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Fevereiro 2011


Barão Vermelho: Por que a Gente é Assim
Autores: Ezequiel Neves, Guto Goffi e Rodrigo Pinto
Editora: Globo 
Lançamento: 2007
Nº de páginas: 312
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- Alô, Cazuza?
- É.
- Aqui é o Guto. Tenho uma banda de rock e quem me deu teu telefone foi o Leo Guanabara. Chamamos o cara pra cantar, mas ele não tem muito a ver com o nosso som. E ele nos indicou você. Você canta?
- Depende. O quê?
- Ah, é rock, né?
- Canto, sim. Quando vai ser?
- Amanhã você pode?
- Ah, claro que posso.

Assim surgiu uma das melhores bandas de rock da história do Brasil. Em 1981 surgia o Barão Vermelho, formado por Cazuza, Frejat, Dé, Maurício e Guto Goffi, coautor deste grande livro juntamente com Ezequiel Neves, o "Zeca Jagger", produtor, compositor, colunista musical, crítico e uma porção de outras coisas, e o jornalista Rodrigo Pinto, que acumulou experiência no Jornal do Commercio, O Dia, Globo Online, TV Cultura, Multishow, etc. Além deles, temos a contracapa por Zeca Camargo, a orelha(de Dumbo) por Ney Matogrosso e a última página, relativa ao CD incluso, por Roberto Frejat. Muita gente que sabe do que está falando.

Como é de costume, a Globo fez um livro com jeito de revista, com muitas páginas cheias de fotos, textos complementares, em diferentes tamanhos de fonte e folhas em papel mais caro, fazendo com que o livro reduzisse seu volume a no mínimo uns 60%, se fosse publicado numa editora como a 34. Também temos trechos do próprio texto repetidos com maior destaque, como numa revista. Visualmente o livro é muito bom, mas peca em não pôr legendas nas imagens, que incluem desde fotos e ingressos a trechos recortados de jornais. Os créditos de cada uma estão no final do livro.

Ler um livro hoje em dia é diferente de 20 anos atrás: uma obra como esta deve ser sempre amparada pela internet. há muitas entrevistas, shows e discos para se baixar e conferir de perto, clareando o texto. Um bom exemplo é o conteúdo do CD, contendo duas fitas-demo do início da carreira: assim como os próprios integrantes, achei esse registro melhor que o primeiro disco da banda, que perdeu um pouco da essência ao ser mixado e masterizado sem a presença dos integrantes. Não é difícil encontrar o primeiro disco do Barão para baixar e comparar.

O livro cobre desde o início da banda até sua última "parada por tempo indeterminado", logo após o CD/DVD MTV ao Vivo(2007). A saída, seguida pela morte do Cazuza, e eleição de Frejat para os vocais, as demais desistências, até a última formação, que foi a mais duradoura. Problemas com drogas, obviamente não poderiam faltar, afinal, trata-se de uma banda de rock. E uma das melhores, diga-se de passagem. Já deixaram o patamar de simples fãs dos Stones para se tornarem material de referência, e um livro como esse é fundamental para conhecê-los melhor e ter uma idéia mais clara de como funcionou o rock brazuca nas últimas décadas.

É um retrato de um apaixonado baterista, que não esconde sua grande vontade de retornar aos palcos com seus amigos. Também de uma espécie de pai da banda, que infelizmente faleceu(coincidência ou não, no exato aniversário de 20 anos da morte do Cazuza, no ano passado) sem ver seus garotos voltarem à ativa, e de um grande fâ, que estréia sua carreira literária com esse tema, não por acaso. Mais uma vez me deparo com um texto que flui facilmente e, quando percebo, já sinto vontade de ter mais páginas para ler. Mais uma dose? É claro que eu tô a fim!


Led-Zeppelin: Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra
Título original: Led-Zeppelin: When Giants Walked the Earth 
Autor: Mick Wall

Editora: Larousse 
Lançamento: 2009 (Brasil), 1ª edição

Nº de páginas: 527 +24(fotos)
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Sabe aqueles livros bem grossos, que assustam só de olhar? Este é um deles. Mas sabe aqueles que são tão bons que quando você menos espera já passou da metade sem perceber? Idem. Led-Zeppelin: Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra é uma obra ímpar, sobre um dos maiores fenômenos musicais da história da música. Seu autor, Mick Wall é uma figura carimbada no meio musical britânico. Já trabalhou em revistas especializadas, no rádio e na TV, além de ter conhecido grande parte dos personagens que retrata no livro. Para conhecer melhor seu trabalho acesse seu site oficial.

