do grupo nessa época e voltou um ano depois. Ficou no repertório desde então: os fãs que já nos viram ao vivo já a conheciam. 

4 - Charity and Mercy



Charity and Mercy foi composta por Camilo Oliveira, guitarrista, que também saiu da banda e voltou, mas saiu novamente, para se dedicar à carreira acadêmica. Foi lançada no disco anterior, "Orgânico "(2014), numa versão voz e violão. Ficamos com esta e mais duas faixas de sua autoria, que estarão no volume 2, todas em inglês. Como estamos numa fase bem country, ouvindo muito Railbenders, Johnny Cash, Willie Nelson e uma infinidade de nomes, acabamos criando esta versão cheia de violões e se aproximando mais do bluegrass. A letra basicamente faz trocadilhos com várias canções da banda, usando algumas piadas internas e citando, inclusive, algumas que ainda não foram lançadas. 

5 - Diglett Blue


Diglett Blue tem esse nome por causa de uma das subdivisões da banda, chamada Diglett Joes, um power duo formado por mim (voz, cajón, gaita, violão e o que mais aparecer) e Lavus Bittencourt (violão, voz, gaita, guitarra...). Foi uma das soluções que encontramos para se apresentar em lugares menores e não ter de dividir um cachê já pequeno com uma multidão, possibilitando que paguemos nossas contas em dia. Sempre fazemos este instrumental para chamar a atenção do público quando está um tanto apático e descobrimos que ela não saía mais como improviso: as frases são sempre exatamente como na gravação. Virou uma composição nossa e não poderia ficar de fora. Gravamos em casa mesmo, após um show de 3 horas. Sua versão original era com a gaita em D, mas desafinou, estou sem grana e só usei uma em C mesmo, nela e em Charity.

6 - Blues a Rosa



Se Doze Horas mostrava o início de um relacionamento, Blues a Rosa vai mais adiante e o mostra após um desentendimento. Um legítimo blues de lamento escrito no calor do momento, naquela hora em que a solidão bate, junto com o arrependimento (quem nunca?). O título veio por causa de uma blusa rosa que ela sempre usa. E não, seu nome não é Rosa. Aqui tivemos a participação de Diro Oliveira, da banda Café com Blues, na gaita.

7 - Meu Amigo Blues



Meu Amigo Blues retrata outro desses momentos ruins, que são tão bons para o compositor. Mostra uma pessoa que falou mais coisas do que deveria e se arrependeu. Aproveitei para falar sobre pessoas que também fazem coisas que se arrependem, sobrando apenas o blues como "amigo" e companheiro. A flecha lançada, a palavra dita citam o velho provérbio chinês, tão usado em nosso dia-a-dia e se juntam à pedra jogada no telhado para ilustrar que nossas ações podem não ter volta e que devemos sempre pensar antes de agir, pois a responsabilidade sempre cairá sobre nossos ombros. Um minuto pode por uma história inteira a perder.

8 - Ame a Solidão



Ame a Solidão foi composta na mesma semana. Não lembro qual veio primeiro, mas é basicamente mais deprê blueseira, desta vez com a melancolia country. Fazemos aqui uma reflexão mais profunda sobre a solidão, onde há aquela sensação de "o que não tem remédio, remediado está". Se fez besteira e não tem mais jeito, aprenda com seu erro, levante a cabeça e, ao menos, trate de não repeti-lo. Na pior das hipóteses tem-se a solidão como companheira... O blues, como já foi dito na canção anterior, e a solidão, sempre estarão lá quando for preciso. Este é o verdadeiro espírito. Não é preciso nascer negro no Mississippi do século XVIII para senti-lo: no fim das contas somos todos humanos, fracos e frágeis humanos.

9 - Walking Blues


Walking Blues, o único cover do disco, é, na verdade, uma faixa bônus. Aqui temos apenas Rômulo Fonseca interpretando Son House, na versão do Clapton. Foi gravada no mesmo dia em que Diglett Blue, usando um gravador H4n, um SM 58 e um Beta 58a, em casa mesmo. Temos vários takes alternativos e versões vintage (estilo anos 20) que lançaremos no futuro, de ambas.

Este, então, é nosso mais recente trabalho. Esperamos que curtam e compartilhem por aí. Está disponível no Spotify, Apple Music, Deezer, Rdio, além de várias lojas virtuais internet afora. Viabilizaremos o segundo através de crowdfunding e contaremos com vocês em breve. Um grande abraço!

I. Malforea

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