Seu nome significa algo como “o som do éter”, no sentido de um som ligado ao mundo espiritual. Também possui variações em seu nome, inclusive como Eterofone. O instrumento ficou um tanto esquecido até a década de 50, quando Robert Moog o resgatou e tentou popularizá-lo. Hoje o theremin Moog é um dos mais bem-conceituados do mercado, servindo de base, inclusive para a versão brazuca, fabricada em Minas Gerais, o RDS Theremin, que não resisti e comprei um tempo atrás (foto acima). Geralmente é utilizado na música clássica e o nome da Clara Rockmore sempre aparece em evidência em qualquer pesquisa que se faça sobre o instrumento.
Nós, do mundo roqueiro, geralmente o conhecemos através do Jimmy Page no Led Zeppelin ou de algumas faixas do Pink Floyd, sobretudo do álbum Meddle. Estes, no entanto utilizaram o instrumento apenas como efeito psicodélico/espacial e não podemos considerar que dominavam o instrumento. No Brasil, minha lembrança mais clara foi da versão do Pato Fu para a música Eu.
O Theremin não de fácil assimilação. Seu som natural é muito estranho e, em minha opinião, feio (lembra algo como uma mosca fantasma escandalosa). Não foram poucas as vezes em que vi músicos o olharem com desdém. O ideal é usar uma pedaleira de guitarra para acompanhá-lo, usando vários efeitos combinados. Seu timbre soa bastante sombrio, algumas vezes lembrando o violino ou cantoras de ópera, principalmente com o uso do vibrato. Também foi bastante usado nos anos 60/70 em filmes de extraterrestres e fantasmas. Quem nunca ouviu vai reconhecer logo de cara.
Por fim, É um instrumento que exige dos músicos que não apenas querem criar ruídos desconexos um conhecimento musical mais aprofundado, além de um ouvido muito bem-treinado. É apenas você, o ar e infinitos microtons à sua disposição. Se você tiver a oportunidade de encontrar um, experimente. Crianças também vão adorar, e isso é uma ótima chance de educá-los musicalmente.
Leon Theremin demonstrando seu instrumento
Harold Arlen – Over the Rainbow (esse é um dos meus favoritos)
Jimmy Page mostra o theremin a The Edge e Jack White, no documentário It Might Get Loud (2008)
Pato Fu – EU (inclusive contando com o “próprio” Leon Theremin no clipe)