Embora não seja muito resistente(ao final da leitura o letreiro metálico e as pontas já estavam desgastados), a capa dura da edição brasileira é bem inspiradora, com Jimmy Page no auge da forma, em preto-e-branco, com uma das mãos no alto, como se brilhasse, sugerindo o enorme poder que detinha quando o Led era considerado a maior banda do mundo. na contracapa temos uma foto com Plant e Page, também em PB, em meados de 1970. Um belo trabalho da capista Juliana Carvalho.

Um aspecto interessante do livro são os inúmeros flashbacks em 2ª pessoa, que apesar de serem em grande parte fruto da imaginação do autor(como ele mesmo diz na nota inicial), são totalmente coerentes e muito provavelmente representam o que cada personagem diria, dado o conhecimento acerca de todos adquirido após anos de pesquisas, conversas e entrevistas. Estas são as partes do livro onde pode-se descobrir detalhes de um passado mais distante, ou nem tanto, que não caberiam na narrativa. São como enormes parênteses no texto, num estilo RPG, mudando constantemente a identidade do próprio leitor, que é forçado a se colocar na pele de cada uma das pessoas descritas nas partes em itálico. Um método no mínimo interessante e até incomum.

Aos que ainda não entendem bem o papel de líder e mentor do Led-Zeppelin atribuido ao Jimmy Page, os primeiros capítulos clareiam definitivamente as idéias: Desde os tempos de músico de estúdio passando pela difícil e árdua tarefa de reviver os Yardbirds numa época em que já eram considerados ultrapassados, Page mostrou ao mundo que não só era um exímio músico, como também produtor, negociador e, por que não, pai. O Led Zeppelin, como várias vezes é referido pelo autor, sempre foi o seu bebê, a sua banda dos sonhos, onde poderia finalmente deixar de ser um simples acompanhante contratado para ser um agente influenciador, com inúmeras idéias loucas para devorar o mundo. Impossível não admirá-lo nesse aspecto.

Após a formação definitiva da banda, com os quatro integrantes aparentemente incompatíveis entre si, mas que se descobriram feitos uns para os outros, somados a um empresário mais do que dedicado, surgem as conhecidas histórias das turnês, com shows de mais de três horas de duração, festas, bebedeiras e orgias envolvendo as famosas(mesmo) groupies, que não raramente se referiam ao Led como a banda mais depravada que já conheceram, superando profissionais do ramo, como os Rolling Stones. A interação entre as grandes bandas da época também é um aspecto interessantíssimo, como a amizade de Page com Jeff Beck e Keith Richards, ou as bebedeiras de John Bonhan com Keith Moon, do The Who. A infeliz decisão de não tocar no Woodstock, o processo de gravação de cada disco, bem como as decisões e curiosidades sobre as capas, está tudo bem explicado na obra.
Um conselho aos que não detêm nenhum interesse por ocultismo ou esse famoso aspecto na biografia do Led, em especial, do Jimmy Page: pule o capítulo 9. São 30 páginas de puro Aleister Crowley. Sua vida, obra e legado são explicitados quase que exageradamente. Obviamente é um capítulo praticamente apenas para explicar o Jimmy Page que viria nos capítulos seguintes. A partir daí o ocultismo não se separa mais da trajetória da banda, que em sua fase decadente não raro era chamada de maldita ou agourenta, devido a tantos incidentes ruins, como a morte do filho de Plant, acidentes, ondas de violência e o xeque-mate, com a morte do baterista John Bonhan, que estava cada vez mais mergulhado no mundo do álcool e de outras drogas, além de ter se tornado um grande destruidor de quartos de hotel.

É incrível como o texto de Mick Wall envolve o leitor. Nos últimos capítulos pode-se até sentir um pouco da energia ruim que rondava a banda. A crescente dependência de heroína sofrida por Page, a surpreendente intenção de John Paul Jones de deixar o grupo, a perda do controle dos negócios por Peter Grant devido ao excesso de cocaína, a grande crise de Robert Plant em estar cada vez mais convencido de que todos os que se envolviam com o Led se metiam em problemas. Eram rotineiros episódios como a ocasião em que John Bonhan apontou uma arma para Glenn Hughes, então vocalista do Deep Purple, ou quando alguém lhe quebrava o nariz por se comportar como um ogro bêbado. Ainda assim vemos um lado humano e compreensivo, onde descobrimos que boa parte desse comportamento se devia à saudade de casa e da família.

O livro também é uma ótima fonte de referência a outros artistas. Muitos dos casos de plágio ou de shows em conjunto com outras bandas rendem ao leitor-pesquisador com perspicácia na web algumas pérolas dos anos 60-70, como o Iron Butterfly, Small Faces, Sandy Nelson, Lord Sutch, C.C.S. e a sinistra trilha do filme Lucifer Rising, assinada por Jimmy Page são alguns dos ótimos (e não muito conhecidos no Brasil) artistas contemporâneos ao Led. Bastam alguns minutos de busca para conhecer versões de músicas plagiadas pelo grupo ou artistas que viram neles grandes concorrentes. O público sempre ganha nesses casos.

Led-Zeppelin: Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra é um livro formidável e indispensável aos que se interessam de forma não-superficial pelo cenário musical na Europa e EUA durante os anos 60-70 e início dos 80. É uma viagem desde os tempos do recém descoberto blues na Inglaterra até o surgimento do punk. E ainda temos um avanço pós-Led que mostra o que aconteceu a cada um dos integrantes até o recente e lendário encontro na Arena O2 em Londres(2007). Podemos ter uma idéia mais clara sobre o porquê de Robert Plant se recusar a reunir-se de novo com Page e Jonesy e ainda conhecer um pouco sobre a história de seu penúltimo álbum, com a cantora de bluegrass Alisson Krauss. Leia de preferência com a discografia à mão, e buscando os outros grupos na internet. A sensação ao terminar a leitura é de que realmente se fez uma grande viagem... A bordo de um luxuoso zepelim de chumbo.
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Quer ouvir música decente? Se tranque em casa ou use um fone

Há algum tempo ando muito chateado com a minha cidade. Como muitas, temos carros equipados com aparelhagem de som caríssimos, que os fazem parecer trios elétricos. Temos vários botecos(muitos) espalhados em todos os bairros, cada um com seu som ambiente. Temos lojas de eletrodomésticos, daquelas que vendem desde um fogão até uma moto e jogam comerciais barulhentos na TV, uns engolindo os outros. Temos emissoras de rádio. Não muitas, mas temos. Temos algumas emissoras de TV que pegam de razoavelmente a bem, sem auxílio de parabolica ou assinatura. Temos nossos queridos estudantes que se recusam a usar fone de ouvido quando estão em ônibus. Temos os próprios ônibus e suas caixas de som ambiente. Temos academias de ginástica, temos taxis e temos uma estação rodoviária, só pra não ficar muito detalhista.

Há muito tempo deixei de ser um "roqueiro radical". Já não uso meu militancia.antipagode@bol.com.br há pelo menos uns dez anos. A gente vai envelhecendo e ficando mais tranquilo, menos intolerante. Mas conversando e prestando atenção cheguei à conclusão de que é praticamente impossível se ouvir o que eu considero boa música em algum lugar que não seja minha própria casa, fone ou algum lugar onde eu não detenha o controle do volume. Digo considero boa música já pra não ter ninguém me dizendo o óbvio, que música boa é algo muito relativo. Isso eu já sei há muito tempo, e foi por saber disso que fiquei menos radical que dez anos atrás.

Não sei em que lugar do mundo você, leitor(a), está no momento. Mas aqui em Vitória da Conquista-BA-BraZil a regra, o padrão musical aponta para um eixo bastante conhecido e desagradável aos meus ouvidos: axé-sertanejo(universitário, de preferência, seja lá o que isso quer dizer)-pagode soteropolitano(é diferente de axé, acredite ou não)-arrocha(este incorpora grupos dos gêneros anteriores)-forró(principalmente os que fariam Luiz Gonzaga se contorcer no túmulo). É isso. Ou você ouve e gosta disso ou é um alien.

Eu gosto de coisas bem distantes desse eixo: rock n' roll, blues, jazz, algo do que rotulam como MPB e Luiz Gonzaga, basicamente. Aqui rock é música de maluco barulhento. Blues é "aquelas músicas de strip-tease". Jazz é uma modalidade de dança que ensinam nas academias(!!!). MPB é música cabeça demais e Luiz Gonzaga é algo antigo demais para os jovens e cult o suficiente para fazer alguns universitários se sentirem cults ao falarem do que gostam de escutar para os amiguinhos cult.

Chego numa loja de eletrodomésticos e me deparo com um paredão de micro systems a todo volume tocando o (argh!) Parangolé. Nem entro e passo em frente a outra: Cláudia Leitte. Vou a outra: Luan Santana. Paro pra tomar alguma coisa num bar qualquer. O novo sucesso do "minha mulher não deixa não, blá blá blá" está no rádio, executada não mais por quem a criou. Isso se procria com extrema facilidade, assim como seu público. Saio de lá e penso em tomar um táxi pra casa. Desisto ao ver Zezé di Camargo na telinha do DVD em cima do painel do carro. Vou pegar um ônibus. Está passando a mesma rádio do bar. Uma passageira parece não gostar, então pega seu celular e coloca uma linda música evangélica a todo volume para doutrinar todos os outros, incluindo a mim. Chego em casa, aliviado. É quando meu vizinho resolve abrir o porta-malas do carro e ouvir, a infinitos decibéis, hits parecidos com o maldito Rebolation. Um detalhe: ouço várias vozes, parece uma bebedeira. O infeliz não deixa passar mais que 30 segundos de nenhuma música, então ouço pedaços de umas 50 músicas supostamente diferentes e instruções de como rebolar do jeito certo. Fecho a janela.

Certa vez fui numa gráfica rápida imprimir uns projetos da DB. Entrei na sala dos designers e havia uma cadeira vazia, cujo PC tocava, baixinho, Piazzolla. Fiquei impressionado. Nem eu tenho algo dele em casa. Interessantes foram os comentários dos outros funcionários: "Pô mas esse som de fulano tá fraco demais!"; "Quem tá ouvindo esse troço aí?"; "Desliga a caixa desse PC aí, num dá pra aguentar isso no ouvido não". Coisas desse tipo. Se o volume máximo da caixa era 10, a música deveria estar no 0,9.

Dentro do shopping tomo um mate em frente a uma loja de eletrodomésticos. DVD do Calypso, a todo volume. Conversando com minha namorada sobre isso imaginamos como seria se um de nós trabalhasse ali. Trazer um DVD de algo melhorzinho e ainda muito light? Nem pensar. Um amigo que trabalhou num hipermercado já disse que música decente não fica nem dez minutos no player. Os próprios colegas de trabalho tiram e substituem por Ivete ou algum dos exemplos acima citados. Sem falar que espantaria a clientela. Se bem que não é uma boa ideia comprar aparelho de som onde se vende cama, bicicleta e geladeira.

Já me disseram que, numa academia de ginástica, pediram pra tirar "esses rocks barulhentos" ao ouvirem a pesadíssima versão de Por Enquanto do Legião Urbana na voz de Cássia Eller. Punk rock  hardcore de verdade. Quando fiz faculdade perdi rapidamente a ilusão de que os universitários são seres politizados e exigentes com a arte que consomem (infelizmente não estava vivo na década de 70). Pois lá eu ainda era considerado o roqueiro maluco por boa parte. Saudável mesmo é ouvir Calcinha Preta.

Existe aqui um festival anual, cujo palco principal é focado no pop-rock. Convenhamos, odeio Charlie Brown Jr, ignoro o Jota Quest, apesar de não considerá-lo ruim, Não suporto O Rappa, mas tudo bem: já é mais próximo do que eu escuto e sempre consegui cortesia pra entrar. Toquei no "palco dos roqueiros barulhentos" duas vezes com a The New Old Jam e trabalhei de outras formas ,outras vezes. E conheço algumas pessoas. Não seria nenhum sacrifício. Além do palco principal e o palco dos barulhentos existem também o palco do forró e outras coisas que expressam o padrão musical da cidade. Aqui fala-se português e ouve-se o que já falei. São oficiais, não dá pra mudar. Ano passado e retrasado já tivemos artistas do axé-music no palco principal, ou seja: parece que mesmo ganhando as entradas não vou mais querer ir. Só havia este evento, uma vez por ano, que eu me dispunha a ir. Daqui pra frente nem isso. É como estar numa gaiola que só diminui.

É doloroso se sentir um alien em sua própria casa. Passei 28 anos nesta cidade e simplesmente me identifico cada vez menos com ela (esqueci de mencionar o quanto minha própria família gosta de ouvir certas coisas já citadas). Me dizem "mas é só música. Por que não relaxa e dança também?". Pra alguém que tem a música como algo tão importante isso é simplesmente ridículo. Um insulto até. É como um piloto de Formula 1 viver num lugar onde só se anda de carroça ou um policial honesto viver num lugar onde só existem bandidos. Totalmente fora de contexto.

Então vem a frase óbvia: "cai fora então, ué!". A ideia é essa, claro. Vai acontecer, mas deve haver mais alguém que neste momento está se sentindo numa gaiola, assim como eu, e infelizmente não poderá pular do barco. Este texto é apenas um desabafo, uma forma de dar voz aos que também se incomodam com o poder da maioria. Além de não conseguir me livrar de todo esse lixo sonoro que está em todas as formas de mídia e também fora dela, não temos espaço pra sequer sair dessa direção por alguns segundos. Aí a solução é apenas se isolar em casa ou num bom fone de ouvido. Ou abrir mão da sua individualidade para se integrar ao todo. Como é na sua cidade?


Obs.: este texto apenas expressa a minha opinião e o meu ponto de vista. Não forço ninguém a concordar comigo e muito menos a ler o que escrevo. Dizem que este é um país livre, então estou no meu direito. Pense nisso antes de me insultar.

Leia!

Ouça!

Assista!

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